Supersafra x quebra de safra

Expectativa 2015: Agricultura

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A agricultura começou o ano bem, com uma das melhores safras de verão já registradas. Mas o clima não ajudou as culturas de inverno e 2015 terminou de forma amarga também para os produtores. Conforme o gerente regional adjunto da Emater/RS, Cláudio Dóro, a safra 2014/2015, em que o milho foi plantado em setembro e a soja em novembro do ano passado e colhidos em fevereiro e março desse ano, foi uma safra muito boa. “Tivemos uma condição climática altamente favorável, os agricultores conduziram a lavoura com muito conhecimento e tecnologia e o resultado foi uma produtividade muito alta”. Na região de Passo Fundo foram plantados, no ano passado, em torno de 520 mil ha de soja. A produtividade média fechou em 3300 kg/ha. De milho foram plantados em torno de 50 mil ha e a produtividade média ficou em 7500 kg/ha. “Uma das melhores médias que nós tivemos nas duas culturas nos últimos anos. Foi uma safra excepcional e deixou um bom lucro”, explicou Dóro. Esses resultados deram condições para o agricultor investir na propriedade, comprar máquinas, equipamentos e aplicação de corretivos. “Grande parte deles reinvestiu na atividade”.

Ao contrário da safra de verão, a colheita das culturas de inverno foi muito fraca. “Um fracasso total”, segundo Dóro. O clima favorável de antes sofreu uma inversão. As chuvas excessivas, acompanhadas de geadas e granizo culminaram em uma produtividade extremamente baixa, prejuízo no bolso dos produtores. De acordo com o gerente da Emater, 100% daqueles que financiaram a lavoura tiveram que acionar o seguro agrícola ou o ProAgro para salvar um pouco do patrimônio e diminuir as perdas. “Nós temos bons preços no mercado, mas não temos produtos de qualidade”.

A principal cultura de inverno do Rio Grande do Sul, na região do Planalto Médio, sofreu uma quebra de 50% em relação à expectativa inicial de colheita. O trigo teve uma área plantada de 55.100 ha, nos 40 municípios da Emater regional. A expectativa de produtividade era 3 mil kg/ha, mas a realidade ficou longe disso. Foram colhidos apenas 1500 kg/ha.  “Foi frustrante”, desabafa Dóro.

A colheita da cevada foi encerrada no início de novembro. Na região de Passo Fundo foram plantados em torno de 16 mil ha e a expectativa inicial era de uma colheita em torno de 3300 kg/ha. O que, como nas outras culturas, não se confirmou. Foram colhidos cerca de 1750 kg/ha, uma redução de 47% na produtividade.

A cultura da canola, encerrada no final de outubro, foi a que mais sofreu danos na região. Foram plantados em torno de 7 mil ha. A previsão de colheita girava em torno de 1500 kg/ha e o fechamento da produtividade ficou em 700 kg/ha. Uma quebra de safra de quase 60%.

2016: Previsão de safra cheia

As culturas que estão implantadas agora, tanto a soja quanto o milho, carregam o compromisso de pagar o prejuízo das culturas de inverno. A previsão de chuvas é boa e, conforme Dóro, as lavouras estão sendo bem desenvolvidas. “De encher os olhos. Uma lavoura que promete”. A previsão de El Niño para o verão é positiva, ao contrário do inverno. “Estamos intercalando dias de sol, calor e chuva e é tudo o que a planta quer no verão. Os agricultores investiram pesado, estão conduzindo as lavouras com capricho, com carinho, boa tecnologia, boa adubação, sementes de alto potencial genético e aplicando os defensivos na hora certa”. A previsão é de ter uma safra positiva, alta tecnologia aliada a um bom clima resulta em safra cheia. “Fechamos o mês de novembro com tristeza, mas no mês de dezembro acendeu a luz da alegria novamente”, disse.

A previsão de plantio das culturas de inverno para o ano que vem não é nada favorável. A área deve ser reduzida, já que em 2014 as lavouras não trouxeram bons resultados, assim como 2015. “São dois anos consecutivos de safras frustradas. Isso vai pesar muito na hora de tomar decisões. A não ser que tenhamos fatos novos, como projeção de clima favorável, preço bom, aí poderá reativar. Mas mesmo assim, hoje, é desalentador. Mas é previsão e na última hora tudo pode mudar”, conclui Dóro.

Nova diretoria

No início de dezembro, os associados do Sindicato Rural de Passo Fundo elegeram a nova diretoria que ficará à frente da entidade entre os anos de 2016 a 2018. Com a votação, o ex-presidente e candidato com chapa única, Jair Dutra Rodrigues, foi eleito para comandar o Sindicato no próximo período. O foco da gestão, em 2016, deve ser no direito à propriedade. De acordo com o presidente eleito, a diretoria vai implementar, junto com os deputados, tanto estaduais, quanto federais, uma política que proteja mais os produtores rurais e suas propriedades. “Falo mais na invasão de índios, que na nossa região é muito grande a incidência, e nós precisamos nos precaver cada vez mais para que isso não ocorra”, explica Rodrigues. Conforme ele, outro trabalho foco para o próximo ano será junto da Brigada Militar, para que o produtor se sinta mais seguro no interior. “Está aumentando muito o número de assaltos às propriedades rurais. Já tivemos conversando algumas vezes com a patrulha rural e precisamos, para 2016, aparelhar melhor a equipe e implementar um trabalho mais seguro em toda a extensão de base do sindicato de Passo Fundo. Precisamos ampliar esse trabalho para que o produtor se sinta um pouco mais seguro”. Além disso, também será feito um trabalho quanto à lei de cultivares, que deve ir à votação em Brasília em 2016. “Nós precisamos proteger o produtor quanto à reserva de sementes, que ele consiga fazer a sua própria semente”, explica Rodrigues.

 

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