A primavera começou na tarde desta segunda-feira (22), às 15h19, trazendo mudanças nas condições climáticas com a entrada de uma frente fria e temporais no Rio Grande do Sul. Mesmo assim, para os próximos três meses, não estão descartados períodos mais secos e quentes, especialmente no centro-oeste gaúcho.
Segundo dados da Embrapa Trigo, no último final de semana, Passo Fundo registrou 99,8 mm de chuva, acumulando 205,8 mm em setembro. Este número é aproximadamente 24% superior à média esperada para o mês todo, que é de 165,5 mm.
O analista do laboratório de agrometeorologia da Embrapa Trigo, Aldemir Pasinato, descreveu como será a temperatura ao longo da semana: “Vão persistir condições de pancadas de chuva de fraca intensidade. Também teremos mais uma virada no tempo, com o declínio das temperaturas. A partir desta terça, temos o predomínio de uma massa de ar frio, que vai deixar as temperaturas mais baixas ao amanhecer e também agradáveis durante a tarde. A previsão é de predomínio de sol pelo menos até a próxima sexta-feira. Ao longo desta semana, as temperaturas mínimas ficarão entre 7°C e 9°C ao amanhecer, e as máximas, em torno de 18°C a 21°C”.
Estações da prefeitura
Segundo nota da Prefeitura de Passo Fundo, a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil registrou, nas últimas 72 horas, volumes que variaram de 61,6 mm — na estação meteorológica instalada na localidade de Bela Vista — a 118,8 mm, em São Roque. Apesar do volume elevado, foram poucas as ocorrências: uma igreja na Ocupação Floresta e duas casas — sendo uma no bairro Zachia — receberam lonas de apoio. Outros dois pontos de alagamento foram identificados, mas nenhuma residência foi atingida.
Na área urbana, os maiores volumes foram contabilizados na Estação Fredolino Chimango, com 109 mm, e na Estação Manoel Portela, com 107,6 mm. As rajadas de vento seguiram dentro de níveis moderados, não ultrapassando 41 km/h na cidade e 61 km/h no interior.
A Secretaria de Obras atua na limpeza de bocas de lobo e na Rua São Sebastião, no bairro Hípica, onde o rompimento de uma galeria abriu um buraco e causou a queda de um veículo.
Região e estado
Em Soledade, o temporal na madrugada de domingo destelhou pelo menos 15 casas. Os ventos atingiram 98,3 km/h, de acordo com o Climatempo.
Segundo dados da MetSul, em Erechim, ao menos dez residências foram destelhadas, além da queda de quatro árvores em vias públicas. Já em Marau, uma árvore caiu sobre uma casa e outras duas residências foram destelhadas. A prefeitura de David Canabarro relatou estragos em cinco residências e em uma escola municipal; em Vanini, 17 casas foram atingidas.
Há ainda a possibilidade de que regiões mais altas do estado amanheçam com geada nas madrugadas de quarta e quinta-feira.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu alertas sobre a condição de instabilidade que vai se intensificando em diversas regiões do estado, com chuva, raios, rajadas de vento e granizo. O pedido é que sejam evitadas áreas de risco e, em caso de emergência, deve-se ligar para 190 ou 193.
La Niña
Além das baixas temperaturas no início da nova estação, a mudança traz atenção para o fenômeno climático La Niña. Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 56% de probabilidade de que o resfriamento das águas do Pacífico se forme ainda na primavera, o que pode alterar o regime de chuvas e manter as temperaturas mais baixas no Rio Grande do Sul. Caso o fenômeno se confirme, seus efeitos podem ser sentidos até o início do verão, quando a situação climática poderá voltar, pouco a pouco, à normalidade.


