OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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O mundo foi pego de surpresa com a renúncia do Primeiro Ministro japonês, Shinzo Abe, por motivos de saúde. Em que pese algumas críticas internas à condução de Abe, em relação ao coronavírus, o premiê possuía relativa popularidade e acentuado pragmatismo na política externa. Abe também ficou conhecido pelo programa econômico das “três flechas”: política de harmonização financeira, estímulo fiscal e reformas estruturais. Denominado mundialmente como “abenomics”. Por ser o Japão uma das principais potências econômicas mundiais, o seu futuro Primeiro Ministro possui alguns desafios significativos. Além de uma agenda de recuperação econômica, algumas questões geopolíticas deverão ser enfrentadas. A escolha do Premiê dar-se-á no dia 14 de setembro. O candidato favorito é o atual porta-voz do Japão, Yoshihide Suga, da mesma agremiação política de Abe, o Partido Liberal Democrata, de orientação nacionalista. Suga apresentou a sua candidatura esta semana.


A reforma constitucional 


Abe era um ávido defensor da reforma constitucional do Japão, detidamente em seu artigo nono. A Constituição vigente foi redigida no Pós Segunda Guerra Mundial. Como potência vencida, o Japão comprometeu-se no referido artigo com a não declaração de guerra futura (renúncia à guerra) e com a adoção de forças armadas não ofensivas, mas de “autodefesa”. O artigo é claro na sua redação: “Aspirando sinceramente à paz mundial baseada na justiça e ordem, o povo japonês renuncia para sempre o uso da guerra como direito soberano da nação ou a ameaça e uso da força como meio de se resolver disputas internacionais”. Ocorre que, da Segunda Guerra Mundial ao presente, a conjuntura internacional mudou significativamente.


China e Coréia do Norte 


Beijing representa um desafio geopolítico ao Japão, mais especificamente no domínio das Ilhas Senkaku, localizadas no Mar da China Oriental, porção marítima de relevo internacional, devido ao trânsito intenso de mercadorias. As ilhas possuem uma potencial reserva de petróleo. A soberania sobre as mesmas é japonesa, historicamente. A China já invadiu o mar territorial japonês nas Ilhas Senkaku, violando, portanto, a sua soberania. Não bastasse esse imbróglio geopolítico, a Coréia do Norte e seus repetidos testes nucleares representam outra dor de cabeça aos japoneses. Lembrando que a Coréia do Norte já conseguiu inclusive enviar projéteis ao mar do Japão. Nesse contexto, é que o debate nacional no país, pela reforma constitucional, torna-se cada vez mais relevante e necessário.


Brasil 


O Japão é o oitavo destino das exportações brasileiras. Tomam destaque as carnes de aves e suas miudezas, o minério de ferro, a soja e o milho. A importação brasileira resume-se principalmente nos produtos da indústria da transformação. O possível acordo entre o Mercosul e o Japão ainda resta uma incógnita, uma vez que estava prevista a visita de Shinzo Abe em novembro, no Brasil, para dar andamento ao acordo. A questão dependerá da articulação do futuro Primeiro Ministro.  

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