A safra de grãos de verão 2025/2026 do Rio Grande do Sul deverá registrar um crescimento expressivo em relação ao ciclo anterior. De acordo com estimativas divulgadas ontem (2) pela Emater/RS-Ascar, durante o tradicional Café com a Imprensa na Expointer, a produção estadual deve alcançar 35,3 milhões de toneladas. O número representa um incremento de 27,3% sobre as 27,7 milhões de toneladas colhidas em 2024/2025.
O levantamento considera as principais culturas cultivadas no Estado no período de verão, incluindo soja, milho, arroz, feijão, milho silagem e sorgo. Os números refletem tanto o impacto positivo da última safra, após anos de perdas provocadas pela estiagem, quanto a influência de políticas públicas de incentivo ao plantio, especialmente no caso do milho.
Soja: menos área, mas safra histórica
A soja segue como a principal cultura do Rio Grande do Sul e é responsável pela maior fatia da projeção de crescimento. A área cultivada deverá recuar 0,8%, passando de 6,79 milhões para 6,74 milhões de hectares. Apesar disso, a produção estimada é de 21,44 milhões de toneladas, um aumento de 57,1% em relação à safra passada, quando foram colhidas 13,64 milhões de toneladas.
Esse resultado é explicado pelo forte incremento de produtividade. A expectativa é colher 3.180 quilos por hectare, o que representa 58,29% acima da média de 2.009 quilos por hectare registrada no ciclo 2024/2025. O diretor técnico da Emater/RS, Claudinei Baldissera, ressaltou que mesmo com a ligeira redução na área plantada, regiões como Bagé, Ijuí e Santa Maria ultrapassam a marca de 1 milhão de hectares destinados à oleaginosa. “O que observamos é que o produtor mantém a soja como prioridade, mas após os impactos da estiagem anterior há uma busca maior por equilíbrio nas lavouras. Esse aumento de produtividade esperado deve garantir uma safra histórica para o Estado”, destacou Baldissera.
Milho: área em crescimento e produção reforçada
O milho também terá protagonismo nesta safra. A área destinada ao milho grão deve crescer 9,31%, passando de 718,1 mil hectares para 785 mil hectares. A produção estimada é de 5,79 milhões de toneladas, crescimento de 9,45% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 5,29 milhões. A produtividade deve se manter estável, em torno de 7.376 quilos por hectare.
No caso do milho silagem, utilizado principalmente na alimentação animal, a área plantada deve alcançar 366 mil hectares, alta de 2,74% sobre o ano anterior. A produção esperada é de 14 milhões de toneladas, 8,29% a mais do que a obtida em 2024/2025.
Baldissera observa que as variações na produtividade entre as regiões refletem características locais, mas reforça que o milho se mantém como cultura estratégica, especialmente para regiões que concentram atividades de suinocultura, avicultura e bovinocultura de leite.
Outras culturas: arroz, feijão e sorgo
O arroz, que segue como cultura relevante no Estado, terá redução na área cultivada. De acordo com o Irga, a expectativa é de queda de 5,17%, com 920 mil hectares nesta safra, contra 970 mil no ciclo anterior. A produção deverá ficar em 8,05 milhões de toneladas, uma redução de 8,1%.
O feijão 1ª safra também deve encolher. A área projetada é de 26,1 mil hectares, 15,27% menor do que a registrada em 2024/2025. A produção deve cair 17,27%, somando 46,4 mil toneladas.
Já o sorgo aparece como novidade no levantamento, com 11,8 mil hectares previstos no Rio Grande do Sul, concentrados principalmente na região de Bagé, onde ultrapassa os 8 mil hectares.
Região de Passo Fundo: estabilidade com leve avanço do milho
Na região de Passo Fundo, composta por 33 municípios, os números seguem a tendência estadual. A soja terá uma redução de 3,3 mil hectares, totalizando 654,9 mil hectares, enquanto o milho deve registrar acréscimo de 6,8 mil hectares.
Segundo o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, o cenário pode ser considerado estável, com variações pequenas e dentro da normalidade. “A soja deve se manter em torno de 650 mil hectares, com uma pequena redução, e o milho pode alcançar entre 60 mil e 70 mil hectares, mostrando um crescimento moderado. Esse aumento se deve tanto ao bom resultado da última safra quanto a políticas públicas de incentivo, como o programa Milho 100% e o Troca-Troca de sementes”, explicou.
Adami também reforça a importância da rotação de culturas para garantir a sustentabilidade produtiva. “Se repetirmos muito a soja, aumentam os riscos de pragas e doenças. O ideal seria termos até 200 mil hectares de milho na região, mas nos últimos anos a média tem sido de 60 a 70 mil. O milho é estratégico para a produção de proteína animal e a região de Passo Fundo tem forte atuação em leite, suinocultura e avicultura”, destacou.
Além disso, ele aponta que muitos produtores já iniciaram o plantio neste início de setembro, aproveitando a janela ideal da cultura. Parte das lavouras, contudo, ficará para novembro, principalmente em áreas ocupadas atualmente por trigo.
Condições climáticas
As estimativas de produção também levam em conta as projeções climáticas. O meteorologista da Secretaria da Agricultura, Flávio Varone, destacou que a primavera deverá registrar chuvas dentro da média em setembro e outubro, mas novembro deve ser mais seco. As temperaturas ficarão acima da média entre setembro e novembro, tendência que deve se repetir no verão, quando as chuvas devem se manter próximas da normalidade.
Varone lembrou ainda que os dados meteorológicos são atualizados semanalmente e estão disponíveis no Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos do RS (Simagro).


