OPINIÃO

HOMENS E MULHERES (7) - MONOGAMIA

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Formamos pares

           Apesar de alguns senões do comportamento sexual, especialmente dos machos, a realidade mostra que nós, humanos, somos uma espécie que forma pares. Em toda cultura humana registrada pelos antropólogos, o casamento – seja monogâmico ou poligâmico, permanente ou temporário – é a norma. E a família ainda é considerada a célula da organização social. Os pais em todo o mundo sentem amor pelos filhos, e esse sentimento leva-os a ajudarem a alimentar e defender os filhos e lhes transmitir ensinamentos úteis.

Pulando a cerca

Já vimos que os machos de nossa espécie têm uma disposição agressiva e imediata de manter relações sexuais com tantas fêmeas quantas puder ou houver disponíveis. Assim, como qualquer um de nós pode constatar, um pai pode facilmente abandonar a mulher e tentar acasalar-se com outra, enquanto a mãe fica com o abacaxi, não podendo livrar-se do feto ou da prole sem ter de passar pelo longo processo de nutrir novamente um embrião para voltar aonde tinha começado. Embora as fêmeas sejam, em geral, menos libidinosas do que os machos, estão longe de ser puritanas. Também elas pulam a cerca, embora bem menos do que os machos. Sendo assim, como se explica a monogamia?

Investimento parental masculino (IPM)

           Fatores biológicos, culturais, históricos e psicológicos promovem a monogamia, a relação com um só parceiro amoroso ou sexual, que pode durar a vida toda ou um período. A razão biológica para a monogamia tem a ver com a chamada teoria do “investimento parental masculino” (male parental investment), proposta pelo biólogo Robert Trives. A teoria IPM refere-se ao tempo, energia e recursos que os machos dedicam à sobrevivência e ao sucesso de sua prole. Esse conceito é fundamental para a biologia e a psicologia evolutivas, especialmente para a compreensão dos comportamentos de acasalamento e da seleção sexual.

Os humanos têm alto IPM

           Os machos da espécie humana têm um alto IPM (investimento parental masculino). Não é tão alto quanto o investimento feminino nos filhos, mas é bem mais alto do que o dos primatas. Os extremos cuidados exigidos pelos filhos fizeram as metas cotidianas dos machos e fêmeas humanos convergirem e, como qualquer pai e mãe sabem, isto pode lhes proporcionar periodicamente uma profunda alegria comum”, diz Robert Wright

Vulnerabilidade dos filhos humanos (1)

           À medida que os humanos se tornaram mais inteligentes seus crâneos se tornaram maiores. Somado a isso, a postura ereta criou um problema para as mulheres: caminhar sobre os dois pés implicou numa pélvis estreita e, portanto, o canal de nascimento, formado pelo colo uterino, a vagina e a vulva, ficou estreito, enquanto as cabeças dos bebês estavam maiores que nunca. Em consequência, os bebês humanos nascem prematuramente. Os bebês chimpanzés são capazes de se pendurar às mães permitindo que elas caminhem com as mãos desocupadas. Os bebês humanos, porém, comprometem seriamente a capacidade da mãe de coletar alimentos. Durante meses são simples montes de carne indefesas, chamarizes para tigres e outras feras. Nossos ancestrais viveram milhares de anos em ambientes ameaçados por perigosos predadores, como grandes felinos, hienas e crocodilos. Havia também a ameaça constante da violência entre os humanos. Nosso passado era de uma “violência horripilante”, diz Steven Pinker no livro “Os anjos bons da nossa natureza: por que a violência diminuiu”.

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