Chuvas freiam avanço de perdas nas lavouras de milho na região de Passo Fundo

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Chuvas beneficiaram as lavouras nos últimos dias - Foto: Reprodução/Redes Sociais Chuvas beneficiaram as lavouras nos últimos dias - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Chuvas beneficiaram as lavouras nos últimos dias - Foto: Reprodução/Redes Sociais
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As chuvas registradas desde o início da semana na região Norte do Rio Grande do Sul, com volumes entre 80 e 125 milímetros, trouxeram um importante alívio para os produtores rurais. O milho, que atravessa a fase mais sensível do ciclo, floração e início do enchimento de grãos, já contabilizava perdas entre 15% e 20% por causa do déficit hídrico. A situação, no entanto, poderia ter sido muito mais grave se a estiagem tivesse persistido.

A avaliação é do supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, que destaca que o retorno da chuva interrompeu o avanço das perdas e garantiu umidade para os próximos dias. Na área de atuação do escritório regional da Emater de Passo Fundo, que abrange 42 municípios, foram plantados cerca de 73 mil hectares de milho. Trata-se de uma cultura estratégica para a região, especialmente pelo abastecimento das cadeias de proteína animal, como leite e suinocultura.

Alívio

Segundo Oriberto, o cenário antes da chuva já era preocupante. “Nós estávamos com um déficit hídrico elevado e isso vinha acarretando diariamente a ampliação de perdas. As lavouras mais afetadas já registravam quebras entre 15% e 25%. Se tivéssemos mais uma semana ou 10 dias sem chuva, esse prejuízo poderia dobrar, chegando a 50% ou 60%”, afirma.

Ele explica que o volume registrado, apesar das variações entre municípios, foi decisivo. “A chuva variou de 80 a 125 milímetros, ficando numa média de 100 milímetros. É uma chuva importante, que acumula umidade para os próximos dias. Agora dependemos de precipitações regulares a cada sete ou oito dias até o final do ciclo, que vai até a primeira quinzena de janeiro”, detalha.

Além de evitar perdas maiores no milho precoce, a chuva favoreceu as lavouras que entraram recentemente em floração, etapa em que os danos são menores quando há reposição hídrica. O supervisor também destaca que o temporal chegou de forma tranquila, sem ventos ou granizo significativos, o que teria causado ainda mais transtornos.

Soja tem plantio retomado

A melhora na umidade do solo também beneficiou o avanço do plantio da soja, que estava paralisado em áreas onde o trigo havia sido colhido recentemente. Cerca de 90% da área total já está semeada, e os produtores devem concluir o plantio nos próximos três ou quatro dias.

“A maior parte da área já está em desenvolvimento vegetativo inicial, com bom estande de plantas. A germinação foi satisfatória. Agora precisamos de chuvas regulares entre dezembro e fevereiro, que são meses decisivos para floração e enchimento de grãos”, explica Oriberto.

Ele alerta que, apesar do bom início, as previsões climáticas indicam possibilidade de chuvas abaixo da média em dezembro, o que exige atenção. “Essa chuva agora nos dá um fôlego de sete a oito dias. Depois, volumes entre 30 e 40 milímetros já seriam suficientes para manter a umidade do solo e garantir o desenvolvimento das plantas”, acrescenta.

Trigo fecha safra com ótima produtividade

Além das culturas de verão, Oriberto também avaliou o desempenho do trigo, que teve uma safra considerada excepcional na região. As produtividades ficaram próximas de 60 sacas por hectare em média, alcançando até 100 sacas em áreas específicas, como no município de Capão Bonito. A qualidade do grão também foi destaque, com PH entre 84 e 85.No entanto, o preço pago ao produtor ainda preocupa. “A saca está na faixa de R$ 56 a R$ 57. No início da safra, estávamos em quase R$ 70. A entrada de produto importado prejudica o produtor nacional”, explica.

Ele ressalta que o trigo de melhor qualidade, chamado branqueador, com maior teor de proteína, recebe bônus dos moinhos, mas esse não é o perfil predominante nas lavouras da região.

Mesmo com a frustração no preço, o supervisor destaca o impacto positivo da boa safra: “Foi um ano excelente em produtividade e qualidade. Agora torcemos para que o mercado se ajuste e o produtor consiga rentabilidade, porque é isso que mantém o negócio e movimenta a economia local nos próximos meses”, conclui.

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