Trio se entrega após fazer idosos reféns em Alto Alegre

Negociação com Polícia Civil durou mais de três horas

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Três indivíduos foram presos no final da manhã desta segunda-feira (4) após fazerem um casal de idosos reféns em uma propriedade no interior de Alto Alegre. Um quarto membro do grupo já havia se entregado pela manhã depois de assaltar um posto de combustíveis de Ibirubá e outro fugiu. A negociação da Polícia Civil com os assaltantes para entrega dos reféns foi transmitida ao vivo pelas redes sociais, a pedido do trio, e durou mais de três horas. O Soldado Pedro, comandante do grupamento de Alto Alegre, foi baleado no braço durante confronto, mas não corre risco de vida.

 

Assalto


Segundo a Brigada Militar, pelo menos cinco pessoas haviam assaltado um posto de combustível em Ibirubá na manhã de segunda-feira. Na fuga, houve troca de tiros com a Brigada Militar e um policial foi atingido no braço. Outro assaltante também foi ferido e se entregou ainda pela manhã, recebendo atendimento.


Dos quatro que seguiram, um fugiu e um trio fez um casal de idosos reféns,em uma propriedade no interior de Alto Alegre.


Só depois de três horas é que o trio se entregou e libertou os reféns. O casal de idosos não estava ferido.


Negociação


Toda a negociação precisou ser filmada pelo repórter Jonatan Palla, do portal Clic Espumoso, a pedido dos assaltantes. A filmagem foi solicitada como garantia de que não haveria violência e que a integridade física de todos seria resguardada. Ela foi conduzida pelos delegados Marcos Vinícius e Diná Aroldi e pelo Tenente da Brigada Militar Aldair Mendes de Moraes. Diná é que manteve contato ao telefone com um dos assaltantes que estava dentro da casa.


Só após cerca de três horas de negociação é que os três indivíduos da casa começaram a deixá-la. O primeiro saiu desarmado, o segundo, armado e com um dos reféns (mas jogou a arma, uma pistola calibre .380, fora) e o terceiro saiu com a segunda refém.


“Eles acharam que seriam mortos pela polícia”, apontou o delegado Marcos Vinicius. “Mas garantimos a segurança deles (...) A responsabilidade era muito grande porque nenhuma vida poderia ser perdida e, graças a Deus, a gente conseguiu finalizar essa ocorrência. Foi uma negociação tensa, três horas de negociação, mas a confiança que os indivíduos depositaram na gente permitiu terminar a ocorrência da melhor forma possível.”


A delegada Diná Aroldi, emocionou-se com o fim da ocorrência. “A gente estava com dois reféns com armas na cabeça. Mas ocorreu tudo bem, por mais que estejamos com um policial militar ferido, não é nada grave.”


Dois dos indivíduos que se entregaram, Tiago Henrique Kemmerich da Costa e Jerri Adriani Tatim, estavam foragidos do Presídio Estadual de Carazinho (Pecar) desde o dia 2 de outubro, quando cinco fugiram por um túnel escavado na cela 5 da galeria A da casa prisional.
Repórter na linha de frente


A participação da imprensa, solicitada pelos assaltantes, foi uma peça chave na libertação dos reféns. Segundo o repórter Palla, do Clic Espumoso, ligaram para que ele fosse até o local para gravar a negociação, a apedido do trio.


Mesmo sendo repórter policial, Palla nunca havia trabalhado em uma ocorrência de sequestro e tampouco havia sido usado como meio de garantia de liberdade de reféns. “O momento de mais tensão foi quando o assaltante que estava mais exaltado colocou o senhor [refém] para fora, apontou a arma na cabeça dele e disse que se fizessem qualquer coisa ele ia matar todo mundo que tava lá. Então aquele momento foi um momento de maior tensão. Ele deve ter se apavorado quando viu a policia se aproximando e saiu com o senhor como escudo, apontando a arma pra todo mundo”, conta.


Segundo Palla, só quando chegou uma colega de outro veículo de comunicação que os assaltantes ficaram mais calmos. Era da estratégia deles que a cena fosse filmada para garantir que não seriam feridos pela polícia. Em alguns momentos, o repórter de Espumoso foi quem esteve mais próximo dos assaltantes, ficando entre eles e a polícia. “Medo pela vida a gente sempre tem. Ainda mais a gente que trabalha nesse meio policial. A gente sempre preserva. Até porque tenho família, filha, esposa. E o medo acompanha a gente. Entre você ter medo e não fazer nada, e ter medo e poder ajudar todo mundo que trabalhava lá, preferir ajudar. Me ligaram na hora e fui”.

 

 

--- Atualizado às 18h33 ---

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