Ao término do ciclo de oficinas interdisciplinares inspiradas pelo livro “A Linha Negra”, os participantes do VI Encontro Nacional da Juventude Notre Dame, no entardecer de quinta-feira (08), prestigiaram espetáculo teatral homônimo à obra literária vencedora, em 2015, do Prêmio Jabuti. Apresentada pela Companhia de Teatro do Colégio Notre Dame Ipanema, a adaptação cênica da obra – dirigida por Henrique Kaladan e representada por estudantes e ex-alunos da instituição de ensino – levou ao palco os acontecimentos mais marcantes da narrativa literária.
Bate-papo com o autor, Mario Teixeira
Após a representação, ainda reunidos no auditório do Colégio Notre Dame Passo Fundo, os adolescentes tiveram a oportunidade de ficar frente a frente com o autor do livro, Mario Teixeira.
Durante o bate-papo com os encontristas, o escritor agradeceu, inicialmente, aos organizadores do evento por terem escolhido a sua obra como norteadora das atividades interdisciplinares desenvolvidas no Encontro. Além disso, disse que os estudantes Notre Dame são privilegiados porque têm a chance de vivenciar momentos de partilha de saberes, como os oportunizados no evento nacional, e porque podem debater, de forma aberta, assuntos abordados na narrativa de “A Linha Negra”, como o preconceito racial, de gênero e de opção sexual.
Ainda, em meio aos questionamentos dos jovens, Mario falou sobre a sua carreira literária, seu gosto pela História, suas inspirações e seu interesse por criar personagens que representam pessoas que sofrem alguma discriminação. “A Literatura é a morte do preconceito, é onde todos são iguais. A ‘Força de Paz’ – que é tema deste Encontro – é a tolerância, a liberdade, o respeito ao outro e às diferenças”, comentou.
A inserção das minorias na narrativa foi a característica que mais agradou a estudante do Colégio Notre Dame Passo Fundo, Tainá Fiuza, durante a leitura de “A Linha Negra”. Segundo ela, a presença de negros, mulheres e homossexuais, mesmo que como coadjuvantes, é uma forma de representar toda a sociedade.
Com relação a esse livro, o escritor abordou a estruturação linguística, semântica e cênica da narrativa e explicou que escolheu a Guerra do Paraguai como cenário por curiosidade, para tentar entender o conflito armado e para promover uma reflexão sobre os conflitos internos e de comportamento que os indivíduos criam em suas vidas diariamente. “Quando praticamos bullying, por exemplo, por que nós temos esse comportamento? Por que nos aliamos a alguém para fazer mal a outrem?”, exemplificou.
Para Tainá, a oportunidade de conversar com o autor foi singular. “Muitas vezes, quando lemos um livro, sentimos que o autor e a sua inspiração estão distantes de nós. Então, ter a oportunidade de conversar com o escritor nos aproxima muito, não só da história, mas de todo o contexto em que ela foi escrita”, comentou.
Mario Teixeira explanou, ainda, sobre sua carreira como roteirista e escritor para televisão, respondendo às curiosidades dos encontristas sobre a novela “Liberdade, Liberdade”, seu trabalho mais recente exibido pela Rede Globo.
Noite Marial em homenagem à Nossa Senhora
À noite, os jovens participaram da Noite Marial, o ápice da vivência da espiritualidade que permeia toda a programação do Encontro Nacional da Juventude, uma vez que estimular os adolescentes matriculados nas instituições de ensino Notre Dame a proclamar a bondade de Deus e Seu amor providente é um dos seus objetivos.
A caminhada, que conduziu os mais de 700 estudantes pelas ruas de Passo Fundo até a Catedral Metropolitana, homenageou Nossa Senhora – padroeira que identifica, em francês, a Congregação que mantém as escolas -, e convidou os educandos a refletir sobre o jovem como protagonista da evangelização e da promoção dos valores cristãos, como destacou o vice-diretor do Colégio Notre Dame Aparecida, André Binsfeld. “Maria foi desafiada, assim como os jovens, a dizer seu sim. Da sua coragem nasceu Jesus, o Salvador, e é por isso que, neste momento de espiritualidade, queremos desafiar os nossos jovens a ter coragem de evangelizar e a ser a força de paz que ajudará a construir um mundo melhor”, destacou.
No trajeto, além de entoar cantos de louvor, os encontristas rezaram o Terço Missionário, com o qual foram presenteados ao deixar o Colégio Notre Dame. Confeccionado pelas Irmãs de Notre Dame que prestam serviço na Obra Social Santa Júlia Billiart, localizada em Espumoso (RS), ele é formado por cinco dezenas em cores diferentes, que representam os continentes. Assim, os adolescentes foram convidados a unir-se em oração com os povos do mundo inteiro, como comentou a estudante do Colégio Notre Dame Brasília, Daniela Barbosa.“Rezando e aprendendo sobre o Terço Missionário, eu me sinto em sintonia com todos os povos. É como se formássemos uma corrente, pedindo a paz para o mundo”, afirma.
Além da profunda espiritualidade vivenciada no percurso, no interior da Catedral também foram rezadas orações pela paz, inspiradas nos ensinamentos de Nossa Senhora e conduzidas por cada instituição de ensino presente na sexta edição do Encontro Nacional da Juventude Notre Dame. Desse modo, cada educandário pôde promover e resgatar os valores cristãos, no intuito de que eles façam, cada vez mais, parte do cotidiano dos jovens.



