Estudos definem a restauração da fachada da Catedral Metropolitana

O revestimento em cimento penteado e a dimensão do prédio exigem muitos preparativos antes da execução da obra

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Catedral Nossa Senhora Aparecida: fachada será restaurada - Foto: LC Schneider-ONCatedral Nossa Senhora Aparecida: fachada será restaurada - Foto: LC Schneider-ON
Catedral Nossa Senhora Aparecida: fachada será restaurada - Foto: LC Schneider-ON
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Em dezembro do ano passado, o relógio da Catedral Nossa Senhora Aparecida voltou a funcionar. Os delicados ajustes permitem que, além de marcar as horas, a sonoridade dos sinos também prenuncie a revigoração do imenso prédio. A restauração da parte interna está praticamente concluída. Agora, os preparativos estão direcionados para a parte exterior, com ênfase à icônica fachada da Catedral Metropolitana de Passo Fundo. Aliás, um dos símbolos de Passo Fundo. “Há uma dimensão religiosa, cultural e artística. É um patrimônio da humanidade”, enfatiza o arcebispo metropolitano Dom Rodolfo Luis Weber.

O brilho dos vitrais

As badaladas dos sinos também reverberam internamente, ecoando entre paredes e vitrais já bem restaurados. “Os vitrais são a parte mais visível, mais cara e delicada. Mas é muito importante preservar esse patrimônio”, diz Dom Rodolfo. Os vitrais são formados por peças de vidro colorido e, em etapas, foram delicadamente recuperados. Agora, os 14 painéis brilham com mais nitidez. Etapa concluída com sucesso, juntamente com outros reparos internos. Como a pintura, praticamente finalizada. “Falta apenas alguns detalhes, como o acabamento de um lado, onde está a imagem do Patrono da Igreja, São José. No outro, o Sagrado Coração de Jesus. À esquerda, tinha uma salinha de atendimento. Agora faremos um altar, um espaço mais original”, complementa.

Dimensão e relevância

Além de os significados espiritual e material, o imenso prédio também abriga importantes obras sacras. Dimensão e relevância são fatores que amplificam a cautela nas intervenções desse patrimônio. Dentre tantos detalhes, estão os recortes no forro, pequenos quadrados para a ventilação que ocorre por convecção. “Esses respiros no forro têm uma tela e é tudo um pouco delicado. Ainda falta esse serviço, pois no Natal as obras pararam”, informa o arcebispo. Aparentemente, uma simples limpeza de telinhas no teto. Mas, como tudo na Catedral, o pé-direito também está na proporcionalidade do gigantesco prédio. Assim, qualquer ação exige enormes equipamentos, planejamento e muita prudência.

A fachada

Agora, o foco é a preparação para a intervenção na parte externa. Isso significa a restauração da fachada da Catedral, um recorte icônico na paisagem de Passo Fundo. Habitualmente, o padre Ari Antônio dos Reis, pároco da Catedral, diz que “com sua fachada a Catedral de comunica com o mundo externo”. Com certeza, há um diálogo entre o prédio na área central e os olhares das pessoas. Porém, como não se trata de uma edificação comercial nos padrões habituais da arquitetura, há uma complexidade maior no momento de realizar reparos. O arcebispo informa que nos próximos dias começam as definições. “Teremos um acerto com a arquiteta Simone Neutzling, de Pelotas, que é especialista em restauro e materiais como o da Catedral. Um bom projeto de restauração que será feito após sua visita, para avaliar e depois elaborar”, disse Dom Rodolfo.

Cimento penteado

A bonita fachada da Catedral Nossa Senhora Aparecida tem riqueza em detalhes, admirados desde julho de 1951, quando ali foi instalada a Diocese de Passo Fundo. O revestimento é em cimento penteado, área onde a arquiteta Simone é especialista e, ainda, tem publicações sobre a técnica. “Cimento penteado revestimento externo que teve ampla utilização como forma de imitação de pedra. Sua composição consiste em uma argamassa à base de cimento e areia que, através da adição de mica, pó de pedra e pigmentos, adquire diferentes acabamentos e tonalidades”, detalhou Simone Neutzling.

As laterais

O templo já atinge a quase totalidade da restauração interna. A icônica fachada logo estará tapada pelos andaimes e, em seguida, receberá um banho de material rejuvenescedor. Mas o prédio tem quatro paredes. “Após a fachada e as torres, faremos os reparos necessários nas laterais, com reboco e pintura nova. Em alguns pontos o reboco caiu”, explica o arcebispo. A parte dos fundos é a mais bem conservada e demandará pequena intervenção. “A parte estrutural está bem”, enfatiza. Isso significa que apenas serão feitos reparos no telhado, cuja estrutura em madeira está boa e bem conservada, pois recebe constante tratamento anticupim.

“O prédio é da comunidade”

O prédio é material, mas Dom Rodolfo Luis Weber enfatiza sua importância “no conjunto da convivência católica. “O prédio é da comunidade. Somos todos corresponsáveis. A Catedral não é do bispo, é da comunidade e tem importância cultural e até para o turismo. Já conversei com argentinos e até chineses em visita à Catedral”.

Custo elevado

A imensidão da Catedral Metropolitana não está limitada ao seu tamanho ou abrangência no acolhimento espiritual. Também é grande no momento de realizar algum reparo. O arcebispo explica que a reforma é em etapas, pois segue um cronograma em paralelo com a disponibilidade de recursos. E, então, acompanha o fluxo da verba obtida através da campanha “Seja um Amigo da Catedral”, através de doações.

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