Stalin Passos
Na primeira vez que pisei nas areias de Itapema, em 1980, já ouvi falar em Stalin Passos. Um nome que ecoava das pedras do Canto da Praia até a foz do Rio Perequê. Na minha imaginação inicial, seria uma caricatura moderna do velho coronelismo, pois era personagem cultuado, enaltecido e muito respeitado. A família Passos detinha as mais cobiçadas áreas da praia e comandava a economia da cidade, inclusive com o icônico Hotel Village. Se Itapema é destino predileto dos passo-fundenses, as pontes de pedra lá criadas por Stalin são referenciais em nossa memória.
Nos anos 1990, soube mais sobre a principal personalidade daquele recorte côncavo do litoral catarinense. No balcão do El Gringo, além das delícias grelhadas do Ernesto, encontrei seus filhos Felipe e Tatiana, junto com o colega Escobar e a recém-nascida Vica. Stalin era procurador do município, mas apitava mais que o prefeito. Depois, em 2001, quando para Itapema fui de mala e cuia, finalmente conheci ao vivo e a cores o famoso Stalin Passos. Advogado conceituado no sul do país, na parede de seu escritório ostentava uma coleção com diplomas de cursos superiores. Indiscutivelmente, um inquieto sujeito brilhante e visionário. Se em Curitiba fora professor, em Itapema fez escola e criou lideranças empresariais e políticas. De todos os naipes!
Agora, não mais entre nós, Stalin virou livro assinado pela sua filha, a querida e talentosa Tatiana Passos, que também é jornalista. Tati, sempre ligada, enviou-me um exemplar. Belo trabalho e, dentre outros, traz o magnífico depoimento do amigo comum Higino Oltramari, o cara que criou a famosa TG (inusitado emolumento). Com seu humor certeiro e despretensioso, ele diz que Itapema é “Stalinópolis” em alusão à força política e extensão das terras de Stalin. Concordo, parceiro – e até sugiro um plebiscito. Muitíssimo obrigado pela lembrança, Tati. Página por página, estou devorando com moderação. Abraços e beijos aos incontáveis amigos com os pés nas areias de Itapema. Ou melhor, de Stalinópolis!
Alberto Pasqualini I
Na semana passada, atendi ao convite da querida professora Viviane e participei de um agradável bate-papo com os alunos da Escola Estadual Alberto Pasqualini. Por se tratar de uma escola pública, confesso, a emoção foi grande. Estudei em escolas públicas, que, há época, ainda respiravam o fortalecimento da educação feito por Leonel Brizola. Naquela época, com a Campanha de Educação de Emergência (1959/63), foram construídas mais de 6.000 escolas e contratados mais de 42 mil professores. A interatividade com o pessoal do ensino médio rolou naturalmente. Agora, os alunos estão alinhavando o lançamento de um jornal da escola.
Alberto Pasqualini II
Um papo com o pessoal mais novo sempre refresca meus neurônios. O bonito é observar que uma geração cercada de tecnologia não perdeu a base. Sim, estão antenados às mudanças mantendo a curiosidade em relação ao que vem por aí. São jovens preocupados com fake News, inteligência artificial e suas consequências. E, nesse gancho, nada mais oportuno do que lembrar a obra do patrono da escola. Sim, deputado e senador, Alberto Pasqualini foi o intelectual do trabalhismo. Pregava a justiça social, progresso econômico com a valorização do trabalho. E, como a boa educação faz parte dessa filosofia, o estabelecimento faz jus ao nome de Pasqualini.
Alto-falantes
Se os famigerados alto-falantes agridem os ouvidos de quem passa na calçada, imagino o sofrimento daqueles que permanecem no local. Sim, os funcionários do próprio estabelecimento infrator e, ainda, das lojas vizinhas. Pressuponho que a poluição sonora tenha consequências físicas e psicológicas. Além de prejudicar a audição, agride o sistema nervoso e, acredito, pode até mesmo atacar o sistema cardíaco. Além da indispensável fiscalização ambiental, vejo, ainda, a necessidade de uma fiscalização do Ministério Público do Trabalho. Uma de suas atribuições é garantir o meio ambiente de trabalho adequado. Ou seja, a fiscalização também combate a falta de educação.
Centenário
Já se foram 118 dias após o Centenário de O Nacional. Um tempinho suficiente para avaliar estranhezas como, por exemplo, num ano ser enaltecido e no outro esquecido. Pequenez não é só em tamanho, pois também mede a dignidade. Ou ambos!
Pastelaria
O fedor da pastelaria aqui embaixo sobe e passa pelo meu apartamento. Assim, sinto-me como um filtro descartável dentro de um aparelho Suggar.
Trilha sonora
Love Unlimited - I'm So Glad That I'm a Woman


