OPINIÃO

Teclando - 01/04/2026

O que não é tombado, tomba

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O que não é tombado, tomba

Depois de a poeira que sucede a demolição, vêm as lágrimas. O brilho do líquido salgado nos olhos é plurissignificativo: tristeza, arrependimento, raiva, culpa, omissão, impotência... Isso acontece cada vez que um pedaço físico da história é derrubado. Não foi diferente, agora, com a demolição do prédio da Faculdade de Direito na Rua Paissandu.

Há 75 anos, em Saudosa Maloca, Adoniran Barbosa retratou esse sentimento tábua por tábua. Agora, foi tijolo por tijolo. Lágrimas recentes também para os ginásios Capinguí e Maggi De Cesaro ou a esquina da Lago e Iaione. Foi, é e assim será. É o mercado, onde empreendedores investem e não podem ser crucificados por isso.

Há, porém, dois grandes poréns: o desleixo e o desrespeito à memória. O desleixo, voluntário ou involuntário, é baseado no abandono que propicia a degradação até despencar e, então, demolir. Já o desrespeito à memória é uma inexplicável burocracia sem justificativa, embalada pelo jogo de empurra-empurra.

Enquanto “aguarda” pelo lerdo processo de tombamento, a história tomba. Ora, se o tom é de modernidade, não há como agilizar os tombamentos? Seria por falta de interesse ou por interesses? Sorte nossa, alguns investidores vêm salvando mais que os poderes públicos. Vide Solar do Glória e Sobrado da Brasil.

Sem chorar pelo leite derramado, vamos evitar novas lágrimas. Já tombada, se não receber o carinho necessário a Chaminé da Brahma logo tomba. Os tijolos merecem uma boa limpeza. A iluminação está apagada, inclusive as obrigatórias lâmpadas de sinalização.

Situação bem pior é da Casa do Engenheiro Chefe da Viação Férrea, Avenida Sete com Chicuta. Enquanto as esferas públicas discutem competências e alçadas, está despencando. Então, Joca e Mato Grosso montaram nova maloca. Alguém fará algo? Quando ninguém é o responsável, todos somos os irresponsáveis!

Fernando

Na Mesa Um do Bar Oásis, em Sessão Ordinária das segundas-feiras, escutei resgados elogios à coluna de Fernando de Castro nas páginas de O Nacional. A avaliação ganhou peso, pois as palavras saíram da boca erudita de um acadêmico das Letras passo-fundenses: Luiz Juarez Nogueira de Azevedo. Leitor por vocação, é crítico literário com ampla visão e detalhista com olhos gramaticais afiados. “A coluna do guri do Múcio está maravilhosa, uma delícia de leitura”. Se Juarez Azevedo falou, quem sou eu para discordar. Que moral, hein Fernandinho?

1º de abril

O 1º de abril, não fosse mentira seria apenas uma piada. É tão desacreditado, que até antecipou data de golpe. Já foi bem mais divertido, como o autêntico dia da mentira. Há alguns tempos, trotes e brincadeiras eram tradicionais na data. Hoje, a concorrência do humor gerado pela vida pública diminui-o para um insignificante primeirinho de abril. Então, acredito que mentiras eternizadas, como a Transbrasiliana e a duplicação Passo Fundo-Marau, liquidaram com as mentirinhas do querido primeiro de abril. Isso não é mentira.

Caminhões

Aumenta o número de enormes caminhões que atravessam a Avenida Brasil. Seria interessante um trabalho estatístico, pois, empiricamente, acho que a quantidade diária supera a de veículos na Procissão de São Cristóvão. Se me pagarem R$ 1,00 por caminhão que, ilegalmente, atravessa a cidade, ficarei milionário em menos de um ano. Então, imaginem o que isso renderia em multas?

Bajuladores

O complexo de vira-latas dos oportunistas é repugnante. Enquanto veneram o falso brilho distante, os baba-ovos de plantão desrespeitam o que é local. Há tempos gostam de dar. E, é claro, continuam dando sem parar. Agora, também deram na praça.

Centenário

E lá se foram 286 dias após o Centenário de O Nacional. Faltam apenas 79 dias para os 101 anos. Números que exigem muito respeito, especialmente de emergentes oportunistas.

Pastelaria

Já que ninguém fiscaliza, informo a quem de direito que prossegue o fedor exalado pela pastelaria aqui embaixo.

Trilha sonora

Gino Paoli - Sapore di Sale

 

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