Mudança na rota dos argentinos impulsiona hotéis em Passo Fundo no retorno do litoral

Capacidade de hospedagem e localização estratégica colocam o município no trajeto dos turistas estrangeiros

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Com maior oferta, Passo Fundo entra na rota de retorno dos turistas argentinos – Foto: Arquivo/ONCom maior oferta, Passo Fundo entra na rota de retorno dos turistas argentinos – Foto: Arquivo/ON
Com maior oferta, Passo Fundo entra na rota de retorno dos turistas argentinos – Foto: Arquivo/ON
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A tradicional rota dos turistas argentinos em direção ao litoral do Sul do Brasil apresentou uma alteração significativa nesta temporada, com reflexos diretos na rede hoteleira de Passo Fundo. Conforme o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes do município, Leo Duro, o fluxo de argentinos no deslocamento rumo às praias foi reduzido, concentrando-se, de forma atípica, principalmente no trajeto de retorno à Argentina.

Segundo o dirigente, os hotéis da cidade já começam a registrar reservas de turistas argentinos que retornam do litoral catarinense. “Observamos que praticamente não houve um movimento expressivo na ida, porém, no retorno, Passo Fundo passou a figurar com maior frequência como opção de pernoite”, explica.

Infraestrutura e escolha das rodovias

Na avaliação do presidente do sindicato, a escolha das rodovias teve papel decisivo na mudança de comportamento dos turistas. No deslocamento até o litoral, muitos argentinos optaram pela BR-290, que apresenta melhores condições de tráfego em comparação à BR-285. Contudo, ao longo do percurso, enfrentaram dificuldades para encontrar opções adequadas de hospedagem.

“Muitos acabaram parando em Pantano Grande, em residências adaptadas para receber turistas, com custos elevados. Houve situações em que, ao chegarem à noite, algumas pessoas precisaram permanecer nos veículos devido à ausência de vagas para hospedagem”, relata Duro. No retorno, a passagem por Passo Fundo mostrou-se mais viável, já que a distância até a fronteira é semelhante à da rota pela BR-290, porém com maior disponibilidade de leitos.

Impacto positivo, mas insuficiente para compensar perdas

Apesar do incremento pontual na ocupação hoteleira no retorno dos turistas, o dirigente ressalta que o movimento ainda não é suficiente para caracterizar uma recuperação do setor. A ausência do fluxo no deslocamento inicial ao litoral resultou em prejuízos para hotéis e, especialmente, para bares e restaurantes situados às margens da BR-285 e em municípios tradicionalmente inseridos nessa rota.

“Embora qualquer aumento na movimentação seja bem-vindo, não é possível afirmar que houve recuperação. Houve perda na comercialização de hospedagens e de serviços de alimentação, como almoços, cafés e jantares, ao longo do trajeto tradicional”, avalia.

Capacidade de acomodação como diferencial

Leo Duro destaca que a capacidade de acomodação de Passo Fundo permanece como um dos principais diferenciais do município, tanto para o turismo de passagem quanto para a realização de grandes eventos regionais. De acordo com ele, a rede hoteleira consolidada, aliada à ampla oferta de serviços, como restaurantes e hospitais, torna a cidade mais competitiva, especialmente em momentos em que outros municípios não conseguem absorver a demanda.

“O município dispõe de uma cadeia estruturada de hotéis, bares e restaurantes, fator que influencia diretamente na decisão de quem necessita pernoitar”, afirma. Para o dirigente, a tendência é que Passo Fundo continue se beneficiando de ajustes pontuais nas rotas turísticas, desde que mantenha padrões de qualidade, preços competitivos e capacidade adequada de atendimento.

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