Pouco se ouve falar em rádios a válvula. Raramente, se ouve o som de um aparelho desses. Mas isso não significa o fim daqueles que foram os mais sofisticados eletrodomésticos na segunda metade do Século XX. No seu caminho, vieram os receptores transistorizados, os famosos 3x1 (rádio, toca-fitas e toca-discos) e os rádios automotivos com fita cassete. Apenas peças de museu? Não! Essas preciosidades encontram atendimento especializado em Passo Fundo. Não importa o modelo, aos 74 anos, Ivanir Heitor Poma abraça o desafio em sua Oficina do Som Antigo. É uma viagem aos tempos das válvulas e uma aula sobre a evolução tecnológica.
Família Poma
Em meio aos velhos e eficientes instrumentos de medição, Ivanir mantém a tradição em eletrônica da Família Poma. Seu pai, Elmes Poma, foi um dos pioneiros no segmento. “A oficina ficava na Capitão Eleutério, ao lado do famoso Bar do Adão. Trabalhou até o final dos anos 1970. Meu irmão do meio, Euclides, foi quem permaneceu mais tempo com a oficina. O mais velho, Eledo, foi trabalhar com eletrônica já depois de aposentado”. O pai Elmes, os irmãos Eledo e Euclides já saíram do ar, mas, com certeza, colocaram no ar dezenas de milhares de equipamentos em Passo Fundo. Ivanir praticamente nasceu dentro da oficina. Aprendeu o ofício, mas abraçou a topografia, trabalhou como músico e por um tempo perambulou pela Bahia.
Aprendizado por correspondência
“Com 12 anos eu já varria a oficina, estava em contato com os equipamentos e fui me ambientando”. Se hoje temos o EAD, ensino à distância, naquela época a formação técnica era através de cursos por correspondência. “Eu fiz o do Instituto Monitor (atualmente atua em EAD), que era o melhor de todos, e também o do Instituto Universal. Vinham livros e polígrafos com os esquemas eletrônicos e os questionários”. Ivanir faz parte de uma geração pioneira da EAD via Correios. E, é claro, com a vantagem de contar com as orientações do pai e dos irmãos, além de dispor de todo ferramental. Manteve oficinas na General Canabarro e no Boqueirão. Atuou como autônomo na sonorização do Hospital São Vicente. E, agora, cuida com carinho de preciosidades da eletrônica.
Marcas famosas
Ao entrar na Oficina do Som Antigo, a memória gira na velocidade de reverso do rolo de um gravador Akai. O impacto no reencontro com o passado não permite olhar apenas para um aparelho, pois todos são interessantes e atrativos. É claro que um rádio de cabeceira, um pequeno receptor Philips valvulado, brilha como uma joia. Mas, logo uma pilha de aparelhos tipo 3x1 lembra que o modelo foi o top nas salas de jantar nos anos 1970/90. Sony, Sharp, Gradiente, Philips, Philco, CCE e tantos outros já estão recuperados (alguns à venda) ou em recuperação. E o som automotivo marca presença com os famosos Motorádio, TKR, CCE ou Mitsubishi.
Da gurizada ao Gildinho
Sentado à bancada, Ivanir Poma está bem acompanhado. Na mesa o indispensável multímetro, na prateleira os geradores de áudio e de radiofrequência. “Além dos rádios, aparecem muitos 3x1, eletrolas, toca-discos e toca-fitas automotivos”, conta para definir o que passa por ali. Enquanto ajustava uma placa de 3x1, explicou que a clientela não tem a mesma idade dos equipamentos. “É dos 18 aos 35 anos, porque está aquecido o mercado do disco de vinil e eles querem comprar ou consertar um toca-discos”. Mas também passaram pela oficina clientes importantes, como o, recentemente falecido, Gildinho dos Monarcas. “Restaurei para ele uma eletrola Philips valvulada”, conta com muito orgulho.
Da madeira às válvulas

“Os clientes mais velhos são aqueles que querem aproveitar um rádio antigo da família e trazem para restaurar. Recupero a parte de madeira e dentro coloco um sistema mais moderno com FM e até entrada USB. Em outros, troco algumas peças, principalmente os eletrolíticos (capacitores) que estragam com o tempo, coloco transistores ou diodos, depende do caso”. Poma não abre mão do orçamento antes do serviço. Os custos operam em baixa impedância, pois a recuperação de um 3x1 oscila de R$ 100 a 800 e de um toca-discos entre R$ 200 a 300. E o rádio a válvula? Poma deu um sorriso e confessou sua paixão. “Eu gosto mais de trabalhar com rádio a válvula. O problema são os componentes, pois quase não tem mais peças”.
As queridinhas do técnico

Ivanir Poma é apaixonado pelo que faz e não esconde suas preferências. “Em rádio a válvula eu sou expert em trocar as correias, pois desde piá era o meu serviço na oficina. Os melhores a válvula são os da linha Philips. Já em rádios transistorizados o melhor que eu conheço é o Transglobe da Philco. Nos aparelhos de som prefiro o Gradiente, pois é o Fusca dos aparelhos”.
SERVIÇO
Oficina do Som Antigo
Rua Independência, 1109
Telefone – (54)99104-6130
Passo Fundo – RS


