Abordagem social da Prefeitura ajuda pessoas na superação da situação de rua

Equipes acompanham pessoas que estão nas ruas numa tentativa de inseri-las na rede de serviços socioassistenciais e políticas públicas

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O serviço tem como foco identificar as necessidades imediatas dessa população (Foto: Diogo Zanatta/PMPF)O serviço tem como foco identificar as necessidades imediatas dessa população (Foto: Diogo Zanatta/PMPF)
O serviço tem como foco identificar as necessidades imediatas dessa população (Foto: Diogo Zanatta/PMPF)
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Em mais um dia de trabalho, a assistente social Raqueli Lima Paetzold e o monitor de atividades Marcos Antônio Ribeiro Pires, conduzidos pelo motorista Julmar Kurchner Cardozo, percorrem a cidade para conversar com a população em situação de rua. Durante as buscas, a equipe da Prefeitura visa estreitar a aproximação com as pessoas que estão em praças e demais espaços.

A abordagem às pessoas em situação de rua é especificada no Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e, em Passo Fundo, ocorre durante 24 horas. Com a perspectiva da garantia de direitos, o serviço tem como foco identificar as necessidades imediatas dessa população, incluindo-a na rede de serviços socioassistenciais e políticas públicas.

A rede é ampla. Envolve, além do atendimento inicial e do reconhecimento das carências individuais de cada sujeito, uma série de outras etapas para que ele supere a condição. Ao entrar uma vez nela, o indivíduo é acolhido, mapeado pelas equipes de abordagem e estimulado a ingressar nas demais etapas de assistência.

Centro POP

O Centro POP Júlio Rosa é a porta de entrada para a assistência. No local, elas são auxiliadas no encaminhamento de documentos, passam por atendimento psicológico, são direcionadas para a casa de passagem, incentivadas a realizar tratamentos de saúde e reabilitação da dependência química e reaproximadas das suas famílias. Ainda, têm acesso a banhos, roupas limpas e alimentação.

Conforme Raqueli, no Centro POP, foi estruturado um suporte para que os usuários possam iniciar um novo caminho. “Tudo aquilo que elas têm de necessidades a gente trabalha para superar”, enfatiza.

Desintoxicação

Como a rua, em quase totalidade dos casos, é uma consequência de vícios em álcool e drogas e do enfraquecimento dos vínculos familiares, um dos passos mais importantes é a desintoxicação. “Hoje, em Passo Fundo, não tem ninguém que esteja na rua por causa da pobreza. As pessoas estão na rua por causa da dependência. Uma grande parcela tem família, tem casa”, relata Raqueli.

A desintoxicação é feita por meio do Centro de Atendimento Psicossocial – Álcool e Drogadição (CAPS-AD) e do hospital psiquiátrico. Quem aceita combater o vício recebe apoio para ser internado e limpar o organismo. Depois disso, tem a possibilidade de ir para um residencial terapêutico para dar continuidade ao processo de reabilitação.

No entanto, segundo Marcos, após o período de desintoxicação, a maioria das pessoas retorna para as ruas. “É quase uma utopia achar alguém que está na rua e que não seja usuário, ou de lícito ou de ilícito ou dos dois. A cada ano, são conseguidas cerca de 100 internações. Uma mesma pessoa é internada mais de uma vez”, menciona.

Interdição

Há casos em que a saúde mental e física está tão comprometida, que o Município tenta, junto ao Ministério Público, uma interdição. Essa é a última medida, tomada quando a pessoa coloca em risco a sua vida e a do outro.

Raqueli relembra um dos casos recentes de interdição, que envolvia o uso abusivo de drogas, transtornos mentais e ameaças a quem passava se recusava a dar esmolas. “Esse sujeito não tinha mais condições de cuidar de si mesmo. Com auxílio do CAPS-AD e do hospital psiquiátrico, via processo judicial, conseguimos encaminhar para internação e para a comunidade, da qual sairá apenas se tiver condições de ter uma vida independente”, conta.

A esmola

Conforme levantamento, no ano passado, havia 57 moradores de Passo Fundo em situação de rua. Contudo, pelo perfil da cidade, estima-se que outras 800 pessoas passaram por aqui, se estabelecendo por um período, indo até outros municípios e retornando. “Elas ficam circulando de uma cidade para outra, de um estado para outro. O vai e volta é dinâmico”, comenta Marcos.

Um dos fatores que insere Passo Fundo na lista de cidades com grande fluxo é a esmola.

A esmola sustenta a vida nas ruas e a dependência. Tendo dinheiro e alimento, as pessoas não buscam os serviços da rede ou recusam auxílio oferecido pela abordagem.

Conforme Marcos, nenhuma das pessoas que vivem nas ruas está abandonada pelas políticas públicas, mas as doações geram recursos para que ela veja que existe vantagem na situação. “Os usuários dos serviços falam da característica de Passo Fundo, que eles vêm para cá e ganham dinheiro. Muitas pessoas ganham 150 reais por dia, sustentando outras no mesmo local”, descreve.

A assistente social Raqueli também chama a atenção para isso e faz um pedido de ajuda. “A gente entende que a população é solidária, mas esse dinheiro vai para manter o vício. Por isso, temos um grito de socorro: não deem esmola”, diz.

Trabalho incansável

A abordagem é persistente, mas não pode exigir que as pessoas aceitem os serviços da rede. Todos os dias, as equipes buscam convencer quem está na rua a aceitar apoio.

Todavia, na maioria das vezes, a resposta é negativa. “A comunidade tem um desejo que não podemos fazer, que é chegar e levar as pessoas”, avaliou Raqueli.

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