A agricultura na região de Passo Fundo vive um momento decisivo entre o encerramento das culturas de inverno e o avanço das lavouras de verão. Conforme avaliação do Assistente Técnico Regional de Culturas e Solos da Emater, Oriberto Adami, a safra apresenta bons resultados agronômicos, mas enfrenta desafios importantes relacionados especialmente à rentabilidade, sobretudo no trigo. Ele detalhou o panorama da situação atual nos 42 municípios que integram o Escritório Regional da Emater de Passo Fundo.
Colheita do trigo avança, mas rentabilidade preocupa
A colheita do trigo evoluiu de forma significativa na última semana e já alcança cerca de 30% da área total, estimada em 110 mil hectares. O avanço, porém, é desigual entre as regiões. Municípios que semearam mais cedo e têm clima mais quente, como Machadinho, Maximiliano de Almeida e Paim Filho, já ultrapassam 60% da área colhida. A região de Carazinho, Lagoa dos Três Cantos e Não-Me-Toque, que tradicionalmente inicia o plantio cerca de 15 dias antes, também está em plena operação.
Nas áreas de clima mais frio e altitude elevada, como Capão Bonito do Sul, Barracão, Lagoa Vermelha e Ciríaco, o trigo ainda está em fase de maturação fisiológica, com previsão de início da colheita entre 8 a 10 dias. Nessas localidades, a colheita deve se estender por aproximadamente três semanas.
Em termos produtivos, o desempenho é considerado bom. Onde foi adotado um alto nível tecnológico, a média regional gira em torno de 60 sacas por hectare, chegando a lavouras com produtividade entre 70 e 75 sacas. A qualidade do grão também se destaca, com PH variando de 80 a 82, indicador bem avaliado para a indústria.
O ponto crítico, porém, é a rentabilidade. O preço atual, entre R$ 57,00 e R$ 58,00, está muito próximo do custo de produção, o que reduz significativamente o retorno econômico ao produtor. Segundo Adami, a safra é boa, mas o maior problema é a baixa rentabilidade, preocupação que tem se repetido ao longo dos últimos anos.
Aveia branca e canola apresentam bons resultados
Além do trigo, a região conta com 45 mil hectares de aveia branca destinados ao mercado comercial. Já a canola teve um ano especialmente positivo. A área cultivada praticamente dobrou na região, acompanhando o movimento observado em todo o Estado.
A produtividade média da canola ficou em torno de 35 sacas por hectare, enquanto o custo se manteve entre 17 e 18 sacas. Com preço médio de R$ 140,00, a cultura se consolidou como a mais rentável desta safra de inverno, mesmo com área menor em comparação às demais.
Soja está com plantio acelerado
A principal cultura da região começa a ganhar força no campo. Com área total estimada em 650 mil hectares, o plantio da soja avança rapidamente e já alcança 50% a 60% da área cultivada, variando conforme o município. Parte das lavouras está em germinação, enquanto outras já entraram no início do desenvolvimento vegetativo.
A expectativa da Emater é que, com o avanço das operações e a conclusão da colheita do trigo, o plantio seja completado em 15 a 20 dias, podendo chegar a 70% ou 80% da área plantada já na próxima semana, caso as condições climáticas se mantenham favoráveis.
Até o momento, o clima tem colaborado. Porém, há apreensão para o final de novembro e início de dezembro, quando há previsão de chuvas abaixo da média. Mesmo assim, Adami destaca que o mais importante é que as precipitações sejam regulares, mesmo que em menores volumes, algo próximo de 20 a 25 milímetros a cada sete ou oito dias seria suficiente para garantir um bom desenvolvimento das plantas.
Outra cultura importante, o milho, apresenta bom desenvolvimento, mas clima seguirá determinante. A cultura já está com 100% da área plantada na região e apresenta um desenvolvimento vegetativo considerado muito favorável
Em um panorama geral a avaliação técnica da Emater indica otimismo moderado: o desempenho agronômico é positivo, mas fatores de mercado e clima continuam sendo determinantes para o resultado final das principais culturas da região.


