“Perdemos amigos e conhecidos na bandeira vermelha. A bandeira preta é um recado dos governos de que perderemos mais”

Epidemiologista e ex-secretário de saúde, Luiz Arthur Rosa Filho, analisa pandemia em Passo Fundo

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Artur avalia positivamente as medidas estaduais e municipais adotadas ao longo da pandemia (Foto: Luciano Breitkretz/ON)Artur avalia positivamente as medidas estaduais e municipais adotadas ao longo da pandemia (Foto: Luciano Breitkretz/ON)
Artur avalia positivamente as medidas estaduais e municipais adotadas ao longo da pandemia (Foto: Luciano Breitkretz/ON)
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Na avaliação do ex-secretário de saúde e epidemiologista, Luiz Artur Rosa Filho,o aumento de casos nas últimas semanas podem estar associados a dois fatores: aglomerações de final de ano e viagens para a praia, além da falta de imunização contra a velha e novas variantes do vírus. 

“As mutações são o padrão das doenças virais, ou seja, há a possibilidade de alguém que já teve a doença em julho do ano passado, ter novamente agora. Isso pode estar acontecendo pelas variantes, que podem ser apenas de codificação, mas podemos ter variantes de clínica da doença e, principalmente, de gravidade. Estes fatores aliados à imunização lenta podem impedir que sejamos bem sucedidos no controle da doença”, explica.

Artur avalia positivamente as medidas estaduais e municipais adotadas ao longo da pandemia, mas critica a maneira como o Governo Federal lida com o problema. “Eles não compreendem a doença, não ouvem a ciência, não coordenam, não resolvem os entraves nas compras de vacinas, dispõe os recursos financeiros que estão sob seu controle sem critérios científicos, apostam em soluções mágicas e o pior de tudo, ao apostar em soluções mágicas, condenam pessoas à morte. Usar medicamentos que não funcionam dá a sensação ao indivíduo de que ele está imune... de que aquilo está protegendo... de que dá para ir à praia. Daí o indivíduo negligencia aquilo que realmente protege que é circular menos, usar máscara e higienizar as mãos. Se este sujeito for jovem pode não ter uma clínica grave, mas vai repassar para um idoso familiar e este vai se complicar”. 

Luiz Artur conta que os filhos estão sem abraçar os avós há um (Foto: Arquivo Pessoal)

Luiz Artur vê a adoção da bandeira preta como um recado. “Perdemos amigos e conhecidos na bandeira vermelha. A bandeira preta é um recado dos governos de que perderemos mais...meus filhos estão sem abraçar os avós há um ano. Mas tudo é possível, depois de um ano nesta guerra, não há mais que falar em desinformação... quem entendeu, entendeu, aqueles que ainda acreditam em soluções mágicas vão seguir acreditando e praticando”, avalia o epidemiologista. Para ele, o alívio do quadro somente será possível “ quando chegarmos a 60-70 mil vacinados e só se resolverá localmente com 140.000 vacinados pelo menos em Passo Fundo”, projeta.

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