Mulheres na TI: oportunidades em alta

Mercado de Tecnologia da Informação está aquecido e a participação feminina neste meio cresce a cada ano

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A acadêmica do curso de Engenharia de Computação da UPF, Eduarda Cristina Pissolatto, salienta que as mulheres se destacam e mostram o seu potencial na área de TI (Foto: Arquivo Pessoal)A acadêmica do curso de Engenharia de Computação da UPF, Eduarda Cristina Pissolatto, salienta que as mulheres se destacam e mostram o seu potencial na área de TI (Foto: Arquivo Pessoal)
A acadêmica do curso de Engenharia de Computação da UPF, Eduarda Cristina Pissolatto, salienta que as mulheres se destacam e mostram o seu potencial na área de TI (Foto: Arquivo Pessoal)
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Setores culturalmente e predominantemente ocupados por homens, hoje abrangem cada vez mais mulheres. E isso ocorre também em uma área muito importante para o desenvolvimento da sociedade: a área da Tecnologia da Informação. Apesar de ainda representarem apenas 20% dos profissionais de tecnologia no Brasil, nos últimos cinco anos o crescimento das mulheres na área de TI cresceu 60%, passando de cerca de 28 mil para quase 45 mil em 2019 (Caged).

Há séculos, as mulheres fazem história na área da tecnologia no mundo. O professor do Instituto de Ciências Exatas e Geociências (Iceg/UPF), Dr. Alexandre Lazaretti Zanatta, citou alguns exemplos como a norte-americana Grace Hopper, Radia Perlman e Frances Allen. “A mulher está presente nos grandes feitos da TI. Apenas citei alguns nomes, sem a intenção de esgotar a lista que só cresce”, observa Zanatta.

Na Universidade de Passo Fundo (UPF), professores e coordenadores dos cursos de Ciência da Computação, Engenharia de Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas incentivam as meninas a seguirem carreira na área. “As discussões sobre da igualdade de gênero em TI têm ocupado e recebem merecido destaque em todo o mundo, assim, se faz necessário e é fundamental que todos conheçam e discutam este tema”, enfatiza o professor Zanatta, ressaltando que a igualdade de gênero é um objetivo transversal na agenda 2030 para desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) e isso passa por todas as áreas.

Zanatta destaca que, no Brasil, existem algumas iniciativas que apoiam a participação de mulheres na TI, entre elas, se destacam o blog mulheresnacomputacao.com, o evento Women in Information Technology (WIT) do Congresso da Sociedade Brasileira de Computação (CSBC), idealizado por Claudia Bauzer Medeiros e Karin Breitman, e o Emílias Podcast - Mulheres na Computação.


Setor de TI aquecido

O setor de TI é, atualmente, um dos que mais abrem vagas de trabalho no mundo. Esta necessidade de profissionais que já era crescente antes da pandemia, aumentou ainda mais com o crescimento do comércio eletrônico, a migração para o trabalho remoto e, consequentemente, a adaptação dos sistemas corporativos para a nova realidade. “Há muita escassez de mão de obra na área de tecnologia. Semanalmente, recebemos diversas ofertas de vagas e temos dificuldades em indicar estudantes pois a quase totalidade de nossos alunos, mesmos os de níveis iniciais, já estão empregados. São oportunidades no mercado de trabalho que independem de gênero e que não podem ser ignoradas”, destaca o coordenador do curso de Engenharia de Computação, Me. José Maurício Carré Maciel.

O professor ressalta ainda que a maioria das vagas ainda é ocupada por homens (cerca de 80% dos postos de trabalho), porém a participação feminina vem aumentando. Segundo dados do Caged, houve um aumento de 60% da participação de mulheres no setor nos últimos anos. “A área de TI é excelente para todos, independentemente do gênero”, afirma Maciel.


“É muito inspirador ver mulheres alcançando os seus objetivos e desmistificando a ideia de que a TI é uma área difícil para o sexo feminino”

A acadêmica do sétimo nível do curso de Engenharia de Computação da UPF, Eduarda Cristina Pissolatto, de 20 anos, começou a se interessar pela área no ensino médio, quando teve contato com robótica na escola. Segundo ela, quando ingressou no curso, percebeu o que não era nenhuma novidade na área de TI. “Já era do meu conhecimento que não haviam muitas mulheres na área de TI e, realmente, quando ingressei no curso presenciei essa realidade, assim como atualmente presencio no mercado de trabalho”, comenta Eduarda.

Mas, segundo ela, as mulheres vêm mostrando seu potencial e se destacando na área. “Acredito que as mulheres atualmente mostram o seu potencial na TI, tanto ocupando cargos muito importantes e relevantes em empresas conhecidas, quanto trazendo novas soluções para esta área. É muito inspirador para mim ver mulheres alcançando os seus objetivos e desmistificando a ideia de que a TI é uma área difícil para o sexo feminino”, salienta Eduarda.

A acadêmica destaca que já está dando alguns passos importantes na sua carreira e destaca um dos seus feitos neste último semestre e o incentivo que vem recebendo para evoluir na sua área. Na disciplina de Engenharia de Software, ministrada pelo professor Zanatta, a acadêmica comentou que viu a oportunidade de colocar uma ideia de solução em prática. Ela tem um animal de estimação em casa e desenvolveu um comedouro automático, utilizando os conhecimentos adquiridos até o momento na graduação. Criou um sistema automatizado, o qual por aplicativo, é possível configurar a hora em que o animal de estimação receberá o alimento ao longo do dia. Também é possível verificar o nível do reservatório que armazena o alimento a ser liberado e calcular uma previsão de consumo baseada em dados inseridos pelo usuário. “Foi muito interessante desenvolver esse projeto, adquiri novos conhecimentos e também coloquei em prática aquilo que venho aprendendo na graduação. É gratificante ver uma solução que você desenvolveu ser concluída e utilizada na prática”, enfatiza a acadêmica.

O professor Zanatta ressalta que a disciplina de Engenharia de Software é direcionada para que os estudantes possam resolver problemas reais da sociedade. “Em um ambiente predominantemente masculino, temos incentivado as alunas a se sentirem à vontade para executarem seus trabalhos acadêmicos e a participarem ativamente nas rotinas escolares”, afirma o professor.


Confira exemplos de mulheres importantes na área de TI:

Grace Hopper - doutora em matemática e uma das criadoras de uma linguagem de programação de computadores que serviu como base para o Cobol, utilizada, ainda hoje, por grandes empresas. Ela também auxiliou no desenvolvimento da linguagem de programação para o primeiro computador comercial fabricado nos Estados Unidos, denominado de Univac, e ficou famosa por cunhar o termo “bug”, para indicar problemas em software.


Radia Perlman - considerada a “mãe da internet”, que foi engenheira de redes e projetista de software, responsável pela criação do protocolo STP (Spanning Tree Protocol).


Frances Allen - foi a primeira mulher a ganhar o prestigiado Turing Award, considerado o Nobel da informática. Trabalhou em projetos para a popularização dos computadores pessoais bem como em bases de sistemas de otimização de código e paralelização, permitindo, com isso, que estes softwares pudessem ser executados em computadores com menor processamento.


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