OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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Biden, aparentemente, conseguiu retirar as tropas americanas antes do prazo limite, dia 31 de agosto. A retirada catastrófica não é garantia de que a guerra contra o terror tenha terminado. Na verdade, a forma com que os EUA conduziram a retirada aumenta, consideravelmente, o risco geopolítico de uma nova emergência do terrorismo, a partir de células como a do Estado Islâmico K, que já havia cometido atentados durante a retirada das tropas americanas. A doutrina internacional sempre foi clara em relação às guerras, em três sentidos: I) há uma forma de se entrar em uma guerra e para que ela seja justa são necessários no mínimo três regras: uma causa justa, um reta intenção e que seja declarada por alguém investido de soberania; II) há uma forma de se conduzir uma guerra, ou seja, regras que devem ser observadas em relação as partes que não sejam beligerantes, como os civis, por exemplo; e III) há uma forma de se encerrar uma guerra, processo que envolve prudência, cálculo dos riscos geopolíticos envolvidos, o risco humanitário decorrente etc. A maneira de se retirar de uma guerra é muito mais complicada do que a de se entrar em uma. Uma vez que um país se retira de uma guerra, ele não tem mais controle sobre o que acontece. Essa falta de controle somada com uma retirada impensada são ingredientes perfeitos para uma combustão geopolítica. A aposta de Biden pode ter sido bem recebida em seu eleitorado, mas a verdade é que Biden entrega ao Ocidente riscos geopolíticos consideráveis, entre eles uma nova escalada do terror.

 

Insurgências 

O primeiro sinal veio com o atentado do Estado Islâmico-K ainda na retirada das tropas americanas. A letra K advém de Khorasan, que é uma região histórica compartilhada entre o Irã, Afeganistão e Paquistão. O grupo terrorista é o braço do Estado Islâmico no Afeganistão e tem arregimentado muitos jovens em suas fileiras. O Pentágono estima que, atualmente, o grupo tenha cerca de 5 mil membros. Será um desafio grande não só aos EUA, mas também aos países europeus. A promessa de Biden em relação ao grupo terrorista foi a de que não esqueceria o atentado perpetrado contra os americanos no Afeganistão, janela que foi possibilitada pela própria decisão caótica do presidente. Assim, ao tentar carregar o simbolismo de que a guerra contra o terror tenha, supostamente, acabado com a retirada das tropas americanas, na verdade, ampliou ainda mais o desafio contra a emergência do terrorismo, a partir de células como a do Isis-K.

 

Arsenal 

A decisão catastrófica de Biden ainda carrega outro elemento muito importante, aquilo que foi abandonado em termos de armamentos dos quais o Talibã se apoderou. Cabe lembrar ainda que a intervenção americana no Afeganistão durou cerca de 20 anos, tempo suficiente para se criar um arsenal importante em apoio ao governo anterior. Só no último trimestre, os EUA injetaram cerca de 212 milhões de dólares em equipamentos. Já entre 2002 e 2017 a estimativa é de que os EUA tenham investido na ordem de 28 bilhões de dólares, em defesa. O grupo terrorista Talibã comemora todo o aparato deixado por Biden, entre armas, munições, veículos militares, helicópteros etc. 



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