OPINIÃO

Teclando - 05/05/2021

Jacamem ou homencaré?

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Jacamem ou homencaré?

Enfrento um entrave metamórfico. Sou vítima de uma abrupta interrupção no meu processo de metamorfose para a classe reptília. Aliás, não sei por que, mas desconfio que haja interesses para transformar-nos em seres rastejantes. Porém, no meu caso, foi por opção própria seguindo o meu forte instinto de sobrevivência. Ciente de que seria transformado em jacaré, aceitei receber a vacina. E foi com a mais reptiliana de todas: a chinesa CoronaVac. Sim, aquela ameaçadora vacina comunista! Corajoso, ergui a manga e recebi a primeira dose. Sem dor, ser reação física, mas observei leves indícios de alterações comportamentais. Após sair do Lalau Miranda, passando a ponte sobre o Rio Passo Fundo, veio uma tentação para colocar os pés na água. Bobagem, pensei. Mas, no dia seguinte, fiquei quase duas horas ao sol. Sim, lagarteando. Opa! Lagarto, jacaretinga, jacaré-do-pantanal...

Definitivamente, ali começava a metamorfose de um Homo sapiens sul-rio-grandense para, provavelmente, um jacaré-do-planalto. Outros detalhes reforçavam a tese da transmutação: o forte desejo de saborear uma moqueca de peixe e os dentes mais afiados do que a língua. Em analogia às sereias, sou metade homem e metade jacaré. E, por favor, não me perguntem qual é a parte de cima ou a de baixo. Enfim, já sou um jacamem ou homencaré. Então, para não ficar na metade do caminho, bastaria receber a segunda dose e me espraiar pelo leito do Passo Fundo. A aplicação estava programada para sexta-feira, dia 30, mas acabou a vacina. A falta ocorre por irresponsabilidade, má-gestão e absurda falta de logística em nível federal. E eu aqui, nem homem e nem jacaré. Agora, sem a segunda dose, estou esverdeando. Sim, estou verde de raiva!

Catástrofe sanitária

Não entendo por que alguns querem minimizar uma catástrofe. Deixando de contar os mortos, não diminuiremos os óbitos. Escondendo informações, nos conduzem para fora da realidade. Existe uma pandemia que atinge os dois hemisférios do planeta. Mas os hemisférios de algumas cabeças andam invertidos. Já observaram que há uma insistente prática em minimizar a situação? Observem esse estranhíssimo comportamento que, mesmo em momento tão delicado, prima por depreciar informações. A situação exige cautela e não descrédito. É o momento em que a unidade dos povos é fundamental. E essa união justifica-se pelo fato de que todos nós estamos diante de um inimigo comum. É uma catástrofe sanitária. Tirar proveito desse momento é crime humanitário.

Concreto no horizonte

Ao olhar desse leigo, a construção civil de Passo Fundo é levada por bons ventos. Escapadinha de casa ao Jornal, num giro do olhar pelo horizonte eu vi muito concreto subindo. Além dos prédios em fase adiantada, surgiram muitos lançamentos diferenciados. É bom lembrar que a moradia própria é o último bem de consumo a ser conquistado, depois de alimentação, educação e do carro próprio. Acredito que os juros estão atrativos, favorecendo compradores e empreendedores. E isso está escrito na evolução do perfil que enxergamos. Mãos à obra!

Na mesma tecla

Insisto no assunto, pois não vislumbro solução. Por que existem privilégios no estacionamento rotativo da Avenida Brasil? No pequeno trecho entre a Bento e o Clube Comercial, tem gente com vaga cativa. Isso pode?

Boka

Nos próximos dias teremos algumas novidades em relação ao tradicionalíssimo Boka. Novidades daquelas que dão água na boca. Mais eu ainda não posso contar.

Trilha sonora

Essa já rodou por aqui, mas sempre merece bis. Hugo Montenegro Orquestra e Coro - Tomorrow's Love


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