Soja supera a estiagem na região, mas preços baixos preocupam produtores

Levantamento da Emater aponta que as perdas de aproximadamente 15% foram menores que a expectativa inicial, especialmente após o longo período sem chuva enfrentado no começo do ano

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A colheita foi encerrada na última semana, e o balanço regional já foi divulgado - Foto: Vanessa Almeida de Moraes/Emater/RS-AscarA colheita foi encerrada na última semana, e o balanço regional já foi divulgado - Foto: Vanessa Almeida de Moraes/Emater/RS-Ascar
A colheita foi encerrada na última semana, e o balanço regional já foi divulgado - Foto: Vanessa Almeida de Moraes/Emater/RS-Ascar
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Mesmo após enfrentar um longo período de estiagem no início do ano, a safra de soja foi encerrada na região de Passo Fundo com perdas abaixo das previsões mais pessimistas. Levantamento realizado pela Emater junto aos municípios aponta redução entre 12% e 15% na produtividade, percentual considerado moderado diante das dificuldades climáticas enfrentadas durante o ciclo da cultura.

A produtividade média ficou entre 56 e 57 sacas por hectare, resultado próximo da média histórica da região, que normalmente gira em torno de 60 a 65 sacas. Conforme o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, o desempenho surpreendeu positivamente após as semanas de estiagem severa registradas entre janeiro e fevereiro.

Segundo ele, houve localidades que permaneceram mais de 30 dias sem chuva, cenário que gerou preocupação entre técnicos e produtores. Ainda assim, a recuperação parcial das lavouras foi favorecida por melhorias no manejo do solo e pela capacidade de retenção de água em áreas com maior cobertura vegetal.

Manejo do solo ajudou a reduzir impactos da seca

De acordo com Oriberto, o comportamento da safra reforça a importância de práticas de conservação do solo, especialmente o uso de plantas de cobertura durante o inverno. O gerente regional destaca que áreas com melhor estruturação apresentaram maior capacidade de suportar os períodos de estiagem. A formação de palhada e o desenvolvimento das raízes contribuíram para aumentar a infiltração e o armazenamento de água no solo, amenizando os efeitos da falta de chuva.

Mesmo com diferenças entre municípios e propriedades, a avaliação geral da Emater aponta produtividade média próxima de 3.400 quilos por hectare. Em anos considerados normais, a região costuma alcançar índices entre 3.700 e 3.800 quilos por hectare.

Para a Emater, o resultado final ficou distante das perdas severas previstas durante o auge da estiagem.

Preço baixo e custos elevados reduzem margem de lucro

Apesar do desempenho considerado satisfatório nas lavouras, o principal problema enfrentado pelos produtores está na rentabilidade da atividade. A combinação entre queda no preço da soja e aumento dos custos de produção reduziu drasticamente as margens financeiras da safra.

Segundo Oriberto, muitos agricultores conseguem colher bem, mas não alcançam lucro suficiente para compensar os investimentos realizados ao longo do ciclo produtivo. A situação se torna ainda mais delicada para produtores que trabalham em áreas arrendadas, onde o custo adicional praticamente inviabiliza um resultado positivo.

O gerente regional afirma que a renda por hectare passou a ser a principal preocupação do setor agrícola neste momento. A redução nos preços ocorreu justamente durante o período de colheita, comprometendo o retorno financeiro mesmo em propriedades com produtividade próxima da média. A colheita da soja foi praticamente encerrada na região na última semana, restando apenas pequenas áreas isoladas.

Cenário preocupa produtores para a safra de trigo

As dificuldades enfrentadas na soja já começam a impactar o planejamento da próxima safra de inverno. Conforme levantamento inicial da Emater, a área destinada ao trigo pode sofrer uma redução próxima de 50% na região de Passo Fundo.

Na última safra, o cereal ocupou cerca de 110 mil hectares. Agora, a estimativa aponta que esse número pode cair para algo entre 55 mil e 60 mil hectares.

Mesmo após um ano de boa produtividade e qualidade do trigo, os preços baixos e o alto custo de implantação seguem desestimulando os produtores. Segundo Oriberto, atualmente uma lavoura tecnificada precisa alcançar entre 60 e 65 sacas por hectare apenas para cobrir os custos de produção, índice acima da média obtida em muitos anos.

Além da questão financeira, os agricultores também avaliam os riscos climáticos associados ao inverno, especialmente os episódios de excesso de chuva, que podem comprometer o desenvolvimento das lavouras.

A redução na intenção de plantio já é percebida em diversos municípios da região.

Canola ganha espaço e pode dobrar área plantada

Enquanto o trigo perde espaço, a canola surge como uma das principais alternativas para o inverno gaúcho. A expectativa da Emater é de forte crescimento da cultura tanto na região de Passo Fundo quanto em todo o Rio Grande do Sul.

No estado, a área plantada pode atingir até 400 mil hectares, praticamente o dobro da safra anterior, quando ficou entre 230 mil e 240 mil hectares. Na região de Passo Fundo, o avanço também chama atenção. A área cultivada, que no último ano foi de aproximadamente 6 mil hectares, deve ultrapassar os 12 mil hectares nesta safra, podendo crescer ainda mais conforme o fechamento das estimativas.

Segundo Oriberto, vários municípios que até então não cultivavam canola começaram a investir na cultura como alternativa de renda durante o inverno. Em alguns locais, áreas que eram inexistentes passarão a contar com centenas de hectares plantados.

 A rentabilidade registrada pela canola nas últimas temporadas é apontada como principal fator para o aumento da procura. Ainda assim, técnicos alertam para os riscos relacionados ao excesso de chuva, já que a cultura possui maior sensibilidade às condições climáticas do inverno.

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