O ano de 2021 foi marcado pela retomada gradual da economia, mas a inflação está impactando no poder de compra do brasileiro. Além disso, o desemprego continua em alta. As perspectivas para o ano que começa são de desaceleração. Então, o momento ainda é de cautela. O conselho para este momento é estabelecer prioridades e renegociar as dívidas.
Como foi o ano de 2021
A economista Cleide Moretto, professora da UPF e diretora da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis (Feac), enfatiza que a retomada gradual da economia em 2021 ocorreu especialmente depois do relaxamento das medidas de isolamento social. Conforme a economista, a manutenção dos programas sociais e do auxílio emergencial contribuíram para que a dinâmica produtiva e econômica fosse positiva, com estimativas do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próximas a 4,7%. Por outro lado, essas medidas acabaram fazendo parte de outro movimento, o de elevação da inflação, a inflação de demanda, que já atinge os dois dígitos.
No terceiro trimestre de 2021, a economia brasileira entrou no que se denomina de recessão técnica, quando o PIB apresenta dois trimestres de queda. A maior queda foi para o setor agropecuário e nas exportações. “A inflação corroeu o poder de compra dos brasileiros e as taxas de desemprego continuam altas, o que limita as possibilidades de expansão na demanda nesse final de ano”, observa Cleide.
Perspectivas para 2022
As previsões para o próximo ano são de desaceleração. “A revisão das projeções do PIB brasileiro para 2022 baseia-se na desaceleração enfrentada no final de 2021, que deverá persistir até meados do próximo ano, em função sobretudo dos gargalos nas cadeias de suprimentos da indústria, inflação elevada e elevação da taxa de juros, para conter a inflação de demanda”, ressalta a economista.
A taxa de juros mais elevada desloca recursos do setor produtivo para o setor financeiro, o que compromete o nível de renda e do emprego, de modo geral. “Por ser um ano eleitoral, algumas medidas para atenuar a restrição de demanda serão implementadas, o que implicará em maiores níveis de endividamento também para o setor público”, comenta a economista.
Como comprar bem e não se endividar?
O primeiro conselho da economista nesse cenário, é que as pessoas repensem suas atitudes relativas ao consumo, pois é fundamental que seja estabelecida uma hierarquia de necessidades, assim como a definição de prioridades. O alerta é: se não possui renda, não compre. “O cartão de crédito é uma moeda artificial, não é renda extra. Se você utilizar o limite do cartão você está utilizando uma renda que não possui e esse gasto se transformará em dívida. Mudar a atitude é fundamental”, salienta Cleide.
Já estou endividado: e agora?
A sugestão para quem está endividado é renegociar as dívidas, pagar as que possuem uma taxa de juros e um custo maior, rever prazos, mas sempre respeitando os limites da renda para não se envolver em novos comprometimentos no longo prazo. “Nossos hábitos de consumo em um número expressivo de parcelas tendem a fortalecer essa vulnerabilidade ao endividamento”, afirma a economista.
Confira 5 dicas principais para despesas:
Todo ano, muitas pessoas se endividam para pagar gastos já previstos como tributos federais, estaduais e municipais, como é o caso do IPVA e do IPTU, matrículas escolares, por exemplo. A economista enfatiza que esses gastos não são extras, são previstos. Conforme ela, outros gastos extras podem interferir na capacidade financeira e a precaução precisa ser pensada como um item do planejamento. Para isso, siga as dicas a seguir:
1 - Identifique as despesas previstas, elas precisaram ser provisionadas.
2 - Avalie o montante real de renda disponível para os gastos com o período de festas.
3 - Estabeleça o que é prioritário, imprescindível e o que pode ser adiado ou substituído.
4 - Não caia em armadilhas que envolvam o parcelamento das compras, pois o problema de falta de renda apenas será adiado.
5 - Não compre por impulso, pois o preço pago por uma atitude impensada é alto, financeiramente e psicologicamente.
Balcão do Consumidor
A UPF conta com o Programa de extensão Balcão do Consumidor, que tem como foco trabalhar a mediação nas relações de consumo. Caso necessite de alguma ajuda nesse sentido, o Balcão está localizado no Prédio Administrativo, J1, no Campus I da UPF. O serviço funciona das 13h30min às 17h30min, de segunda a sexta-feira. O consumidor pode procurar o projeto por meio do telefone (54) 3316-8518 ou pelo e-mail [email protected], além dos dois guichês de atendimento junto ao Procon de Passo Fundo.



