Com a área cultivada praticamente estável nos últimos três anos, a safra de canola entra em um período crítico do desenvolvimento. O mês de setembro é determinante para o sucesso da produção. O bom padrão das lavouras apresentado até agora poderá representar um bom resultado, caso não ocorram condições climáticas adversas no decorrer deste mês. A análise é do engenheiro agrônomo da Emater Regional de Passo Fundo Cláudio Dóro.
Dóro explica que o aumento ou diminuição da área cultivada com a oleaginosa de inverno no próximo ano dependerá do resultado obtido agora. Os produtores costumam observar os rendimentos dos anos anteriores na hora de planejar a lavoura. Por isso, o bom andamento desta safra é fundamental para que a área cultivada possa aumentar em 2017. Em todo o Estado estão sendo cultivados cerca de 38 mil hectares de canola, dos quais 8,3mil estão na região norte.
Soja de inverno
Considerada a soja de inverno, a canola é vendida pelo mesmo preço da oleaginosa de verão, com uma bonificação, de uma ou duas sacas com relação ao preço da soja, conforme observa Dóro. Para o próximo ano tudo deve depender do sucesso ou fracasso desse ano. “Para se ter boa produção, não é só o produtor fazer bem o tema de casa aplicando boa tecnologia e monitoramento. Ele tem que ter como aliado uma condição climática favorável. E essa condição passa por não ter excesso de chuva na colheita, e nem chuvas de pedra e geada agora no mês de setembro. Se tudo ocorrer deveremos ter uma safra boa”, pontua o engenheiro agrônomo.
Ótima opção
A canola é considerada uma ótima opção de cultura inverno, quando muitos produtores, que relutam em plantar trigo e às vezes têm prejuízo, veem na cultura uma alternativa econômica. Apesar disso, observou-se que nos últimos três anos há uma estabilização da área da oleaginosa. Conforme Dóro isso se deve à instabilidade da produção. “É uma cultura com bom potencial, mas que enfrenta fatores climáticos, assim como as outras culturas, adversos aqui. No ano passado tivemos excesso de chuva na colheita o que causou uma perda muito grande por debulha”, exemplifica.
Potencial produtivo
Essas condições são o principal empecilho para o aumento da área. Com potencial produtivo que pode alcançar entre 30 e 40 sacas por hectare, a região tem média de produtividade em torno de 20 a 22 sacas por hectare, devido aos problemas climáticos. Com exceção desse fator, a canola conta com crédito rural, seguro agrícola, zoneamento agroclimático, linhas de crédito e mercado comprador. “Ela tem toda infraestrutura das outras grandes culturas, mas não tem ampliado pela baixa produtividade advinda de um fator climático ruim que tivemos no inverno nos últimos anos. Diante dessa situação o produtor não arrisca muito”, completa.
Uma das dificuldades também é a aquisição de sementes que é híbrida e importada da Argentina. A falta de materiais mais produtivos também contribui para que a cultura não ocupe maiores áreas que acabam ficando ociosas no inverno.
Cultura exigente
A canola é uma cultura muito exigente em qualidade de solo e isso influencia diretamente na produtividade. “Se você quiser mapear na lavoura quais as partes boas e ruins de solo, plante canola que você poderá mapear. Ela é exigente em fertilidade, solo profundo, não pode ter encharcamento, tem que ter uma boa aeração, boa insolação, não pode ser plantada em encosta de mato ou em solo raso”, pondera Dóro. Por isso, é uma cultura que necessita de acompanhamento técnico qualificado de alguém que realmente conheça as necessidades da planta.
Mercado
A produção de canola começou a ser estimulada na região pela BSBios com a distribuição de sementes e oferecimento de assistência técnica aos produtores, além da garantia de compra da produção. Hoje, além da produtora de biodiesel, que é responsável por cerca de 80% da canola produzida na região, outras empresas já atuam no fomento à cultura. A Oleoplan e a Agrícola Ferrari estão entre as empresas que desenvolvem parceria com os produtores oferecendo garantia de compra.


