Passo Fundo confirma primeiro caso de dengue em 2026

LIRAa aponta para situação de alerta no município com índice de infestação de 3,6%

Por
· 3 min de leitura
Município possui 47 agentes de endemias - Foto: Michel SanderiMunicípio possui 47 agentes de endemias - Foto: Michel Sanderi
Município possui 47 agentes de endemias - Foto: Michel Sanderi
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

Passo Fundo confirmou na quarta-feira (04) o primeiro caso de dengue em 2026, conforme validação da Secretaria Estadual da Saúde. O registro é considerado autóctone, ou seja, a infecção ocorreu dentro do próprio município, e envolve um homem com idade entre 20 e 29 anos. A confirmação ocorre em um período considerado crítico para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, em função das altas temperaturas e da maior incidência de chuvas.

De acordo com o Painel de Casos de Dengue do Rio Grande do Sul, o município contabiliza até o momento 116 notificações da doença, das quais 68 ainda estão em investigação. O cenário coloca Passo Fundo em estado de atenção e reforça a importância da adoção de medidas preventivas por parte do poder público e da comunidade.

LIRAa

O primeiro Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa) de 2026, realizado pelo Núcleo de Vigilância Ambiental entre os dias 12 e 21 de janeiro, vistoriou 3.268 imóveis no município. Deste total, 117 apresentaram focos do mosquito, resultando em um índice de infestação de 3,6%, classificação que indica situação de alerta. Os bairros Petrópolis e São Luiz Gonzaga registraram as maiores incidências.

Atualmente, o município conta com 47 agentes de combate às endemias atuando diretamente nas visitas domiciliares, orientações à população e eliminação de focos do mosquito. Além disso, outros cinco agentes já foram convocados e devem iniciar as atividades em campo assim que forem concluídos os trâmites burocráticos, ampliando a capacidade de resposta do município.

O secretário municipal de Saúde, Diego Farias, ressalta que o trabalho de combate à dengue é permanente e envolve diferentes frentes. “As ações contra a dengue são realizadas durante todo o ano, mas neste período sazonal, com temperaturas mais elevadas, reforçamos ainda mais esse trabalho. Nos últimos meses, promovemos capacitações com os profissionais da rede de saúde e, nesta semana, estamos realizando uma nova formação, inclusive com novos médicos e equipes de apoio”, explica.

Combate

Além das ações de campo e da capacitação das equipes, a Secretaria de Saúde reforça a importância da participação da população na prevenção da doença. A coordenadora de Vigilância em Saúde, Marisa Zanatta, enfatiza que a eliminação de criadouros é a principal estratégia para impedir a proliferação do mosquito. “Grande parte dos focos do Aedes aegypti está dentro das residências. Por isso, atitudes simples no dia a dia fazem toda a diferença para evitar novos casos”, orienta.

Entre as principais recomendações, de acordo com a coordenadora, estão manter caixas-d’água bem fechadas, com tampa e tela, eliminar pratinhos de vasos de plantas, manter calhas limpas e desobstruídas, descartar corretamente o lixo e evitar qualquer acúmulo de água parada, pneus que não estiverem em uso devem ser armazenados em locais cobertos e secos ou descartados corretamente no ecoponto do bairro São Luiz Gonzaga.

Marisa também orienta que piscinas devem ser mantidas limpas e tratadas durante todo o ano, baldes e tonéis de água da chuva precisam estar cobertos com tela ou tampa, e os recipientes de água dos animais devem ser lavados com esponja regularmente. “São cuidados simples, mas extremamente eficazes no controle do mosquito”, reforça.

Sintomas

A população também é orientada a ficar atenta aos sintomas da dengue, que incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dor no fundo dos olhos, dores musculares e articulares, náuseas, vômitos, erupções cutâneas e, em alguns casos, sangramentos leves, como nas gengivas ou no nariz. Ao apresentar sinais suspeitos, a recomendação é procurar uma Unidade Básica de Saúde, manter boa hidratação e não se automedicar.

Em casos confirmados ou suspeitos da doença, a coordenadora alerta ainda para a necessidade de evitar a transmissão do vírus a outras pessoas. “Quem estiver com dengue deve usar roupas de manga longa ou repelente nas áreas expostas do corpo por pelo menos dez dias, evitando que o mosquito pique a pessoa infectada e transmita o vírus”, explica.

Outra orientação importante, conforme Marisa, é o recebimento dos agentes de endemias e de saúde durante as visitas domiciliares. “Os profissionais atuam devidamente identificados com coletes e crachás da Secretaria de Saúde e desempenham papel fundamental na identificação de focos e orientação das famílias”, aponta.

Situação no estado

Em nível estadual, o Rio Grande do Sul registra atualmente 77 casos confirmados de dengue em 2026, sendo 61 autóctones, além de 2.040 casos em investigação. A maioria dos pacientes é do sexo feminino, com predominância na faixa etária de 20 a 29 anos.

Gostou? Compartilhe