Uma revolução progressista
Como vimos anteriormente, a Revolução Cubana de 1959 teve causas concretas. Não foi uma conspiração comunista manipulada pela União Soviética. Fidel Castro, seu líder máximo, não era comunista no início da revolução. Ele denunciava e combatia a ditadura, a corrupção, a pobreza e a extrema — e injusta — desigualdade em seu país. Fidel só assumiu publicamente o ideário comunista em 1961, após a vitória revolucionária, entre 1960 e 1961, no contexto da Guerra Fria.
O conflito com os Estados Unidos
Após a queda de Fulgêncio Batista, os Estados Unidos inicialmente reconheceram o governo de Fidel Castro. Porém, as relações se deterioraram rapidamente. As reformas revolucionárias — sobretudo a Reforma Agrária e a nacionalização de empresas americanas — aceleraram o rompimento. Em resposta, os EUA cortaram a importação de açúcar, congelaram ativos cubanos e iniciaram o embargo. A hostilidade culminou em 1961, quando exilados cubanos anticastristas, organizados e treinados pela CIA e com apoio logístico das Forças Armadas dos Estados Unidos, invadiram a Baía dos Porcos, na costa sul de Cuba.
O alinhamento com a União Soviética
O conflito com os EUA e a necessidade de apoio econômico e militar levaram Cuba a se alinhar à União Soviética. Moscou inicialmente desconfiava de Fidel e do movimento revolucionário, mas acabou transformando Cuba em seu principal aliado no hemisfério ocidental. Durante toda a Guerra Fria, a URSS sustentou o regime cubano com créditos, compra de açúcar e fornecimento de petróleo.
O passado é o laboratório do historiador
O regime comunista cubano enfrenta dificuldades para sobreviver. Costumo dizer que, para o historiador, o passado funciona como laboratório: é nele que observamos padrões. E a experiência histórica mostra que nenhum regime comunista de modelo soviético se manteve. O sistema ruiu na Rússia e em todo o Leste Europeu. Países ainda governados por partidos comunistas, como China e Vietnã, abandonaram a economia soviética e adotaram mecanismos de mercado, permitindo ampla iniciativa privada — com resultados sociais e econômicos admiráveis.
Cuba: o colapso de uma utopia
Sem combustível, água potável, eletricidade e com escassez de alimentos e medicamentos, Cuba desmorona diante do mundo. Do projeto dos irmãos Castro restam miséria econômica, social e humana. Nenhuma conquista eventual justifica seis décadas de ditadura marcada por repressão, silêncio imposto e prisão de dissidentes. Para muitos da minha geração, Cuba simbolizou a rebeldia heroica de jovens que lutavam na Sierra Maestra contra a tirania e prometiam um futuro novo. Era a imagem de Davi enfrentando o Golias americano e desafiando as ditaduras e repúblicas corruptas da época. Hoje, esse sonho utópico se desfaz.
A lição da experiência cubana
Theodore Dalrymple, escritor britânico, observa que os danos causados pelo regime de Fidel Castro serão duradouros e persistirão muito depois de seu fim. A reconstrução de Havana exigirá bilhões em investimentos, além de enfrentar disputas legais complexas sobre propriedade e moradia. Reequilibrar interesses comerciais, sociais e estéticos demandará grande sabedoria. Enquanto o regime não cai, a experiência cubana permanece como um alerta contundente contra os riscos de ideologias equivocadas e de líderes que acreditam possuir teorias capazes de moldar o futuro e “salvar” o mundo.


