O mês de junho deve apresentar temperaturas mais elevadas do que o habitual para o início do inverno e um retorno gradual das chuvas em Passo Fundo e região. A previsão foi apresentada pelo analista do Laboratório de Meteorologia da Embrapa Trigo, Aldemir Pasinato, durante entrevista à Rádio UPF, no programa Café Expresso.
Segundo ele, os prognósticos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam para temperaturas entre a média e acima da média histórica ao longo do mês. “A tendência é de um mês com temperaturas entre normal e acima da média. Vamos ter alguns períodos de passagem de massa de ar polar, mas não tão intensos quanto os ocorridos em maio”, explicou.
Pasinato destacou que duas invasões de ar frio são esperadas para junho. A primeira deve ocorrer na segunda semana do mês, com intensidade fraca, enquanto outra massa de ar polar, um pouco mais forte, está prevista para o final do período.
“A tendência é que junho seja menos frio que maio. Teremos quedas bruscas de temperatura associadas às frentes frias, mas elas serão mais curtas e não tão longas quanto as registradas no mês passado”, afirmou.
Umidade e retorno das chuvas
Em relação à precipitação, a expectativa é de um mês mais úmido. A média histórica para junho em Passo Fundo é de aproximadamente 158 milímetros de chuva, e a previsão indica volumes dentro ou acima da normalidade.
Conforme Pasinato, a maior frequência de frentes frias deve contribuir para a regularização das precipitações. “A tendência é de mais nebulosidade e de uma volta mais regular da chuva ao longo do mês. Mesmo com temperaturas mais amenas, isso pode aumentar a sensação de frio”, observou.
Os dados meteorológicos mostram que maio encerrou com 119,5 milímetros de chuva, volume equivalente a 78% da média esperada para o período, que era de 153,5 milímetros. O déficit foi de cerca de 34 milímetros.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, foram registrados 591 milímetros de chuva na região, o que representa 79% da média histórica para o período. Em números absolutos, o déficit chega a aproximadamente 161 milímetros.
Influência do El Niño
Outro fator acompanhado pelos meteorologistas é a formação do fenômeno El Niño. De acordo com Pasinato, os modelos climáticos indicam cerca de 60% de probabilidade de ocorrência do fenômeno já em junho, embora seus efeitos ainda sejam limitados neste primeiro momento.
“O El Niño está em formação e será de fraca a moderada intensidade neste início. Em junho, ele não terá tanta influência sobre as chuvas”, explicou.
A expectativa, porém, é de fortalecimento gradual ao longo do segundo semestre. “A partir de agosto e setembro, os prognósticos indicam um El Niño de forte a muito forte intensidade, que deverá influenciar significativamente o clima em toda a Região Sul”, ressaltou.
Segundo o analista, as projeções atuais mantêm a indicação de um evento climático mais intenso entre a primavera e o início do verão, período em que seus efeitos tendem a ser mais perceptíveis sobre as condições meteorológicas da região.


