Faltou um chazinho
Enquanto o mundo é uma bola recheada de desigualdades, a vida está repleta de proporcionalidades, através do equilíbrio traçado entre o passado e o presente. É a proporcionalidade que justifica tudo ou quase tudo que encontramos pela frente. Há sempre um começo determinante. E essa origem é a própria apresentação daquilo que contemplamos. Um vinho, por exemplo, resulta de seu terroir. O prefácio dos livros antecipa o que é a obra.
Já as pessoas carregam uma estirpe, quase um carimbo tatuado na origem. E, da origem à conduta no presente, encontramos a proporcionalidade. Sim, porque tudo na vida torna-se equivalente à base. A linha da proporcionalidade parte do chazinho recebido no berço. Isso pode significar uma boa ou uma péssima preparação para a vida. O chá, não importa o custo das folhas, será a energia para a conduta no futuro. O chá, que como metáfora não esfria, assume a condição de um gesto. E os gestos são as digitais que carregamos de berço.
Então, hoje, sinto que os gestos finos, generosos e da mais básica educação evaporaram. Cavalheirismo, então, nem se fala mais. Etiqueta e decoro mofam cercados pela mais explícita grossura comportamental. E, o mais grave, há quem propague a grossura como um valor de orgulho. Acabaram as boas maneiras à mesa. Evaporou a conduta cortês nas ruas e calçadas. A finesse foi engrossada com serragem e pedra britada.
Hoje, ao que me parece, a conduta mal-educada já é reverenciada. A arte é pisoteada pelo trote da manada. Desviaram o olhar do berço e o chazinho não molha mais beiços sedentos. A educação abrangedora é vista como ameaça. Enfim, em outra proporcionalidade, a sociedade deteriora-se. E, obviamente, tudo começa na origem.
Chopp da Brahma
Desde que conheço Passo Fundo, a cidade sempre esteve ligada ao nome Brahma. Obviamente, o forte vínculo veio da existência da unidade da Cervejaria Brahma. Lá pelos anos 1970, passar por Passo Fundo exigia uma paradinha na Cantina do Gageiro. A desculpa seria o bolinho de bacalhau, mas o motivo, de fato, era o delicioso Chopp da Brahma. Preferência ou hábito, aqui em Passo Fundo chope tem que ser da Brahma. E não faltam fanáticos apreciadores do cremoso chopinho da Brahma. Um deles é o amigo Renato Schaan Ferreira. Mas, pudera, é neto do saudoso Roberto Schaan que, por décadas, comandou a fábrica da Brahma. Falando nisso, bem que poderiam iluminar novamente a icônica chaminé da Brahma. Sem luz, parece chope sem colarinho: fica triste.
Avenida das Carretas
A Avenida Brasil poderia receber o título de Avenida das Carretas. Em seu percurso, passaram as carretas de boi que trouxeram as pedras para erguer a cidade. Nos últimos anos, por culpa também do GPS, virou trecho da rodovia Transbrasiliana. É por onde transitam enormes carretas com sete ou até nove eixos. Agora, a novidade é uma carreta colorida carregando crianças para um passeio pela Avenida Brasil. E, como barulho pouco é bobagem, já fazia o mesmo percurso um ônibus cheio de luzes e muito som. Agora, a barulheira é em dose dupla. Dia e noite! Espero que todos os requisitos de segurança para o transporte de crianças sejam cumpridos.
Sem desconfiômetro
Tempos de piá, na hora do futebol sempre tinha alguém que se escalava no time. Eram aqueles intrometidos, não seriam nem da mesma turma, mas insistiam em jogar. Geralmente, uns piás chatos e metidos. Logo eram alertados por alguém que lhes perguntava se não tinham desconfiômetro? O tempo passou, aqueles que se auto escalavam para jogar continuaram desprovidos de desconfiômetro. Adultos, se convidam e até forçam a barra para entrar na festa. São aqueles que, literalmente, não cresceram.
Centenário
Cem anos e 146 dias exige, no mínimo, muito respeito. É inadmissível alguém “não lembrar” de O Nacional.
Pastelaria
Já que a turma pergunta, eu respondo. Sim, continua o fedor da pastelaria aqui embaixo.
Trilha sonora
Fausto Papetti - The Windmills of Your Mind

