Chuvas recuperam lavouras após período de estiagem

Milho registra perdas pontuais, mas mantém elevado potencial produtivo; soja apresenta desenvolvimento vegetativo considerado muito positivo

Por
· 3 min de leitura
As plantas estão com bom desenvolvimento na região de Passo Fundo - Foto: Emater/Divulgação As plantas estão com bom desenvolvimento na região de Passo Fundo - Foto: Emater/Divulgação
As plantas estão com bom desenvolvimento na região de Passo Fundo - Foto: Emater/Divulgação
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

As chuvas frequentes e volumosas registradas nos últimos dias trouxeram alívio significativo ao campo e mudaram o cenário de apreensão que vinha se desenhando após um período crítico de estiagem. Entre 15 e 20 dias sem precipitações foram suficientes para acender o alerta entre produtores de milho e soja, especialmente em regiões onde o déficit hídrico começou a comprometer o desenvolvimento das plantas. No entanto, com o retorno das chuvas, a avaliação técnica aponta para uma recuperação expressiva das lavouras, mantendo boas perspectivas produtivas para a safra 2025/2026.

De acordo com o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, apesar de algumas perdas registradas principalmente nas áreas de milho plantadas mais precocemente, o cenário geral ainda é considerado positivo. “O milho deu uma recuperada importante. Esse período de estiagem afetou mais os milhos adiantados, que acabaram tendo uma redução de produtividade estimada entre 15% e 25%. Mesmo assim, o potencial produtivo segue alto”, afirma.

Milho: recuperação após estresse hídrico

O milho, cultura mais sensível à falta de água nos estágios iniciais e reprodutivos, foi a lavoura que mais sentiu os efeitos da estiagem registrada no início de dezembro. Nas áreas plantadas mais cedo, especialmente aquelas que atravessaram o florescimento e a formação de espigas sem chuva, houve perdas inevitáveis. Ainda assim, segundo a Emater, a produtividade deve ficar acima da média histórica em grande parte do estado. “O milho depende muito das chuvas entre setembro e dezembro. Felizmente, agora estamos tendo um volume significativo, que ajuda a recompor os déficits de umidade no solo. Aqui na nossa região, a chuva veio na medida certa”, explica Adami. Ele ressalta que, embora em algumas regiões do estado o excesso de precipitação tenha causado transtornos, na região Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul o impacto tem sido majoritariamente positivo.

As lavouras de milho plantadas mais tardiamente, que agora estão em fase de florescimento e espigamento, encontram um cenário considerado ideal. A combinação de solo úmido, temperaturas adequadas e menor incidência de radiação solar intensa reduz o estresse das plantas e melhora as condições para a definição do potencial produtivo. “O período nublado, com menos sol forte e altas temperaturas, diminui a evapotranspiração. Isso faz com que a umidade se mantenha por mais tempo no solo, favorecendo o desenvolvimento das plantas”, destaca o supervisor da Emater. Ele pondera, no entanto, que a alternância entre dias de chuva e períodos de sol é fundamental. “O ideal é que em dois ou três dias volte o sol, porque ele também é essencial para a produtividade”, acrescenta.

Soja

Se o milho enfrentou perdas pontuais, a soja, por outro lado, apresenta um cenário mais animador. Conforme a avaliação técnica, as lavouras estão com desenvolvimento vegetativo considerado “muito bom”, com rápido fechamento das linhas, um indicador diretamente ligado ao potencial produtivo. “É visível a olho nu o quanto a soja se desenvolveu na última semana. As plantas estão praticamente fechando as linhas, o que é fundamental nessa fase”, afirma Adami. Dezembro e o início de janeiro são considerados períodos-chave para a definição do porte das plantas, que influencia diretamente a formação de vagens e, consequentemente, a produtividade final.

Segundo o técnico, o bom crescimento da soja neste momento se deve, principalmente, à regularidade das chuvas. “A soja depende de chuva até março. Fechar dezembro com chuva regular é essencial, e isso está acontecendo. Mesmo com um volume um pouco acima da média, é algo muito positivo”, avalia.

Apesar do intervalo sem chuva logo após o plantio da soja, não houve necessidade de replantio em larga escala no estado. Segundo a Emater, alguns produtores enfrentaram problemas pontuais de germinação, o que reduziu o estande de plantas por hectare, mas não em nível considerado crítico. “Houve casos em que a soja ficou cerca de 15 dias sem chuva após o plantio, o que reduziu o número de plantas. Mesmo assim, o estande ficou razoável, e com a chuva agora, a lavoura tende a compensar”, explica Adami. Ele ressalta que a decisão pelo replantio envolve custos elevados, o que tem levado muitos produtores a optar pela manutenção das áreas já implantadas. “O replantio é uma medida extrema, porque encarece muito a produção. Hoje, o grande problema do agro é a rentabilidade”, enfatiza.

Gostou? Compartilhe