Em um bairro, um grupo se une para ensaiar coreografias. Entre amigos, surge a ideia de estudar teatro. Um ou outro músico surge, a cada final de semana, nos bares da cidade. Cada iniciativa cultural, esteja ela escondida entre as ruas ou exposta nos palcos, é a prova de que, em Passo Fundo, há, ainda que tímida, uma forte demanda por cultura.
Para atender tal demanda, a Secretaria de Desporto e Cultura propôs, para 2013, intensidade nos trabalhos. Uma das propostas é o blog do Plano Municipal de Cultura, colocado no ar na terça-feira, 02, à noite. O responsável pela Coordenadoria Municipal de Cultura, Pedro Almeida, destacou, em sua página do Facebook que esta é “uma ferramenta importante para o diálogo com a sociedade, com os artistas e todos os envolvidos com a cultura da cidade”.
Em entrevista, o secretário José Ernani de Almeida coloca que antes de elaborar um plano, de fato, é preciso reunir todas as entidades ou pessoas responsáveis pela cultura em Passo Fundo: “Estamos fazendo levantamentos com o apoio do IBGE, buscando informações nos bairros para descobrir quais são as manifestações artísticas que existem na cidade. Queremos trazer pessoas da área de história, sociologia, de artes e da comunicação para ter espaços para opinar”. Ele explica, ainda, que o PMC deve ser entregue no fim de dezembro, e este permitirá que projetos possam ser enviados ao MEC e, dessa forma, sejam arrecadados recursos para iniciativas culturais.
A intenção, ainda, é, através do Plano, identificar aspectos característicos: “É preciso identificar qual é a verdadeira identidade de Passo Fundo. Quem é a cidade, simbolicamente? Quem Passo Fundo é? Que modelo nós queremos do ponto de vista cultural? O que é Passo Fundo culturalmente?”, questiona o secretário. “Ninguém vira alguma coisa por decreto. É preciso primeiro fazer uma avaliação: afinal de conta, o que nós somos?”.
Tal avaliação, segundo ele, inicia pela reunião de grupos teatrais, de dança ou canto e, também, de atores ou entidades independentes. “Existem manifestações culturais que nem se imagina. Nós não podemos fazer tudo sozinhos...”, inicia. Depois de reunir o material necessário, tudo é colocado no papel: “Só a partir daí, poderemos arrecadar verbas oferecidas pelo Ministério da Cultura”, explica.
Além de identificar culturalmente a cidade e arrecadar verba para a iniciativa cultural, o PMC deve estabelecer Pontos de Cultura na cidade. José Ernani explica que tais pontos serão trabalhados para a propagação da arte entre os bairros e, ainda, possibilitar apoio e divulgação a grupos menores: “É preciso abrir espaço para quem está esquecido. E, para isso, é preciso saber onde fazer e como fazer, por isso, o planejamento. Assim, teremos condições de oferecer o melhor para a população”, comenta.
Além do PMC, foi aprovado, no início do ano, o Fundo Municipal de Cultura. Através deste, recursos obtidos em multas de setores da municipalidade serão carreados para a iniciativa cultural o que possibilita a ampliação da manifestação cultural na cidade e, ainda, maior qualidade do que é apresentado à população.
Tais iniciativas, para José Ernani, são uma proposta de inserção das pessoas na cultura da cidade: “A partir daí, queremos tornar a cultura acessível a todos e não apenas a um nicho e, ainda, melhorar o nível cultural de quem vive aqui.”, conclui o secretário.


