Acolher é um gesto que transforma, tanto quem recebe quanto quem oferece. Em Passo Fundo, o casal Ana e Pedro decidiu abrir as portas de casa e o coração para participar do programa Família Acolhedora, um serviço da Prefeitura que oferece a oportunidade de acolher temporariamente crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por medida protetiva. “A família acolhedora é um espaço que a gente, enquanto sociedade, pode se colocar à disposição e ter vontade de amar um ser que está no seu total momento de fragilidade, afastado dos seus laços consanguíneos, precisando ser acolhido, amado e se reconhecer como sujeito de direito na sociedade”, contou Ana.
Pedro acrescenta que, mais do que um abrigo, o programa representa uma experiência de convivência e aprendizado para todos. “A gente tem dois filhos biológicos e se habilitou para ser família acolhedora para poder dar um espaço e mostrar para as crianças que vivem em vulnerabilidade o que é uma família. Queremos dar a elas a oportunidade de sentir o que é convivência, respeito e carinho. É muito importante que mais pessoas conheçam o programa, se inscrevam, participem e se doem, porque isso pode transformar o futuro de uma criança”.
Segundo ele, os únicos pré-requisitos são ter tempo disponível e poder amar incondicionalmente outro ser que precisa de amor, afetividade e carinho.
Atualmente, o município conta com quatro famílias habilitadas e duas em processo de habilitação. O Família Acolhedora é um serviço da rede de proteção social que permite que famílias acolham, em suas residências, crianças e adolescentes afastados de suas famílias por medida judicial, oferecendo um ambiente de cuidado, segurança e afeto enquanto são realizadas ações voltadas à reintegração familiar ou adoção.
Proteção
Para a secretária de Cidadania e Assistência Social, Elenir Chapuis, o serviço representa um avanço importante nas políticas públicas de proteção à infância. “O Serviço de Família Acolhedora é a oportunidade de cada criança ter cuidado individual, proteção e a garantia da convivência familiar e comunitária no momento em que precisa ficar afastada de sua família de origem. É o compartilhamento entre o município e as famílias que abrem suas casas, vidas e coração para acolher uma criança”, destacou.
Desde a criação do programa, o número de acolhimentos institucionais em Passo Fundo diminuiu significativamente. Há alguns anos, o município contava com quatro casas de acolhimento e mais de cem crianças acolhidas institucionalmente. Hoje, são duas casas e cerca de 20 crianças, além das acolhidas por famílias cadastradas, o que demonstra a efetividade e a sensibilidade da política pública.
Em 2023, a prefeitura ampliou o subsídio pago às famílias acolhedoras, valorizando um trabalho que exige dedicação e comprometimento. As famílias recebem um salário e meio por criança acolhida — e o mesmo valor em casos de acolhimento de crianças com deficiência —, além de acompanhamento técnico e suporte contínuo.
Podem se inscrever pessoas ou famílias com idades entre 21 e 65 anos, residentes em Passo Fundo, com boas condições de saúde física e mental, que tenham interesse em oferecer cuidado e proteção, mas sem intenção de adoção. As famílias passam por um processo de avaliação e capacitação e recebem acompanhamento técnico permanente da equipe da SEMCAS.
O período de inscrições para o Família Acolhedora 2025 será de 3 a 20 de novembro. Os interessados podem preencher o formulário disponível em:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSebHiydzlFN5zuFUnGCNMUD2rjtehvjOJzhDqKkQmGx19mVag/viewform


