Ainda que o nome de José Maria de Eça de Queiroz (ou Queirós, conforme grafia alternativa atualizada) não apareça na célebre lista dos cânones ocidentais de Harold Bloom, para nós, os lusófonos, esse escritor, indiscutivelmente, ocupa lugar de honra no simbólico panteão dos grandes autores da língua portuguesa. A sua obra traz a marca da intemporalidade, uma vez que, mesmo tendo sido escrita e boa parte publicada na segunda metade do século XIX, se mostra mais atual do que nunca. Quer saber por quê? Então você é nosso convidado para, nesse sábado (7 de março de 2026), comparecer na Academia Passo-Fundense de Letras (Av. Brasil Oeste, 792), às 9h30, quando, como parte da programação cultural 2026 da instituição, o acadêmico Luiz Juarez Nogueira de Azevedo vai proferir conferência sobre a temática em voga. Você é muito bem-vindo!
Eça de Queiroz nasceu em Póvoa de Varzim, em 25 de novembro de 1845, e morreu em Paris, em 16 de agosto de 1900. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, seguiu a carreira diplomática, tendo ocupado o posto de cônsul em Cuba, no Reino Unido e, por último e derradeiro, em Paris. Foi um escritor prolífico, criador de jornais, revistas e colaborador assíduo na imprensa brasileira e portuguesa. Dominava a língua de Camões como poucos da sua época, valendo-se de humor refinado e senso estético apurado, para, em romances memoráveis, dissecar a burguesia lusa e a corrupção do clero, além de ser visto como o iniciador do realismo na literatura de Portugal.
Os Maias, de 1888, é considerada por muitos a sua obra-prima. Também são bem-conhecidas, O crime do padre Amaro (1875), O primo Basílio (1878) e A cidade e as serras (1901), entre outras, além da autobiografia Correspondência de Fradique Mendes (1900). Os Maias e O primo Basílio, talvez sejam as mais populares no Brasil, por terem sido adaptadas no formato de minisséries pela Rede Globo de Televisão.
Da lavra de Eça de Queiroz nasceram personagens inesquecíveis. São exemplos o conselheiro Acácio, de O primo Basílio, e Jacinto de Tormes, do romance A cidade e as serras. A caracterização física e comportamental do conselheiro Acácio e o seu vocabulário singular, que, por usar linguagem rebuscada para dizer o óbvio, chegou ao ponto de dar origem ao adjetivo “acaciano”, virando, no mundo real, por beirar o ridículo, um elogio nada desejável. E Jacinto de Tormes, o fidalgo e intelectual, que ao deixar a agitada vida parisiense, por obra do acaso, descobre a felicidade propiciada pelo reencontro das suas raízes rurais nas serras de Tormes. Mudou, radicalmente, o seu modo de vida e passou a enxergar os contrastes entre as elites citadinas e as classes subalternas.
O palestrante, Juarez Azevedo, além da excelência no domínio da obra de Eça de Queiroz, justifica a presença. Egresso da quinta turma de bacharéis (1963) da Faculdade de Direito da Sociedade Pró-Universidade de Passo Fundo (SPU), que, pela fusão com o Consórcio Universitário Católico (CUC), daria origem, em 1968, à Universidade de Passo Fundo (UPF), é considerado um dos maiores jurisconsultos do Rio Grande do Sul. Exerceu múltiplos papéis como operador do Direito. Fez uma carreira exitosa, na área jurídica, atuando ao longo de 45 anos (1963-2008), seja na advocacia privada, como professor de Direito (1965-2008, por duas vezes, diretor da Faculdade de Direito da UPF), como advogado de oficio (atuais defensores públicos) e no posto de Consultor-Geral do Estado (atual Procurador-Geral do Estado). E, atento às mudanças impostas pela Constituição de 1988, passou a prestar concursos (provas e títulos) para tabelionatos de protestos e cartórios de ofício. Em setembro de 2008, assumiu como oficial do Registro de Imóveis em Passo Fundo.
Juarez Azevedo, nome pelo qual Luiz Juarez Nogueira de Azevedo é mais conhecido localmente, é de origem portuguesa pelos quatro costados (filho de Astrogildo Palmeiro de Azevedo e Dalva Nogueira de Azevedo, que descendiam de portugueses vindos para o Brasil no século XVIII/início do XIX). Literalmente, ele admite ter nascido dentro de um cartório, estabelecimento que funcionava na casa paterna, e que, talvez, venha encerrar a sua “longa e demorada” trajetória, conforme rotulada pelo próprio, poeticamente, dentro de outro: no Registro de Imóveis, em Passo Fundo.

