Incertezas no mercado de trabalho geram demandas no Balcão do Trabalhador

A pandemia trouxe mudanças na legislação, fechamento de vagas e a necessidade de readequação das empresas

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Foto: Carla Vailatti/UPFFoto: Carla Vailatti/UPF
Foto: Carla Vailatti/UPF
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 Tempos difíceis. Essa é a primeira expressão que a coordenadora do Programa de Extensão Balcão do Trabalhador da UPF, professora Dra. Maira Tonial, utiliza para definir o cenário atual. O projeto já ultrapassou a marca de mais de 600 atendimentos em três anos de atuação, somente em Passo Fundo. Somando as atividades realizadas em Soledade e Lagoa Vermelha, esse número chega a quase mil atendimentos. Com os desafios impostos pela pandemia da covid-19, a procura pelo espaço aumentou, destacando ainda mais a importância do Programa. No mês do trabalhador, o grupo promove ações de orientação e leva informações para a comunidade.

Além de realizar o atendimento individual de trabalhadores e trabalhadoras, a equipe também mantém contato com sindicatos, associações e escolas, visando levar orientações sobre regras, leis e procedimentos. Segundo Maira, são quatro os temas que mais chegam ao Balcão: falta de pagamento de verbas rescisórias, consulta sobre horas extras, não recebimento de insalubridade e periculosidade e, por fim, assédio moral e sexual e acidentes de trabalho. Ela pontua que em meio a uma crise econômica, os índices de desemprego se elevaram e as dificuldades, as desigualdades, se tornam ainda mais evidentes.

De acordo com a coordenadora, dados do IBGE, levando em conta o mês de setembro de 2020, demonstram que havia uma população maior que a cidade de São Paulo de desempregados. Além disso, com a pandemia, 20 estados tiveram uma taxa recorde de desemprego, entre eles: Bahia (19,8%), Alagoas (18,6%), Sergipe (18,4%) e Rio de Janeiro (17,4%), enquanto as menores com Santa Catarina (6,1%), Rio Grande do Sul (9,1%) e Paraná (9,4%).

Além disso, ela destaca que, segundo o IBGE, a taxa de desemprego entre os homens, ao final de 2020, era de 11,9% e as taxas de desemprego entre mulheres eram de 16, 4%. Entre pessoas pretas, a taxa foi de 17,2%, já entre os pardos, a taxa foi de 15.8%. Os índices de brancos afetados pelo desemprego ficaram em 11,5%. “Estes dados revelam, acima de tudo, as desigualdades e as dificuldades encontradas no mercado de trabalho em meio à pandemia”, pontua.

 

Mercado em queda e desafios para trabalhadores e empresas

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), base de dados do Governo Federal, aponta que, na pandemia, o Brasil fechou 897 mil vagas de empregos. Maira ressalta que, em decorrência da diminuição das vendas em lojas físicas, o setor de vendedores revelou uma triste marca: cerca de 181 mil vendedores de lojas foram demitidos no período de março a setembro de 2020, sendo a profissão que mais perdeu vagas durante a pandemia. Em 2020, o Brasil também perdeu cerca de 1,4 milhões de postos de trabalho doméstico, segundo o IBGE.

Para Maira, bem como para os acadêmicos que desenvolvem estágios junto ao Balcão, não é possível fechar os olhos às empresas, que também sofreram e ainda sofrem todos os dias em decorrência da pandemia. Eles observam que o Coronavírus impactou todos os setores econômicos, mas afetou especialmente o comércio (39,4%) e serviços (37%), principalmente no caso das pequenas empresas. Ainda segundo o IBGE, 99,8% dos negócios que não voltarão a abrir as portas depois da crise da covid-19 são de pequeno porte. 

Por outro lado, a equipe constatou que a crise pode servir para oportunizar um novo olhar. De acordo com a acadêmica Gabriela Bolzan, foi possível observar alguns aspectos positivos que podem surgir em virtude de tantos desafios. Entre os exemplos já constatados, estão a utilização das redes sociais para a comercialização dos produtos e serviços, que antes eram ofertados presencialmente. “Outro ponto positivo são as descobertas. Muitos empregados que foram demitidos acabaram descobrindo dons, sejam eles culinários, de confecção de roupas, entre outros, e viraram autônomos, dando conta do próprio negócio e conseguindo sustentar a família a partir disso”, relata.

 

Busque novas possibilidades e, em caso de dúvidas, procure o Balcão

Para a professora Maira, o momento sugere a reinvenção. Seja pela busca de novas alternativas e pela mudança de processos e formas, a pandemia tem exigido de empresas e de trabalhadores a flexibilidade. Neste universo novo, a equipe do Balcão atua como uma ferramenta para que as leis sejam respeitadas, orientando tanto profissionais quanto empreendedores a encontrar saídas sem encontrar empecilhos legais.

O Programa Balcão do Consumidor está à disposição para quem deseja solicitar a prestação de serviços. O contato pode ser feito pelo e-mail balcaodotrabalhador@upf.br e pelos perfis nas redes sociais no Facebook e no Instagram. Nas redes também é possível acompanhar a programação de encontros e eventos on-line realizados pela equipe.

Em Passo Fundo, o Balcão está localizado no Campus III da UPF, e em Lagoa Vermelha e Soledade, junto aos campi da Instituição de cada município.

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