Passo Fundo registra um perfil que chama a atenção das autoridades de saúde em 2026. Os jovens são maioria entre os pacientes internados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam que o município soma 389 hospitalizações neste ano. Desse total, 218 ocorreram entre pessoas com menos de 40 anos, o que representa 56% das internações. Já os pacientes acima dessa faixa etária somam 171 casos.
Segundo a secretária municipal de Saúde, Caroline Gosch, o cenário não pode ser explicado por um único fator. Ela destaca que a baixa cobertura vacinal contribui para o aumento das formas graves, mas ressalta que outros elementos também influenciam as estatísticas. “A SRAG não é causada apenas pela influenza. Temos outros vírus circulando, como o rinovírus e o vírus sincicial respiratório. Além disso, os adultos jovens estão mais expostos porque trabalham presencialmente, utilizam transporte coletivo e frequentam escolas e universidades”, explica.
Entre os mais jovens, o grupo mais afetado é o de bebês com menos de um ano de idade. Somente nessa faixa etária foram registradas 75 hospitalizações por SRAG em 2026.
A secretária observa ainda que condições como obesidade, diabetes, asma, doenças cardiovasculares e tabagismo podem aumentar o risco de agravamento da doença. Outro aspecto apontado é que os idosos costumam apresentar maior adesão à vacinação.
Queda na vacinação preocupa
Os números também refletem a realidade observada nos hospitais. No Hospital de Clínicas de Passo Fundo, os pacientes com menos de 40 anos representaram 96,15% das internações por doenças respiratórias em abril. Em maio, o percentual foi de 73,33%, enquanto em junho chegou a 80,55%. No ano, o hospital contabiliza três óbitos com diagnóstico positivo para influenza.
Para o médico infectologista do Hospital de Clínicas, Hugo Noal, a baixa adesão à vacinação é um dos fatores que ajudam a explicar o aumento das formas graves da doença entre os mais jovens. “A vacinação é um fator importante que pode levar à redução do agravamento dos casos. Pessoas que têm comorbidades precisam estar vacinadas”, afirma.
O especialista também destaca a importância do diagnóstico precoce e do uso adequado de medicamentos antivirais. Segundo ele, muitos pacientes chegam ao atendimento já com a doença em estágio avançado. “Talvez não devêssemos esperar a doença se agravar. O antiviral pode ser importante quando utilizado de forma mais precoce, reduzindo a transmissão e também o risco de agravamento”, explica.
Além disso, Noal ressalta a necessidade de diferenciar corretamente infecções virais de bacterianas. “É importante que seja feita essa diferenciação entre uma doença viral e uma pneumonia bacteriana para que o tratamento mais adequado seja iniciado o quanto antes”, observa.
Orientação
Diante do cenário, a orientação é que a população procure as unidades de saúde e mantenha a vacinação em dia. A recomendação vale especialmente para crianças, idosos e pessoas com comorbidades, considerados grupos mais vulneráveis às complicações causadas pelos vírus respiratórios.
Caroline Gosch reforça que a prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir internações e complicações. “Continuamos indicando a vacinação e os cuidados com a etiqueta respiratória. Em caso de sintomas, é importante evitar aglomerações, buscar atendimento médico quando necessário, utilizar máscara e manter a higiene frequente das mãos”, destaca. Segundo ela, a adoção dessas medidas é fundamental para conter a circulação dos vírus, especialmente durante o inverno, período em que os casos costumam aumentar.



