São mais de 6.300 quilômetros entre Passo Fundo e Dakar, a capital do Senegal. Em 2007, o primeiro grupo de senegaleses cumpriu o longo percurso e desembarcou na região. Ali começa o vínculo do jornalista e fotógrafo Gerson Lopes com os imigrantes africanos. Passo Fundo teve papel fundamental no acolhimento aos recém-chegados. “O principal atrativo era a existência de dois grandes frigoríficos, um em Passo Fundo e outro em Marau”. Além disso, Gerson conta que os senegaleses encontraram “menos dificuldades no trâmite burocrático na Delegacia da Polícia Federal de Passo Fundo”. Logo, a comunidade senegalesa cresceu muito. Agora, o pedacinho do Senegal no Planalto Médio pode ser visto na exposição “Salamaleico”.
Tradução fotográfica
“A partir de 2011, já em O Nacional, fiz muitas matérias sobre os senegaleses. Conheci algumas lideranças e tive acesso aos costumes do grupo”. Se o wolof, principal língua falada no Senegal, está longe do nosso português, Gerson usou a máquina fotográfica para obter a melhor tradução do sentimento dos novos habitantes de Passo Fundo. “A aproximação maior veio após uma apresentação de percussão, no Teatro Múcio de Castro, onde o Marcelo Pimentel recebeu um grupo senegalês. Tive acesso à Pensão do Machado, próxima ao Hospital Municipal, que já era o principal ponto de hospedagem deles. No início, alguns tinham dificuldades para falar. Era um pouco enrolado, mas eles têm facilidade muito grande de adaptação”. E o fotógrafo teve talentosa capacidade para a captação que permitiu a interatividade.
Enquadramento cultural
Salamaleico é uma expressão muçulmana que deseja a paz e, portanto, é perfeita para batizar a mostra fotográfica de Gerson Lopes. Até porque, os sorrisos captados pelas fotos exalam muita paz. “Tem até de um jogo de futebol, quando um grupo de senegaleses disputou o Campeonato Municipal”. Porém, o enquadramento esteve bem mais próximo das tradições que trouxeram de outro continente. “São religiosos, disciplinados, não bebem e não fumam. Estive na mesquita e acompanhei o Ramadã, período de jejum dos muçulmanos”. Certamente, o momento mais emocionante foi acompanhar no hospital a chegada da primeira filha de senegaleses nascida em Passo Fundo.
As fotos que mostram a paz na convivência de dois continentes

O Projeto Salamaleico, em exposição no Bella Città, reúne uma coleta das fotografias obtidas nos últimos 14 anos. “Achei que era o momento de compartilhar o acervo, uma retrospectiva da convivência com a cultura dessa comunidade. Surgiu a oportunidade através do Funcultura da Prefeitura de Passo Fundo, 8ª edição, apresentei o projeto e fui contemplado”, conta com orgulho.
Preto e branco
As fotos da exposição são todas em p&b. “O preto e branco passa uma mensagem que não teria a mesma força em colorido. Consigo transmitir o sentimento que tenho do momento, pois o p&b é uma linguagem com a qual me identifico”. Gerson de olho no visor e no outro lado da máquina estão os senegaleses. “Mesmo longe do Senegal, eles conservam muito sua cultura, alimentação e rituais”.
Itinerante
O Projeto Salamaleico não fica apenas na exposição. Haverá, ainda, oficinas sobre o tema nas escolas públicas. E, o mais abrangente, é que a mostra é itinerante e pode chegar às empresas, especialmente, as que contam com colaboradores senegaleses, ou outros espaços.
SERVIÇO:
Exposição Salamaleico
‘Um olhar fotográfico sobre a comunidade senegalesa em Passo Fundo’
Local: Primeiro andar do Bella Città Shopping
Período: Até 27 de julho.


