Humanização na área da saúde UPF: a essência é a comunidade

Integralidade, humanização e cuidado são pilares da formação na área da saúde na UPF

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Estudantes da UPF atuam diariamente no acompanhamento de saúde e de questões gerais da vida da comunidade do bairro José Alexandre Zachia ( Fotos: Natália Fávero e Marina Lazaretto) Estudantes da UPF atuam diariamente no acompanhamento de saúde e de questões gerais da vida da comunidade do bairro José Alexandre Zachia ( Fotos: Natália Fávero e Marina Lazaretto)
Estudantes da UPF atuam diariamente no acompanhamento de saúde e de questões gerais da vida da comunidade do bairro José Alexandre Zachia ( Fotos: Natália Fávero e Marina Lazaretto)
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“A UPF sempre esteve presente na comunidade. Os estudantes vêm aqui em casa, fazem o acompanhamento e encaminham tudo o que a gente precisa. É importante ter alguém que se importa com a gente, que ajuda. A demanda é muito grande aqui no bairro”, relata Carla Roberta Teixeira, uma das moradoras do bairro José Alexandre Zachia de Passo Fundo, atendida pelos estudantes da Universidade de Passo Fundo (UPF), que atuam diariamente no acompanhamento de saúde e de questões gerais da vida da comunidade, por meio do projeto “Redes de Cuidados Territoriais”. Essa atuação da UPF no bairro é uma das ações que vão ao encontro da humanização, presente nos seus cursos.

E neste processo, a essência é a comunidade, que também passou a ser um espaço de ensino-aprendizagem. E por meio do projeto “Redes de Cuidados Territoriais” essa perspectiva ocorre na prática, permitindo ao estudante ir a campo de forma integrada, realizando visitas domiciliares, como forma de vincular-se à comunidade. “Os estudantes vão até as famílias, conversam, identificam questões de saúde, auxiliam com encaminhamentos, informações e, com tudo isso, ainda dão conta de conteúdos previstos em suas disciplinas, estágios e projetos de extensão. É um aprendizado em serviço, em movimento. Como diz um teórico importante da saúde coletiva, é uma ‘formação viva em ato’”, destaca a integrante da coordenação do projeto, Marina Lazaretto.

Aprender com e em prol da comunidade faz toda a diferença na formação dos acadêmicos. “É uma experiência única, participar em conjunto com as outras áreas da saúde. Passar nas casas, conversar com as pessoas, saber como as pessoas vivem e o que precisam. E não falo só de encaminhamentos para o SUS, mas de acolhimento. Passamos a ter um olhar mais próximo, mais humanizado”, destaca a acadêmica do sétimo nível do curso de Fonoaudiologia da UPF, Júlia Carlesso, 20 anos.

Os estudantes aprendem no cotidiano, nos cenários de referência em saúde, assistência social, educação, entre outros espaços, que justamente representam o fazer profissional numa perspectiva integral do cuidado. “Aqui no bairro a gente tem um olhar muito maior. Acredito que essas vivências e as demandas são muito atuais, coisas que, às vezes, não estão atualizadas nos livros. Isso traz um conteúdo diferente do que até então eu tinha visto no curso. Movimenta dentro de nós uma capacidade humana mesmo, de acolher”, comenta a estudante do nono nível de Psicologia, Marina Consoli Pereira, de 33 anos.

Muito além da formação pessoal e profissional dos estudantes, o foco também é o cuidado e a atenção com a saúde e bem-estar da comunidade. É uma troca mútua. “Eu vejo os estudantes aqui na rua diariamente. É bom pra gente, que recebe os encaminhamentos, e pra eles que estão fazendo o trabalho deles, nos ajudando. O que eles fazem é bastante importante para a nossa saúde e são sempre bem-vindos”, comenta a moradora, Andréia da Silva Brito, de 49 anos.

A integrante da coordenação do “Redes de Cuidados Territoriais” explica que o projeto mapeia todo o bairro e, em cada turno, um grupo de acadêmicos fica responsável por uma área de atuação e faz o acompanhamento dos casos. “Na conversa informal, no reconhecimento do espaço geográfico, na interação com os equipamentos sociais, com as lideranças comunitárias, o aprendizado é em ato. Com isso, as competências e habilidades previstas nas diretrizes nacionais curriculares dos cursos que dizem respeito à humanização se materializam e fazem o aprendizado ter muito mais significado para todos”, observa Marina.

