Tosquia tally-hi beneficia criador de ovinos

Profissionais uruguaios fazem tosquia de ovinos em Passo Fundo utilizando o método australiano

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

Redação ON

A agilidade para imobilizar a ovelha e retirar toda a lã dela em aproximadamente três minutos foi desenvolvida ao longo de 22 anos de prática pelo tosquiador Anibal Muñoz. O uruguaio viajou quase 700 quilômetros para tosquiar o rebanho de 110 ovinos de um criador passo-fundense. A prática na realização do serviço e o resultado final com raros ferimentos nos animais são as características da equipe de Muñoz. O criador Evandro Martins contrata a equipe há quatro anos e garante os benefícios do procedimento com o método australiano.

A tosquia é fundamental para garantir a saúde dos animais, pois serve para auxiliar na manutenção da temperatura corporal e permite a realização de determinados tratamentos. Com muito calor os animais podem ter até problemas para engordar. O corte da pelagem precisa ser feito uma vez por ano e não depende de uma época específica. “No Uruguai fizemos no inverno a tosquia pré-parto e deixamos a lã num tamanho maior. Aqui vamos raspar a lã”, compara. Muñoz conta que já chegou a tosquiar 200 ovelhas em um único dia.

Os ovinos da propriedade de Martins passaram pela tosquia australiana chamada tally-hi, que é mais rápida em comparação a técnica tradicional na qual o animal precisa ser amarrado, além de ser mais confortável para os animais. A técnica diminui ainda os ferimentos.

De cada ovelha é retirado pouco mais de um quilo de lã. Conforme o classificador Mauro Paz o material é separado de acordo com cada parte do corpo do animal. O procedimento permite identificar as partes de qualidade superior que são vendidas a um preço maior. As partes que ficam em contato com a urina e fezes, por exemplo, são chamadas de ponta queimada e são separadas das partes melhores. Após a tosquia é possível avaliar a saúde geral do animal e também fazer a aplicação de vermífugos.

Vantagens
Conforme o criador Evandro Martins o método de tosquia é aplicado na propriedade há quatro anos. Pare ele, a terceirização do trabalho compensa pelo custo, menor estresse nos animais e rapidez no procedimento. “Com a antecipação da tosquia e com a presença ainda de dias mais frios, a ingestão de pastagens e fenos aumenta e temos o ganho de peso. Com o aumento da temperatura a qualidade de vida do animal responde rapidamente”, acrescenta. Ainda de acordo com ele a tosquia australiana uniformiza a altura de corte da lã, promove rápido crescimento da mesma, e pode ser repetida antes do parto dos cordeiros, nos meses de abril e maio, com as preparações e limpezas de úbere. Promove ainda a ingestão acentuada de alimentação no terço final da gestação, gerando cordeiros com peso acima da média ao nascer.

Mercado
Os maiores mercados para a lã são a Austrália e o Uruguai respectivamente, de acordo com Cláudio Schleder, 64 anos, que trabalha com a venda de lã há 15 anos. Por ano ele chega a vender entre 40 mil e 50 mil quilos de lã bruta para a indústria uruguaia. Além do Rio Grande do Sul ele trabalha com rebanhos na região centro-oeste do país.

Gostou? Compartilhe