Faltando quatro dias para a Páscoa, celebrada neste ano no dia 5 de abril, o comércio de Passo Fundo já registra aumento no fluxo de consumidores, com expectativa de intensificação do movimento ao longo da semana. A tendência segue um comportamento já observado em anos anteriores: grande parte das compras ocorre nos dias que antecedem a data.
De acordo com levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), utilizado como referência pela CDL Passo Fundo por considerar um público de perfil semelhante, 50,5% dos consumidores deixam para comprar os presentes na própria semana da Páscoa. Outros 12,5% ainda realizam as aquisições na véspera, o que deve impulsionar ainda mais o movimento nos próximos dias.
A pesquisa também aponta mudanças no comportamento de consumo. Embora o chocolate siga como principal escolha, há uma diversificação nas opções. Os dados indicam que 61,1% pretendem comprar chocolates em outros formatos, como barras e caixas de bombom, enquanto 52,1% ainda optam pelos tradicionais ovos. Doces e guloseimas aparecem com 27,4%, reforçando a busca por alternativas mais acessíveis.
Ticket médio
Outro dado relevante é o valor gasto. A maior parte dos consumidores (39,9%) pretende investir entre R$ 101 e R$ 200 nos presentes de Páscoa, demonstrando uma adaptação ao cenário econômico atual. Além disso, os filhos seguem como os principais presenteados, citados por 62,4% dos entrevistados, o que reforça o caráter familiar da data.
Para o diretor da CDL Passo Fundo, Roberto Estivallet, a data mantém sua relevância mesmo diante de um cenário de maior cautela por parte do consumidor. “A Páscoa se consolidou como uma das datas importantes para o comércio, especialmente pelo apelo emocional e familiar. Mesmo com o consumidor mais cauteloso, a intenção de compra permanece. O que muda é a forma de consumir, com mais pesquisa de preços, planejamento e busca por alternativas”, destaca.
Segundo ele, o comportamento do público tem levado o comércio a se adaptar. “O chocolate continua sendo o protagonista, mas cresce a procura por cestas, kits personalizados e opções mais acessíveis. O consumidor não deixou de comprar, ele mudou a forma de comprar, e o comércio responde com estratégia, diversificação e criatividade”, afirma.
Estivallet também reforça que a concentração das compras nesta última semana deve impactar diretamente o movimento. “Cerca de metade dos consumidores deixa para comprar nessa semana, o que aumenta o fluxo nas lojas. Em Passo Fundo, a expectativa é positiva, com o comércio mobilizado, investindo em campanhas, variedade de produtos e condições facilitadas”, pontua.
Além do impacto direto nas vendas, a data tem papel importante na economia local. “A Páscoa não é apenas uma data comercial. Ela movimenta segmentos que esperam o ano inteiro por esse período, gera renda, mantém empregos e contribui para a circulação de recursos na cidade”, completa.
Projeção otimista
A projeção otimista também se reflete na realidade de lojistas locais. A empresária Michele Montipó, que atua desde 2013 com ateliê de confeitaria especializado em bolos e doces finos, destaca que o movimento deste ano já começou aquecido. “O período de Páscoa iniciou de forma bastante consistente e alinhado com o que projetávamos. Observamos um consumidor mais decidido, com foco em qualidade, apresentação e experiência”, relata.
Segundo ela, a procura por produtos diferenciados tem crescido. “Nos últimos dias tivemos um avanço importante nas encomendas, especialmente de ovos especiais e caixas presenteáveis. Neste ano também incluímos opções sem adição de açúcar, que vêm tendo ótima aceitação”, afirma.
Para os dias que antecedem a data, a expectativa é de aumento ainda maior na demanda. “A tendência é de intensificação do fluxo, com pico próximo à Páscoa, como já é tradicional. Estamos trabalhando com planejamento antecipado, reforço de equipe e organização da produção para garantir eficiência e manter nosso padrão de qualidade”, explica.
A empresária projeta resultados positivos. “A expectativa é de uma Páscoa muito boa, tanto em volume quanto em faturamento, principalmente em um mercado que valoriza produtos artesanais e diferenciados”, conclui.



