Nome de Pedro Almeida era cogitado desde 2018

Prefeito eleito no último domingo revelou os bastidores que o levaram à prefeitura

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Apesar de ter sido o último nome definido na lista dos sete candidatos que disputaram a prefeitura de Passo Fundo nas eleições 2020, a indicação de Pedro Almeida para ser o eventual sucessor de Luciano Azevedo vinha sendo costurada há pelo menos dois anos. O suspense criado em torno de quem seria o escolhido criou grande expectativa na cena política local durante todo o período pré-eleitoral. No domingo passado, as urnas confirmaram a indicação de Luciano. Pedro (PSB) venceu a disputa com 40.149 mil votos pela coligação Juntos por Passo Fundo, formada por 10 partidos.

Em entrevista ao ON, na quarta-feira, o prefeito eleito revelou os bastidores desse processo. Segundo ele, a primeira menção ligando seu nome ao cargo surgiu a partir de um comentário, aparentemente despretensioso, durante o ato de posse para o segundo mandato de Luciano Azevedo, em 1º de janeiro de 2017. “Eu era secretário de cultura, falei em nome de todos os secretários. Assim que desci do palco, o Luciano me cumprimentou e disse – estou pensando que tu podes ser prefeito”.

A observação, que naquele momento mais pareceu ter soado apenas como um elogiou pela eloquência no discurso, voltou a ser repetida pelo prefeito, cerca de um ano depois, desta vez com ares mais sérios e objetivos. Isso após Luciano ter analisado os resultados de uma pesquisa encomendada para saber qual o perfil do candidato que a população esperava para as próximas eleições. O levantamento envolvia várias questões sobre idade, experiência, requisitos, entre outros dados.

Além da pesquisa, o prefeito também passou a ‘testar’ alguns nomes conversando com pessoas mais próximas. Os comentários positivos sobre a forma de atuação e a relação de Pedro, com os demais secretários, somaram pontos e seu nome ganhou força.

“Ele me chamou e disse – Tenho alguns nomes, quero que tu te prepares. Não precisa decidir nada agora, pensa no assunto”.

Pedro entendeu o recado e aceitou o desafio. Além da experiência como secretário, decidiu fazer um curso de gestão pública em São Paulo, pelo período de um ano, intercalando aulas presenciais e remotas. “Fui estudar, não podia ser pego de surpresa, caso confirmassem meu nome. Mas foi um processo natural, conversando com os partidos, colocando as cartas na mesa, sem forçar nada”.

Segundo Pedro, durante esse período vários nomes foram sondados. Também havia a possibilidade de João Pedro decidir ser cabeça de chapa, atendendo pedidos de integrantes de seu partido, o MDB, mas durante as negociações, ele acabou abrindo mão e aceitou concorrer novamente como vice. “Foi uma grandeza do João. Depois disso, o prefeito conversou com os 10 partidos, pegou o aval de todos e nos chamou, eu o João, para anunciar a candidatura. Encarei com tranquilidade. Eu sei o tamanho do desafio, ao mesmo tempo, conheço muito bem a estrutura. Eu já estava dentro do processo”, comenta.

Pelos caminhos da música Pedro encontrou a política

O icônico Bar do Moa, descrito nos versos da canção homônima composta pelo músico Ricardo Camargo, não foi somente  ponto de encontro de uma geração de jovens na década de 80. O antigo casarão de alvenaria, nas esquinas das ruas Morom e Benjamin Constant, centro de Passo Fundo, também foi a casa onde Pedro Almeida  viveu sua primeira infância.

Filho do proprietário Moacir, conhecido por Moa, Pedro, ainda criança já circulava com desenvoltura por entre as mesas e balcões, ajudando no atendimento da clientela, grande parte dela formada por músicos da cidade.

Aluno da escola Protásio Alves, onde cursou todo o ensino fundamental, Almeida lembra que a proximidade do educandário com o bar, cerca de uma quadra, facilitava as constantes escapadas, acompanhado da irmã mais nova, para um lanche rápido durante o recreio. “Naquela época o muro era baixinho”, brinca.

Também era no bar que Pedro, por volta dos seus seis anos, recebia as visitas de seu Aparício Aquino, para as primeiras aulas particulares de gaita. O instrumento, um presente dado pelo pai, herança do avô. O desejo de seu Moa era ver o filho músico. Mal podia imaginar ele que o caminho da música levaria Pedro para a política.

Integrante de grupos musicais como o Departamento Tradicionalista do Clube Juvenil, Tchê Sarandeio e Tebanos, por quase uma década, paralelamente Pedro também passou a trabalhar em uma agência de áudio se aproximou da publicidade. Nessa fase descobriu o prazer pela criação de trilhas, canções e jingles. Mais tarde, acabou abrindo a sua própria produtora, a Stúdio D. É nessa fase que os caminhos de Pedro e Luciano começam a se cruzar. Dentre os mais de 600 jingles criados por ele, dois foram feitos para as campanhas de Luciano para prefeito de Passo Fundo. 

“Foi nesse momento que conheci o Luciano. Fiz o jingle da primeira campanha dele. Surgiu o convite para fazer parte da secretaria de cultura, em 2013. Entrei como coordenador de cultura e, um ano depois, assumi como secretário no lugar do professor José Ernani” lembra.

Além de jingles, Almeida compôs várias canções, algumas delas estão em seu CD Vendedor de Sonhos, lançado em 2008. Também gravou dois DVDs. Em seu trabalho musical mais recente, Pedro integra o grupo Quinteto Nativo, em parceria com o músico Osvaldir.


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