Polícia Federal deflagra operação para investigar conflito indígena na região Norte

Além de depredações patrimoniais e lesões leves, o conflito resultou no ferimento de um indígena por arma de fogo, atingido na perna

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Operação busca por armas e elementos de prova (Foto: Divulgação/Polícia Federal)Operação busca por armas e elementos de prova (Foto: Divulgação/Polícia Federal)
Operação busca por armas e elementos de prova (Foto: Divulgação/Polícia Federal)
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A Polícia Federal deflagrou, na manhã de hoje (30), a Operação kavãn, que investiga diversos crimes praticados em decorrência de conflitos ocorridos no final do ano passado na aldeia indígena Ventarra, em Erebango/RS, dentre eles a tentativa de homicídio de um indígena, vítima de disparo de arma de fogo.

Cerca de 40 policiais federais cumprem 07 mandados de Busca e Apreensão na referida aldeia, na zona urbana da cidade e na Terra Indígena Guarita, em Tenente Portela/RS. A ação conta com o apoio da Brigada Militar, do Corpo de Bombeiros e da SUSEPE. Mais de 140 agentes públicos estão envolvidos na operação. A deflagração ainda conta com apoio operacional da CAOP, setor de aviação da Polícia Federal.

Entre os dias 12 e 13 de dezembro do ano passado ocorreram sucessivos conflitos entre grupos antagônicos da Terra Indígena, motivados por divergências na gestão de recursos pelo então cacique. Com o deflagrar da violência, realizada com uso de armas de fogo, o grupo ligado ao cacique foi expulso da aldeia, enquanto o outro grupo controla a reserva. Além de depredações patrimoniais e lesões leves, o conflito resultou no ferimento de um indígena por arma de fogo, atingido na perna.

Durante a investigação a Polícia Federal encontrou indícios de que os dois grupos indígenas rivais, reforçados por indivíduos de outras áreas indígenas, utilizaram armas de fogo na disputa do comando da Aldeia, colocando em risco a vida de outros indígenas vulneráveis, como crianças e idosos. Levantamento realizado pela Polícia Federal na ocasião verificou um grande número de cartuchos de espingarda calibre 12 e marcas de tiros em algumas casas, que evidenciam o elevado grau de violência e periculosidade das ações. 

O inquérito da Polícia Federal apura tentativa de homicídio, associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo, ameaças e lesões corporais.  

As buscas por armas e elementos de prova realizadas com a deflagração da Operação KAVÃN têm por objetivo fazer cessar a violência na região e a retomada da normalidade na aldeia, além da coleta de informações e provas que auxiliem na identificação dos autores e partícipes dos crimes.

A palavra “Kavãn”, na língua Kaingang, traduz-se como “libertar” e, no contexto da operação, significa libertar o povo Kaingang da Terra Indígena Ventarra da opressão realizada por grupos que buscam o poder, valendo-se de violência e do emprego de armas de fogo.


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