OPINIÃO

Teclando - 29/09/2021

Ternura e grossura

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Ternura e grossura

Muito mais do que uma rima pobre, ternura e grossura são marcadores de um termômetro social que oscila da delicadeza à estupidez. Há épocas em que a grossura ofusca o brilho da ternura. Isso fica nítido quando a ignorância é enaltecida. Também há situações críticas no momento em que a estupidez abafa, espanca e quase extermina a amabilidade. A ternura é doce e, portanto, não pode amargar por violência, censura ou opressão. Essa agressividade inicia com um patrulhamento aparentemente inofensivo. Isso ocorre quando a grossura esbarra na lógica para encontrar algum espaço na sociedade. Então, isolada pela razão, a ignorância infla e tem crises de grosserias. O pensamento obtuso é característico da grossura. Enxerga o mundo com estreita visão unilateral e não aceita nada que esteja fora da sua diminuta compreensão.

O grosso não tem percepção apurada, utiliza a própria grossura como escudo e rechaça todas as formas de conhecimento. Não aceita o diferente e sua única argumentação surge pela expressão “é assim e está acabado”. Instigado pelos seus recalques sociais, o grosso pega garupa na idiotice dos ambientes retrógrados do pensamento único. O risco é o momento em que a grossura vai além dos casos isolados. Estamos em perigo quando o índice de grossura do termômetro social está elevado. Mesmo que sejamos racionais, eles tentam nos conduzir para a irracionalidade. E isso não nos permite sequer discutir, pois o debate é afronta à grossura. E, assim, a grossura vai atropelando os mais lindos vínculos atrelados pela fraternidade. A constante agressão da grosseria é uma ameaça muito perigosa. Atinge a sociedade, estanca a evolução do ser humano e machuca um dos nossos mais lindos sentimentos: a ternura.

Baunilha

Minha boca passou por uma intervenção do cirurgião Alexandre Basualdo que fez algumas recomendações pós-operatórias. Dentre elas estava o sempre delicioso sorvete. E lá fui eu em busca de uma gostosura geladinha. Num setor do supermercado que pouco frequento, fiquei surpreso com algumas novidades. Em primeiro lugar, eu não sabia que o sorvete estava tão caro assim. Seriam preços atrelados aos dos combustíveis ou da carne? Pelas marcas que encontrei, as geladas prateleiras mais pareciam uma bombonnière. Minha primeira opção seria por um sorvetinho de baunilha, tradicional sabor que conheço desde piá. Não achei. Depois, lendo atentamente os rótulos, emaranhei os neurônios tentando compreender quem fabrica as marcas mais conhecidas. O que era de uma e já foi de outra, agora está nas mãos de um terceiro grupo. Conclusão: pouco muda entre os rótulos de chocolates, sorvetes, margarinas ou sabonetes. Mas, confesso, o sorvetinho de creme que comprei estava uma delícia.

Inclusão governamental

Sempre escutei da boca de contestadores incorrigíveis que “se hay gobierno soy contra”. Hoje os oportunistas e adesistas dizem “se hay gobierno estoy dentro”.  E isso vale em níveis nacional, estadual e municipal. A troca de partidos é apenas um detalhe, pois mudam de camisa sem ir até o vestiário. Ontem contra, hoje a favor e amanhã um novo carguinho decidirá. O pior de tudo é que consideram esse comportamento como absolutamente normal. Dizem que não são aproveitadores e que isso seria apenas uma espécie de inclusão governamental.

A mesma vaga

Parece que não tem mais solução. O mesmo carro permanece no mesmo local em área de vagas rotativas. Faz tempo. O tempo passa e, ao que parece, nada mudará. Por quê?

 Trilha Sonora

Crown - O Magnífico, de 1968, com Steve McQueen e Faye Dunaway. Música de Alan Bergman e Michel Legrand. Alison Moyet - The Windmills of Your Mind


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