O crescimento dos golpes virtuais, especialmente aqueles em que criminosos se passam por advogados, acendeu alerta em Passo Fundo. Só neste ano, o município registrou 180 ocorrências entre golpes consumados e tentativas relacionadas ao “golpe do falso advogado”, conforme informou a delegada Carolina Goulart durante mobilização realizada na tarde desta quinta-feira (16), no auditório da OAB Subseção Passo Fundo.
O evento integrou o Dia D de Combate ao Golpe do Falso Advogado no Rio Grande do Sul, ação promovida em parceria entre a OAB e a Polícia Civil. A delegada destacou que, embora outros indicadores criminais estejam em queda, os crimes de estelionato virtual seguem em aceleração, especialmente após a pandemia, com o aumento do uso de meios digitais e aplicativos de mensagens.
Investigação
Durante a atividade, investigadores explicaram como a fraude é aplicada e os desafios das apurações. Os golpistas agem com rapidez, usando informações processuais, identidade visual de escritórios, fotos de profissionais e linguagem jurídica para dar credibilidade ao contato, geralmente via WhatsApp. O principal obstáculo é a velocidade com que os valores são transferidos por Pix, dificultando o bloqueio. O dinheiro é pulverizado em várias contas em minutos, e as chaves Pix frequentemente pertencem a “laranjas” ou empresas encerradas.
A Polícia Civil orienta que acessos suspeitos a processos sejam comunicados imediatamente, pois o sistema registra quem consulta os autos, permitindo agilizar a investigação.
OAB faz alerta
A presidente da OAB Passo Fundo, Cibele Stefani Borghetti, destacou que a ação integra um movimento estadual de enfrentamento ao crime. A fraude afeta diariamente clientes e advogados. Ela alertou para o uso crescente de tecnologias sofisticadas, como inteligência artificial, inclusive com clonagem de identidade facial.
A orientação é que qualquer contato por número desconhecido, mesmo com foto do advogado ou logomarca, seja conferido pelos canais oficiais do profissional.
Cliente perdeu R$ 50 mil
A advogada Paula Padilha relatou o caso de uma cliente vítima da fraude. Os criminosos entraram em contato via WhatsApp com informações reais do processo. Pediram dados bancários para um suposto pagamento judicial, alegaram erro no sistema e solicitaram novas informações. A vítima enviou foto do cartão bancário (frente, verso e código de segurança). Com os dados, os criminosos acessaram a conta e fizeram duas transferências totalizando cerca de R$ 50 mil.
Paula disse que os criminosos mudam constantemente a metodologia: usam fotos de redes sociais de advogados, criam falsos “assessores jurídicos” e enviam imagens simulando audiências para impedir que a vítima contate o profissional verdadeiro. Ela adotou um sistema de palavra-chave de segurança com seus clientes.
Judiciário reforça: Foro não solicita depósitos
A juíza Rossana Gelain reforçou que o Poder Judiciário não pede depósitos, transferências ou confirmação de contas bancárias. A orientação é que, diante de qualquer dúvida, a população procure diretamente o escritório do advogado ou compareça ao Foro antes de fazer qualquer movimentação.



