OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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No momento em que essa coluna é fechada (às 17h10min de 05/11/20), o cenário eleitoral americano ainda resta indefinido. A apuração segue em poucos Estados. Biden quase soma os 270 votos dos delegados eleitorais, bastando os seis votos do colégio eleitoral do Estado de Nevada. Enquanto isso, Trump lidera na Carolina do Norte, Geórgia (com 1% de diferença) e Pensilvânia, precisando ainda de uma virada em Nevada, onde restam muitas urnas para apuração. Ao mesmo tempo, o pequeno Alaska, que possui três votos, mantem Trump na liderança, mas com apenas 50% das urnas apuradas. Uma questão relevante, se não definidora, são os votos enviados por correspondência, que atingiram recordes históricos, com grande participação dos eleitores democratas. Esses votos se somam às urnas. Cada Estado americano possui regras próprias na contagem dos votos, o que gera um cenário complexo na apuração. Não bastasse isso, Trump e sua equipe já começam a judicializar as eleições em alguns Estados, solicitando a paralisação da contagem e até mesmo investigações de possíveis fraudes. Acrescenta-se nesse cenário, uma população literalmente dividida, onde os riscos são visíveis.

 

Senado, Câmara e os desafios 

A eleição é ampla e para além da escolha do novo Presidente, também está em decisão o futuro das 435 cadeiras da Câmara dos Deputados e de 1/3 do Senado. Até o momento, enquanto os republicanos lideram com dois assentos no Senado, os democratas por seu turno, estão 18 cadeiras à frente dos republicanos. Se Biden for o vencedor, terá o desafio de governar uma nação dividida e, provavelmente, com um Senado republicano, tendo de lidar também com as possíveis tentativas de Trump em invalidar o processo eleitoral, com a judicialização do mesmo. Levando em conta, ainda, o gradativo retorno de uma segunda onda de Covid-19 nos EUA, Biden teria muitos desafios.

 

Brasil 

Nosso país possui uma relação histórica com os EUA, não sendo a mudança de um Presidente motivo de revés às relações. Todavia, no caso da vitória de Biden, algumas questões teriam tratamento diferenciado: 1) uma visão distinta da Amazônia e uma pressão sobre o Brasil em relação ao meio ambiente; 2) a mudança de Embaixador, que implicaria uma mudança diplomática por parte do Brasil; 3) uma revisão na defesa do pleito brasileiro à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE); e 4) uma rediscussão do possível Acordo de Livre Comércio entre os países.

 

Rio Grande do Sul 

Se no Brasil algumas questões diplomáticas tomariam relevo, uma possível mudança de Presidente nos EUA não traria qualquer impacto significativo ao RS. Neste ano, o Estado destinou cerca de 8,3% de suas exportações aos EUA (janeiro a outubro), sendo o segundo maior parceiro comercial, atrás da China, que levam 34% de nossas vendas. As cadeias produtivas que mais se destacam em nossas vendas aos EUA são: 1) armas; 2) tabaco; 3) calçados; seguidos pela indústria moveleira, de couros, do arroz e dos polímeros. Entre os Estados brasileiros, o RS está em 7º lugar no ranking de exportações. 

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