Alexandre Ramagem é preso nos Estados Unidos

A detenção ocorreu na cidade de Orlando, na Flórida, e foi confirmada pela Polícia Federal e por autoridades do Ministério da Justiça ainda na tarde de ontem (13)

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Prisão reascende discussão sobre possível extradição - Foto: Lula Marques/Agência BrasilPrisão reascende discussão sobre possível extradição - Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Prisão reascende discussão sobre possível extradição - Foto: Lula Marques/Agência Brasil
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O ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, foi preso nessa segunda-feira (13) nos Estados Unidos por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). A detenção ocorreu na cidade de Orlando, na Flórida, e foi confirmada pela Polícia Federal e por autoridades do Ministério da Justiça.

Ramagem estava fora do Brasil desde setembro do ano passado, quando passou a ser considerado foragido da Justiça após deixar o país antes do encerramento definitivo do processo no Supremo Tribunal Federal. Ele foi condenado a 16 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado investigada pelo STF, no contexto das apurações relacionadas aos ataques à democracia e às articulações para impedir a posse do presidente eleito em 2022. Segundo as investigações da Polícia Federal, a saída do ex-parlamentar ocorreu de forma clandestina, pela fronteira entre Roraima e a Guiana, de onde seguiu para território norte-americano.

A abordagem ocorreu na rua. Durante a checagem documental, as autoridades americanas teriam identificado inconsistências em sua situação migratória. Há relatos de que o passaporte diplomático anteriormente utilizado por Ramagem já havia sido cancelado após a cassação de seu mandato pela Câmara dos Deputados, o que pode ter contribuído para a detenção.

Prisão

Apesar de aliados sustentarem que a prisão decorreu apenas de uma questão burocrática ligada à imigração, a Polícia Federal brasileira apresentou uma versão diferente. O diretor da PF, Andrei Rodrigues, informou que a prisão é resultado da cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado e no cumprimento de decisões judiciais. A declaração reforça a possibilidade de que o pedido de extradição encaminhado pelo governo brasileiro no fim de 2025 tenha influenciado diretamente na ação do ICE.

O Ministério da Justiça já havia informado, em janeiro deste ano, que toda a documentação necessária para o processo de extradição havia sido enviada às autoridades americanas por meio da Embaixada do Brasil em Washington. Desde então, o caso estava sob análise do Departamento de Estado dos Estados Unidos, sem prazo oficial para resposta. Com a prisão confirmada, a tendência é que os trâmites diplomáticos e judiciais ganhem celeridade nos próximos dias.

Aliados

No campo político, a prisão teve imediata repercussão. O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, afirmou que acompanhará o caso com “máxima atenção”, destacando que a situação ultrapassa o aspecto individual e alcança o debate sobre garantias institucionais e o tratamento dado a um ex-parlamentar eleito. A manifestação evidencia que o episódio deve gerar novos embates políticos, especialmente entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e setores ligados ao Supremo Tribunal Federal.

Aliados próximos de Ramagem também afirmam que ele mantém um pedido de asilo político em análise nos Estados Unidos, argumento utilizado para sustentar a tese de permanência legal no país até decisão final sobre o processo migratório. Ainda assim, especialistas avaliam que a existência de um pedido de extradição formal e a condição de foragido da Justiça brasileira podem pesar significativamente na definição do caso.

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