O aumento da população em situação de rua registrado no Brasil nos últimos anos também impacta diretamente os municípios, entre eles Passo Fundo. Embora o dado de crescimento superior a 25% nos últimos anos seja nacional, os reflexos dessa realidade são sentidos no dia a dia da cidade, principalmente em função da migração de pessoas vindas de outros municípios em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida.
Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Elenir Chapuis, a situação de rua é hoje uma das principais questões sociais debatidas em todo o país. “Esse percentual de mais de 25% de aumento nos últimos anos reverbera onde as pessoas vivem, nos municípios. Além disso, a migração da população em situação de rua contribui fortemente para esse fenômeno”, explica.
Migração e busca por trabalho
Assim como ocorre em outras cidades de médio e grande porte, Passo Fundo registra crescimento no número de pessoas em situação de rua, especialmente pela chegada de pessoas de outros municípios. A maioria delas relata estar na cidade em busca de trabalho, o que evidencia o caráter social e econômico do problema.
Os dados utilizados pelo município têm como base o Cadastro Único (CadÚnico), ferramenta do governo federal que reúne informações de famílias em situação de vulnerabilidade. No entanto, a secretária alerta que esses números não são estáticos. “As pessoas podem realizar o cadastro enquanto estão na cidade, mas nem sempre permanecem em Passo Fundo após a realização do CadÚnico”, destaca. Isso dificulta a contagem exata da população em situação de rua de forma permanente no município.
Rede de atendimento
Para enfrentar essa realidade, a Prefeitura de Passo Fundo mantém uma rede estruturada de atendimento, que envolve as áreas da saúde, assistência social e segurança pública. Na área da assistência social, o município conta com todos os serviços previstos nacionalmente para atendimento à população em situação de rua.
Entre eles está o serviço de Abordagem Social, que atua diretamente nas ruas, identificando demandas, situações de vulnerabilidade e necessidades imediatas. Outro ponto fundamental é o Centro POP, que oferece atendimento especializado e funciona também como espaço de permanência durante o dia, com acesso a orientações, encaminhamentos e suporte social.
Já a Casa de Passagem garante acolhimento noturno, com local para pernoite e refeições, funcionando como uma alternativa emergencial para quem está nas ruas. Além disso, há ações integradas entre os diferentes serviços para identificar cada caso e realizar os encaminhamentos conforme suas especificidades.
Principais fatores
De acordo com a Secretaria de Assistência Social, os fatores que mais contribuem para a permanência das pessoas nas ruas estão relacionados ao uso de álcool e outras drogas, a questões de saúde mental, ao rompimento de vínculos familiares e a conflitos com a lei. “Esses fatores são preponderantes para a permanência na rua”, afirma Elenir Chapuis. No entanto, ela reforça que, quando os serviços estão disponíveis, como ocorre em Passo Fundo, há possibilidade real de mudança de trajetória. “Existe a possibilidade de retorno à família, atendimento e acompanhamento de saúde, encaminhamento para geração de renda, acolhida emergencial na Casa de Passagem e também o retorno para a cidade de origem”, pontua.
Reintegração familiar
Um dos resultados concretos desse trabalho é o número de pessoas que conseguiram deixar a situação de rua com apoio do poder público. Ao todo, 231 pessoas já retornaram para suas cidades de origem em 2025, com encaminhamento e acompanhamento da rede municipal.
Além disso, a Secretaria desenvolve um trabalho contínuo de reintegração familiar, encaminhamento para tratamento de saúde, acesso a oportunidades de trabalho e geração de renda, sempre respeitando as condições e escolhas de cada pessoa atendida. Quando há conflitos com a lei, também ocorre a atuação conjunta com os órgãos de segurança pública.



