Com o Boqueirão na proa
As caminhadas são mais do que uma exigência para mexer com o corpo, pois também movimentam os olhos. Revezo os meus passos entre a antiga Gare e o antigo Campo do Quartel. Porém, domingo, voltei ao também antigo e sempre atrativo Boqueirão. Parece-me que por lá há algo magnético, uma energia convidativa ao mais autêntico passeio urbano de Passo Fundo. Já estava com saudades daquilo que vejo no percurso entre a General Netto e o hoje chamado trevo da Caravela. E, para não perder o fio da história, lembro que ali sempre foi o Trevo do CESEC – antigo serviço de compensação bancária do Banco do Brasil.
Mas, de volta aos primeiros trechos, vi os novos prédios que emolduram o renovado e sempre imponente Texas do IE. Além dos olhos, também o nariz entrou em ação pelo fedor de urina, lá entre a Andradas e a Coronel Miranda. Sim, mijo de alto potencial fedorento correndo pela sarjeta. Mas não é um xixi mal saneado que vai estragar o passeio.
Novas portas, novas fachadas e o Boqueirão continua bombando. Empresas que mudam de lugar, empresas que chegam ou surgem da linha do horizonte. Na ida e na frida, senti que os mais novos também gostam do velho Boqueirão. Pecam apenas no péssimo gosto musical que afeta ouvidos sensíveis. Nas conveniências dos postos de combustíveis, nas calçadas ou nos canteiros não falta gente para aproveitar uma domingueira de sol e temperatura agradável.
Também tem o pessoal que estaciona o carro, coloca um isopor na calçada e manda bem uma cervejinha. Sem problemas, pois sabem que não tem balada segura nesse horário. O perigo está mesmo nas calçadas onde, por duas vezes, quase fui atropelado pelas bicicletas. O vaivém da beleza das silhuetas em movimento é um encanto à parte, pois, de fato, aqui estão as mais lindas do mundo. Enfim, foi um belo passeio que atiçou todos os sentidos e até mexeu com os sentimentos. Coisas que só o Boqueirão pode fazer.
Gerson Lopes
Nosso editor, Gerson Lopes, com a Nikon nas mãos é bem diferente dos colegas jornalistas. Enquanto buscamos apenas uma boa ilustração, ele vai atrás de um detalhe que conta a história. Acompanhando a comunidade senegalesa em Passo Fundo, obteve requintadas imagens desde 2011. Agora, o trabalho pode ser conferido na exposição “Salamaleico”. É um convite à paz e à reflexão. Ao contar a história em fotos preto e branco, Gerson também flagra a cultura oral dos contadores de histórias vindos da África. Num mundo de pensamentos peregrinos, cada foto é uma parada que marca uma narrativa. E não é apenas história, pois a beleza reflete em cada foto. “Salamaleico” fica em exposição até 27 de julho, no primeiro andar do Bella Città Shopping. Salamaleico!
Andorinhas
Parece que, de fato, o mundo louqueou. Em todos os sentidos! Há fatores místicos que influenciam em nosso planeta. Isso provoca mudanças comportamentais, muda o tempo e ameaça a humanidade. Aqueles com cara de loucos andam ainda mais loucos. Os tiranos, então, babam de tão insanos. E os que babam de raiva remoem em armentos. Ontem, em pleno mês de julho, a temperatura bateu nos 25ºC. Havia revoadas de andorinhas que riscavam livres e leves o céu da cidade. Até parecia verão. Então, imaginei como seria se tivéssemos o mar ali por onde corre o Rio Passo Fundo? Ah, com certeza, daria praia e, além das andorinhas, as gaivotas dariam aulas de aerodinâmica.
Pastelaria
Persiste o fedor da pastelaria aqui embaixo. Já ando pensando em dar um pulo aos Estados Unidos para pedir ajuda.
Centenário
Tá bom. A contagem já parou, mas o Centenário ainda repercute. E deixou algumas interrogações no ar. Uma pergunta que não quer calar é sobre o eficaz produto utilizado nos cabelos daqueles dois irmãos. Todos querem saber qual é a marca?
Trilha sonora
Em 1963, o italiano Gino Paoli lançou Sapore di Sale, que logo seria sucesso mundial. E não foi por acaso, pois a gravação original teve o arranjo de Ennio Morricone e, de lambuja, acompanhamento e solo do saxofone de Gato Barbieri.
Gino Paoli - Sapore di Sale