Por meio dessa formação humanizada, é possível produzir conhecimentos e inovação de forma mais coerente com as realidades sociais existentes. Os estudantes acabam sendo interlocutores entre a comunidade e a Atenção Básica do Município. “Muitas vezes, as pessoas não sabem que tem uma unidade de saúde aqui e a gente leva essa informação. Além disso, conhecer a realidade de cada pessoa, conhecer a história de vidas delas, é muito importante para o nosso conhecimento e, ao mesmo tempo, humaniza a área da saúde”, comenta a estudante do sétimo nível de Enfermagem, Taiane Feiten, 21 anos.

Além dos cursos da área da saúde como Enfermagem, Farmácia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Química e Programa de Residência Multiprofissional em Medicina Veterinária, também integram o projeto os cursos de Direito, Música e Pedagogia.


Formação humanizada e integral

A área da saúde, formada por vários cursos da UPF, está cada vez mais inovando seus processos formativos. E esses processos acontecem com base nos princípios da integralidade, da humanização e do cuidado em saúde. Na Universidade, a formação teórico-prática junto às comunidades está sendo construída e liderada pela Comissão de Integração da Área da Saúde (Cias) e pelos projetos de extensão que compõem o Programa de Extensão “Territórios da Saúde e do Cuidado”. O projeto “Redes de Cuidados Territoriais”, que atua no Zachia, é um dos projetos que integram esse programa de extensão.

O reflexo desse processo traduz-se de várias formas, mas especialmente na formação de profissionais preparados para atuação no mercado de trabalho que é desafiador e complexo. “O fato desse aluno ter sido estimulado, instigado a construir respostas concretas para os problemas de saúde reais das pessoas, faz com que nossos alunos entendam a amplitude do conceito de saúde, que extrapola a dimensão física do corpo, mas que também é mental, que é social”, destaca a coordenadora do curso de Serviço Social da UPF, Dra. Giovana Henrich, que também integra a coordenação da Cias e do Programa de Extensão “Territórios da Saúde e do Cuidado”.

A Universidade, criada com e para a comunidade, tem por vocação humanizar os processos e caminhos que constrói e ajuda a construir. A UPF se funda no pilar da humanização, essência desde sua origem, expressando-se de diferentes maneiras, desde o respeito às diferenças e à diversidade cultural até a responsabilidade social, alicerçando as suas ações. “Na medida em que os estudantes vivem aqui uma ambiência que constrói relações e saberes que importam para uma formação integral, qualificada, serão capazes de, na vida profissional, desenvolverem práticas profissionais que acolham e cuidem, independentemente da situação ou condição de vida”, destaca a reitora da UPF, professora Dra. Bernadete Maria Dalmolin.


O que é humanização na saúde?

Humanizar o que é humano é redundante nas palavras, mas no cotidiano da vida faz muito sentido. Não é apenas a doença da pessoa que deve ser vista e tratada, o que muitas vezes acontece. Segundo a professora do curso de Medicina da UPF, Dra. Cristiane Barelli, a abordagem deve ser holística, ampliada. “Quem é esta pessoa, quais são suas condições de vida, porque ela tem esta doença? É preciso uma proposta de tratamento em conjunto para que a pessoa possa verificar o que é possível fazer dentro das suas condições de vida”, explica a professora.

O assunto integra a Política Nacional de Humanização (PNH) criada para efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas de atenção e gestão, qualificando a saúde pública no Brasil. E vale lembrar que cerca de 80% da população depende do SUS. Para que a humanização seja colocada em prática é necessário que os profissionais desenvolvam essa perspectiva desde o início da sua vida profissional.

Nesse sentido, segundo a professora Cristiane, a UPF se destaca, porque o tema não está presente só em uma disciplina, mas do primeiro ao último dia de aula dos cursos. “O desenvolvimento dessa competência de atuação humanizada na saúde transpassa todo o curso. É um diferencial de qualidade da UPF, que tem uma integração com a comunidade, sendo uma rica oportunidade de desenvolver a humanização na saúde, com o cuidado centrado na pessoa, com dignidade, respeito e incentivo da autonomia”, enfatiza a professora.


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