Estudo sobre a diáspora científica Brasil - Portugal em livro

Trabalho coordenado pela passo-fundense Andrea Oltramari será lançado na Embaixada Brasileira em Portugal

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Livro tem apoio do Itamaraty através do Programa Diplomacia da Inovação -   Reprodução – Arquivo pessoalLivro tem apoio do Itamaraty através do Programa Diplomacia da Inovação -   Reprodução – Arquivo pessoal
Livro tem apoio do Itamaraty através do Programa Diplomacia da Inovação - Reprodução – Arquivo pessoal
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A passo-fundense Andrea Oltramari é graduada em Administração, onde segue estudos acadêmicos junto à Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na ampliação de conhecimentos, já na fase de seu pós-doutorado, embarcou na viagem dos brasileiros que estudam e/ou trabalham em Portugal. A caravela em questão, tem foco na diáspora científica. Mais que um simples trabalho estatístico, a pesquisa abriu o leque para as condições psicológicas. Se, ao primeiro olhar, o Brasil está perdendo o conhecimento daqueles que foram, há, também, um retorno direto ou indireto através do intercâmbio científico. A caravela do terceiro milênio está conectada, ligando duas pontas de conhecimento.

Itamaraty

Andrea esteve em Portugal em 2022, quando a pesquisa “Mapeamento da Diáspora Científica Brasileira em Portugal” chegou à Embaixada Brasileira em Lisboa. Logo, através do Itamaraty, o projeto ingressou no PDI – Programa Diplomacia da Inovação. A importante conquista permitiu que o trabalho fosse transformado em livro. O lançamento será na próxima terça-feira, 28, na Embaixada do Brasil. “Além da UFRGS, contamos com o apoio da Universidade de Lisboa”, explica Andrea. A amplitude no desenho desse mapa conta com uma equipe de pesquisadores: Aline Chima Komino (UFES), Filipe Souza (UFRGS), Daniel Abs (USP), Mariana Martins (UFRGS), Artur Boroski (UFRGS), Lucas Chagas (UFRGS), Débora Costa (Universidade de Coimbra), Greiceane Vieira (UFRGS).

Poucos retornam

Além do fluxo de brasileiros, há um olhar especial sobre suas condições psicológicas do embarque ao desembarque na caravela da diáspora. Uns ficam, outros voltam. “Há um mapeamento sobre a saúde mental. É grande o desejo de não retorno fisicamente, pois Portugal é uma porta de entrada para os brasileiros na Europa, a busca da cidadania. O retorno ocorre mais pelo conhecimento, trabalhos científicos com universidades brasileiras ou online, mas não fisicamente”. Sobre as atividades dos brasileiros em terras portuguesas, Andrea Oltramari destaca “startups de tecnologia, investimento em carreiras de saúde, administração e outras áreas. Quanto mais rápida for a equivalência do diploma (burocracia), mais rápida será a inserção no mercado de trabalho”.

A psique humana

O fluxo é de pessoas. Então, ainda temos a travessia da psique humana. Uma nova área do conhecimento dá suporte ao trabalho de Andrea, através de um grupo de psicanalistas e pesquisadores na área: Francisco Carlos dos Santos Filho (coordenador da publicação), Doris dos Santos, Luciana Oltramari Cezar, Claudia Concolatto e Tatiana Gassen Rodrigues. O suporte veio através de pesquisas e entrevistas, conforme explica Luciana Oltramari Cezar. “O objetivo inicial era saber porque saíram do Brasil, o que buscavam, a situação financeira e a relação com o mercado de trabalho”. Muito além desse perfil, a turma da psicologia também delineou como se sentem em solo distante. “Uma análise qualitativa específica sobre a saúde mental. Uma linha de relação com o estrangeirismo, como o ser humano lida com aquilo que é estranho ou diferente, além de preconceitos linguísticos”. Para Luciana, o resultado desse trabalho é para auxiliar quem está ou quer entrar nessa travessia entre continentes.

Conhecimento conectado

Ao pensar na migração de brasileiros com boa qualificação científica para Portugal, inicialmente, até surge a ideia de uma espécie de fuga de cérebros. A pesquisa mostra que não é bem assim. Muitos ficam por lá, outros retornam trazendo mais conhecimentos. Luciana explica que “há uma relação de troca, trabalham online com o Brasil e mandam de volta o conhecimento adquirido nos dois países”. Andrea complementa dizendo que “apesar da vontade de não voltar fisicamente, muitos mantêm o vínculo com instituições brasileiras”. Elas e quase toda a equipe, já estão em Portugal em preparação ao lançamento de terça-feira.

 

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