Passo Fundo tem quatro casos de dengue em 2024

Números iniciais do ano preocupam e alertam para a conscientização e prevenção

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 Aquisição de mais um equipamento utilizado no fumacê auxilia na pulverização de inseticida - Foto-Michel Sanderi-PMPF Aquisição de mais um equipamento utilizado no fumacê auxilia na pulverização de inseticida - Foto-Michel Sanderi-PMPF
Aquisição de mais um equipamento utilizado no fumacê auxilia na pulverização de inseticida - Foto-Michel Sanderi-PMPF
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O Brasil enfrenta uma epidemia de dengue. Aqui em Passo Fundo, a situação é classificada como de casos isolados. Mas é preocupante. A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti que, durante o Século XVIII, desembarcou em solo brasileiro de navios vindos da África. Entre endemias e pandemias a doença está em nosso meio urbano. Existem informações sobre epidemias de dengue em 1916 em São Paulo e em 1923 em Niterói (RJ). No entanto, em documentação clínica e laboratorial, a primeira epidemia ocorreu em 1981/82. Agora, em 2024, o panorama da doença levou a criação de um Centro de Operações de Emergência para controle da epidemia de dengue no Brasil. Quinta-feira (1º) a ministra da Saúde, Nísia Trindade, fez um pedido de mobilização nacional por parte de estados e municípios. Em Passo Fundo, somente este ano, já há 121 notificações da doença e quatro casos confirmados. A secretária municipal da Saúde, Cristine Pilati, apela pela conscientização e prevenção.

Os casos

Em Passo Fundo a doença é motivo de preocupação para as autoridades sanitárias. Em 2023, foram 3.774 notificações com 873 casos confirmados e três mortes. Os números iniciais de 2024 preocupam a secretária Cristine, que é médica infectologista. “Somente este ano foram 121 notificações e quatro casos confirmados, destes três são autóctones, ou seja, de pessoas da cidade e um que classificamos como importado”. De acordo com o último boletim Painel da Dengue, da SES, das 121 notificações em 2024, 58 foram descartadas e 59 seguem em investigação. Os quatro casos positivos são de adultos, com idade entre 20 e 45 anos. Dos três que residem em Passo Fundo, são de duas mulheres e um homem.

A preocupação

“Uma maior incidência no mês de janeiro preocupa. Esse aumento ocorre mais em abril e maio, enquanto janeiro seria mais tranquilo”, avalia a secretária. Porém, neste verão houve a maior incidência de chuvas. Isso propicia ao mosquito fêmea maior disponibilidade de água empoçada para a postura dos ovos. “Durante os efeitos do El Niño, com muitas chuvas e mais calor, eclodiram novos criadouros para os ovos do mosquito”. Se janeiro abre o ano com números de caso acima das médias estatísticas, deixa uma perspectiva assustadora para abril e maio, mesmo com temperaturas mais amenas. E é a partir desse fator que Cristine apela para a conscientização da população.

O combate

“Isso depende de cada um, individualmente, para que cuide do seu domicílio, evitando locais com água parada, como nas vasilhas das plantas ou nos pneus velhos e outros objetos que possam empoçar água. A contaminação ocorre de maneira bem diferente de doenças contagiosas, como sarampo e covid, que são transmitidas por gotículas de saliva. A dengue é transmitida apenas pelo mosquito, então é importante acabar com os criadouros (água parada)”, enfatizou a titular da SMS. Também destacou que desde o ano passado o município realiza ações de combate e prevenção. “Realizamos o treinamento da rede municipal da saúde, médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem em maio. Já em novembro de 2023 aumentamos o número de agentes de endemia de 39 para 52 profissionais”, informou Cristine.

O fumacê

Até mesmo a estrutura física da Secretaria da Saúde foi reforçada e moldada para possíveis situações críticas de uma epidemia de dengue. “É uma dinâmica necessária, com estruturação de instalações como o almoxarifado, para atender e tratar da doença. O tratamento requer hidratação oral ou endovenosa e isso exige uma estrutura própria para os insumos necessários no início do tratamento”. Outra medida adotada pela Prefeitura de Passo Fundo foi a aquisição de mais um equipamento utilizado no fumacê, agora com dois conjuntos para pulverização de inseticida. “Inicialmente, direcionamos o fumacê para as regiões onde há casos positivos”.

Os cuidados

A dengue se apresenta em várias formas, a mais fatal até há pouco era conhecida como ‘dengue hemorrágica’. “Agora é chamada de dengue grave”, esclareceu. Os sintomas, de acordo com a médica, são febre alta, dores no corpo, dor atrás dos olhos (dor retro ocular), machas na pele e náuseas. “Nesses casos, as pessoas devem procurar atendimento médico. Não podem se automedicar, principalmente evitando anti-inflamatórios e AAS (Ácido Acetilsalicílico/Aspirina etc), porque esses medicamentos potencializam o risco de hemorragias”. Porém, como o inimigo tem nome (Aedes aegypti) e criadouro (água parada) conhecidos, a secretária Cristine Pilati aposta na conscientização coletiva. “Utilizamos carro de som para informar e alertas as pessoas sobre a doença. Mas o importante é que cada um cuide de seu domicílio”.

Vacina somente na rede privada

 A vacina contra a dengue existe, mas é escassa. Na rede pública, o Ministério da Saúde, em razão da quantidade limitada de doses fornecidas pelo laboratório, a vacinação vai priorizar crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de idade, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações depois dos idosos. A previsão do ministério é que as doses adquiridas possam imunizar cerca de 3,2 milhões de pessoas ao longo de 2024. Porém, o Rio Grande do Sul ficou de fora desta etapa e não terá vacina na rede pública.

Particular

Já na rede privada é grande a procura pela vacina da dengue, com disponibilidade da QDenga, que contém quatro sorotipos do vírus. Thália Florão, da Immunità Clínica de Vacinas, informou que a dose custa R$ 390 e devem ser aplicadas duas, com intervalo de três meses. “Dos quatro aos 60 anos de idade. Com mais de 60 apenas com prescrição médica”, acrescentou. Na Cia da Vacina, Ariene da Silva disse que a procura aumentou muito e a dose custa R$ 460.


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