Desde a invasão dos terroristas do Hamas em Israel, já se sabia que mais uma guerra por procuração (na qual um Estado utiliza mecanismos indiretos para atacar outro) surgia a partir de iniciativas iranianas em distintas frentes. Enquanto esta coluna é elaborada, há uma forte tensão no ar, envolvendo o programa nuclear do Irã e a indisposição de seus líderes em chegarem a um meio-termo para um acordo. A Agência Internacional de Energia Atômica emitiu nota sobre a frontal violação iraniana quanto às suas obrigações de não proliferação. A nota veio ao mesmo tempo em que o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, demonstrava a sua preocupação, e Washington ordenava a retirada de seus funcionários e familiares na região do Golfo, muito provavelmente por um iminente ataque israelense às instalações nucleares do Irã. A nota da Agência é um sinal importante, uma vez que ela nunca havia emitido alerta dessa forma nos últimos anos. Desde o primeiro mandato de Trump, buscava-se um acordo para que o programa nuclear cessasse, em diversas rodadas de negociação frustradas.
Dobrando a aposta
Mesmo neste cenário de tensão e fracasso nas negociações, o regime iraniano resolveu anunciar uma nova instalação nuclear em seu território, acendendo um alerta vermelho em Israel, na região e na geopolítica global. Trump chegou a tentar uma negociação recente, na qual sanções econômicas seriam retiradas contra o regime, desde que houvesse comprometimento em desativar o projeto de uma arma nuclear, possibilitando que o Irã retomasse sua inserção na economia internacional do petróleo. Israel está desconfortável com a tentativa diplomática de Trump. O regime resolveu dobrar a aposta, em um cenário no qual seus braços (proxies), como Hamas, Houthis e Hezbollah, estão enfraquecendo devido aos ataques aéreos. Parece ter sobrado ao regime iraniano, unicamente, a ameaça nuclear, escalando os conflitos no Oriente Médio consideravelmente, em um jogo cada vez mais perigoso.
Israel
Quando os terroristas do Hamas invadiram Israel, os movimentos apontaram o envolvimento do Irã, que praticamente declarou guerra contra o país, reforçando sua ideia de se tornar uma potência dominante no contexto do Oriente Médio, ainda mais a partir do seu programa nuclear, que praticamente já conduz o regime à possessão de armas nucleares, o que representa um risco considerável. Nesse sentido, levando em conta a nota da Agência Internacional, os movimentos de Washington no Golfo (retirada de funcionários não essenciais das embaixadas e bases militares), tudo leva a indicar uma possível ação militar em curso para debelar as instalações de enriquecimento de urânio no solo do regime iraniano, liderada por Israel (possivelmente de forma unilateral). A grande questão é se realmente os EUA apoiariam uma ação militar no Irã. Ao que tudo indica, a paciência de Trump teria se esgotado, mas não há qualquer garantia de envolvimento direto de Washington em uma possível escalada. Se isso de fato ocorrer, poderá representar uma ruptura relevante na relação histórica. Neste momento, Washington faz cálculos cuidadosos, enquanto evacua o seu pessoal na região do Golfo.

