Em Passo Fundo, o artesanato é mais do que arte; é também geração de renda e identidade cultural. O setor vem ganhando força e reconhecimento, tanto pela formalização dos profissionais quanto pelo surgimento de novas iniciativas que ampliam a visibilidade e o alcance da produção local.
Conforme o coordenador do Sine/FGTAS em Passo Fundo, Cassiano Paim Bandeira, o cadastro de artesãos no município existe há mais de oito anos e vem crescendo de forma constante. “Somente neste ano, já são mais de 130 novos cadastros realizados. Isso mostra o quanto o artesanato tem se consolidado como atividade econômica e também como expressão cultural na cidade”, destaca Bandeira.
Segundo ele, o Sine passará por melhorias ainda em 2025. Até o fim do ano, o órgão será transferido para um novo local e contará com uma Casa do Artesão, espaço que reunirá estrutura para atendimento, exposição e venda de produtos locais. “Hoje, a confecção das carteiras é feita em Porto Alegre, com prazo de cerca de 15 dias. Estamos pleiteando uma máquina para emissão local, o que deve reduzir o tempo de espera e facilitar o acesso dos artesãos ao documento. A carteirinha não tem custo e garante diversos benefícios”, explica o coordenador.
Associação fortalece o setor
O trabalho artesanal no município também é representado pela Associação Gaúcha de Artesãos e Artistas Plásticos de Passo Fundo (AGAAPPAF), entidade fundada em 2002 que reúne profissionais de diferentes áreas e atua na promoção, valorização e comercialização do artesanato local. A associação participa de feiras, projetos culturais e eventos regionais, fomentando o contato direto entre artistas e público. “O artesanato é uma forma de sustento para muitas famílias e, ao mesmo tempo, uma expressão da nossa cultura. Cada peça vendida carrega o trabalho manual, a criatividade e o valor simbólico de quem produz. Isso movimenta a economia e valoriza a cidade”, destaca Claudete L. S. de Mattos, presidente da entidade e integrante do setorial do artesanato.
Profissionalização
A presidente ressalta que o setor está cada vez mais profissionalizado. A carteira do artesão, emitida pelo Programa Gaúcho de Artesanato (PGA), é o principal instrumento de formalização e garante benefícios como isenção de impostos, emissão de nota fiscal eletrônica e participação em feiras oficiais em todo o Estado. “A carteira comprova que o produto é realmente artesanal, o que evita revendas indevidas, e assegura direitos, como a contribuição para aposentadoria. Além disso, facilita o acesso a eventos e, em alguns casos, garante descontos na compra de materiais”, explica Claudete.
Em Passo Fundo, as associações seguem a legislação municipal que, desde 1988, exige formalização jurídica para o uso de espaços públicos. Duas vezes por ano, é feita a solicitação à Prefeitura para o uso de praças e vias, com autorização concedida pela Secretaria de Transportes. Nesses eventos, os expositores não pagam pelo espaço e podem comercializar diretamente seus produtos.
“Existem feiras organizadas por pessoas que não são vinculadas a associações nem ao setorial do artesanato. Nós prezamos pela legalidade e pela valorização de quem realmente vive do próprio trabalho manual”, completa Claudete.
Feiras de quintal ganham espaço
Além das feiras tradicionais, novas formas de exposição vêm surgindo na cidade, como as chamadas feiras de quintal, que unem criatividade, convivência e empreendedorismo. Um exemplo é a Feira de Quintal Lá na Lala, idealizada por Kassiê de Carvalho, Francine Soveral e Lauriane Crivello, que transformaram um quintal no Centro de Passo Fundo em um ponto de encontro para artesãos e público. “A ideia nasceu da nossa própria necessidade de termos onde expor o trabalho. Em apenas 12 dias, organizamos a primeira edição, com 10 expositores que acreditaram no potencial da feira. Hoje já são 15 participantes, e temos até fila de espera”, conta Kassiê.
A feira reúne majoritariamente mulheres empreendedoras, com produtos que vão de joias em cerâmica a peças em crochê, tricô, macramê, pintura e arte em madeira. “Estamos indo para a quarta edição e vemos o evento se consolidando na agenda cultural da cidade. A cada edição, cresce o número de visitantes e de expositoras interessadas. É um espaço de troca, renda e valorização do trabalho feminino”, completa.
Destaque estadual
O fortalecimento do artesanato em Passo Fundo acompanha uma tendência que se repete em todo o Rio Grande do Sul. Segundo o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), o Estado lidera o ranking nacional de novos artesãos cadastrados em 2025, com 1.809 novos registros no ano e 524 carteiras emitidas apenas em setembro.
O resultado, divulgado pelo governo estadual, é atribuído ao trabalho da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), que tem incentivado a formalização e promovido a inclusão produtiva em diferentes regiões.
Com esse movimento de expansão, o artesanato reafirma seu papel como expressão cultural e importante fonte de renda — conectando tradição, criatividade e desenvolvimento econômico em Passo Fundo e em todo o Rio Grande do Sul.


