Passo Fundo irá antecipar aplicação de segundas doses

Nova remessa com 5,8 mil unidades da vacina AstraZeneca será entregue ao município nesta quarta-feira, com o objetivo de adiantar a aplicação da segunda dose do imunizante a quem recebeu a primeira há pelo menos 10 semanas

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A mudança afeta a aplicação da segunda dose da AstraZeneca e, posteriormente, da Pfizer (Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini)A mudança afeta a aplicação da segunda dose da AstraZeneca e, posteriormente, da Pfizer (Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini)
A mudança afeta a aplicação da segunda dose da AstraZeneca e, posteriormente, da Pfizer (Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini)
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O município de Passo Fundo irá receber, nesta quarta-feira (14), 5.845 doses da vacina AstraZeneca. Os imunizantes serão usados para adiantar a aplicação da segunda dose a quem recebeu a primeira há, pelo menos, 10 semanas. A nova remessa faz parte de um lote com um total de 308.575 unidades da vacina, que começou a ser distribuído aos municípios gaúchos pela Secretaria Estadual de Saúde após a decisão do Governo do Estado em reduzir de 12 para 10 semanas o intervalo entre a primeira e a segunda dose das vacinas AstraZeneca e Pfizer.

Firmada em reunião entre a Comissão Intergestores Bipartite (CIB), com representação do Estado e dos municípios na última segunda-feira (12), a medida de antecipação tem como objetivo garantir a melhor resposta imune para a chamada variante delta do coronavírus, diante da recente identificação de dois casos suspeitos desta cepa no Estado. Os casos ainda estão sendo investigados pela Fundação Oswaldo Cruz e referem-se a moradores de Gramado e Santana do Livramento. De origem indiana, a delta é uma variante considerada altamente transmissível e, embora as vacinas existentes até o momento sejam eficazes para combatê-la, os estudos apontam que uma única dose ainda é pouco efetiva. “Para essa cepa, é ainda mais necessário ter o esquema vacinal completo”, explica a diretora do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde, Ana Costa.

No total, a SES tem 687.105 doses da AstraZeneca reservadas na Central Estadual de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (Ceadi), em Porto Alegre, para dose 2 (D2). As demais doses serão distribuídas mais perto da data de conclusão do intervalo do próximo lote, que fecha em 23 de julho. Quanto a Pfizer, o adiantamento da aplicação não trará impacto neste momento, uma vez que não há remessas com prazo para dose 2 até o início de agosto. Todas as remessas daqui para frente que o Estado receber dessas duas fabricantes utilizarão o novo intervalo de 10 semanas. Já para a CoronaVac, não há recomendação de antecipação entre as doses, que devem continuar respeitando o intervalo de 28 dias.

A secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, garantiu que o adiantamento do intervalo entre doses não prejudicará o calendário vacinal estabelecido pelo governo do Estado. A previsão de vacinar 100% da população maior de 18 anos com pelo menos uma dose de vacina contra a Covid-19 é 20 de setembro.

Avanço na vacinação é fundamental para evitar novas variantes

A decisão de reduzir o intervalo entre as doses não é exclusiva do Rio Grande do Sul. Além de outros estados brasileiros terem aderido à redução, a medida também foi tomada por países como o Canadá e a França, onde a cepa de origem indiana tem impulsionado um novo surgimento de casos do coronavírus. De acordo com novos estudos, a variante delta é resistente a determinados anticorpos, mas é passível de ser neutralizada a partir da aplicação de duas doses dos imunizantes contra a Covid-19, o que justificaria a necessidade de antecipação na conclusão do esquema vacinal da população.

Médico, mestre em epidemiologia e ex-secretário de Saúde de Passo Fundo, Luiz Artur Rosa Filho explica que as variantes são um resultado natural do prolongamento do vírus entre os organismos humanos. “Como não conseguimos resolver em tempo rápido — em perspectiva mundial, porque não tínhamos vacina —, o vírus ficou circulando bastante tempo e em diversos locais. Cada variante tem suas características, que podem ser mais graves ou mais brandas, porque são processos biológicos imprevisíveis nos seus resultados”, introduz.

Ainda segundo de acordo com Luiz Artur, a cada vez que variante surge, com o potencial de ser mais transmissível e agressiva que as anteriores, os laboratórios precisam iniciar novas pesquisas para descobrir se as vacinas existentes são capazes de proteger contra a nova cepa. “Até o momento, o que se tem identificado é que essa diminuição no intervalo produz melhores resultados contra algumas variantes, como a delta. O que nos impedia de reduzir o intervalo, antes, era a falta de vacina. Mas a constante chegada de novas vacinas, agora, nos permite reduzir o tempo entre as doses e, consequentemente, antecipar a melhora imunitária das pessoas”.

O especialista destaca ainda que acelerar o avanço da vacinação é fundamental para impedir o surgimento de novas variantes. “As variantes só vão parar de acontecer quando a gente interromper a circulação viral. Enquanto houvermos pessoas não vacinadas, o vírus ficará circulando entre elas”.

Município

Apesar da decisão do governo estadual em antecipar o intervalo entre as doses e da destinação de um novo quantitativo da vacina AstraZeneca, até o fim da tarde dessa terça-feira (13), a Secretaria Municipal de Saúde ainda aguardava a publicação oficial da CIB antes de definir quais seriam os próximos passos para a conclusão do esquema vacinal dos passo-fundenses.

Nesta quarta-feira (14), a Secretaria Muncipal de Saúde informou que Passo Fundo seguirá o que foi determinado pela CIB, antecipando as datas. O Município, porém, aguardará as próximas remessas de segundas doses para definir o novo cronograma.

Notícia atualizada às 14h03

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