Soja entra em fase decisiva e exige atenção redobrada com a estiagem

Milho avança para a colheita com produtividade dentro da média, avalia Emater

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Soja mantém bom desenvolvimento, mas estiagem preocupa - Foto: LC SchneiderSoja mantém bom desenvolvimento, mas estiagem preocupa - Foto: LC Schneider
Soja mantém bom desenvolvimento, mas estiagem preocupa - Foto: LC Schneider
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A soja, principal cultura de verão e base da economia agrícola regional, entra em um dos momentos mais decisivos do ciclo produtivo sob atenção redobrada. Mesmo com bom desenvolvimento das lavouras até o momento, a redução e a irregularidade das chuvas nas últimas semanas acendem um alerta no campo, justamente no período em que a cultura demanda maior disponibilidade hídrica para garantir produtividade.

A principal preocupação do momento no campo recai sobre a soja, considerada o carro-chefe das culturas de verão e da economia regional. Cultivada em cerca de 650 mil hectares na região, a cultura apresenta bom desenvolvimento, mas começa a enfrentar um cenário de risco devido à redução das chuvas nos últimos dias.

De acordo com o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, em algumas localidades o volume de precipitação está abaixo da média há quase duas semanas. “Estamos há 12, 13, quase 15 dias com chuvas abaixo da média em algumas regiões. Isso gera apreensão, porque a soja está entrando na fase de floração, e em algumas áreas já inicia a formação de vagens e grãos”, explica. Segundo ele, esse é um período que exige maior disponibilidade de água no solo, e a continuidade da estiagem pode provocar estresse hídrico, abortamento de flores e, consequentemente, redução da produtividade.

Apesar de ainda não haver impactos diretos sobre as lavouras, o cenário exige atenção constante. Adami destaca que, se a falta de chuvas se prolongar por mais uma semana ou dez dias, os efeitos negativos podem começar a aparecer de forma mais significativa. “Existe a expectativa de uma precipitação de 20 a 25 milímetros nos próximos dias. Não é uma chuva expressiva, mas ajudaria a amenizar esse quadro”, pontua.

A Emater também chama atenção para a irregularidade das precipitações. “O problema não é apenas o volume, mas a distribuição. O ideal são chuvas regulares, a cada sete, oito ou dez dias, com volumes entre 25 e 40 milímetros. Chuvas muito fortes seguidas de longos períodos secos não são o cenário ideal”, explica o supervisor.

Milho avança para a colheita

Enquanto a soja atravessa uma fase crítica do ciclo, as lavouras de milho da região avançam para a etapa final, com áreas já em maturação fisiológica e grande parte das plantações concluindo o enchimento de grãos. A avaliação da Emater é positiva. Segundo Adami, “o potencial produtivo é considerado bom”, com expectativa de produtividade dentro da média de anos normais, entre 135 e 140 sacas por hectare.

Um período de escassez de chuvas no início de dezembro afetou principalmente as áreas plantadas mais cedo, mas o impacto foi considerado pontual. “Teve algum prejuízo, mas não a ponto de reduzir muito a produtividade”, afirma o supervisor, destacando que as lavouras implantadas mais precocemente já estão em estágio avançado e menos suscetíveis aos efeitos da falta de chuva neste momento.

No entanto, as áreas de milho tardio ainda dependem diretamente das chuvas de janeiro para garantir bom desempenho, especialmente aquelas que se encontram em fases como floração e espigamento.

Rentabilidade segue como desafio

Além das condições climáticas, o contexto econômico segue como um fator de preocupação para os produtores. Segundo Adami, mesmo com uma safra favorável, as margens têm se mantido cada vez mais estreitas. “O custo de produção é alto e os preços dos grãos estão reduzidos. Isso impacta diretamente na rentabilidade, que é o que mantém o negócio”, ressalta.

Ele lembra que, nos últimos anos, quedas nos preços de culturas como trigo, milho e soja, somadas a problemas climáticos recorrentes, têm comprometido os resultados no campo. “Mesmo com uma colheita satisfatória, a renda por hectare fica muito limitada”, avalia.

O cenário regional acompanha uma realidade observada em outras partes do Estado, embora com diferenças. “Tem regiões com situação mais difícil, onde as últimas precipitações foram inexistentes ou muito abaixo do registrado aqui”, relata Adami, citando áreas como a região de Ijuí, que já enfrenta dificuldades mais severas.

Para a soja, janeiro e fevereiro são considerados meses decisivos. “São dois meses determinantes para o sucesso da produtividade e da produção”, conclui o supervisor da Emater.

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